Agência Lupa, Facebook e a armadilha mortal da novilíngua

A notícia que impactou os produtores de conteúdo liberal e conservador na ambiência virtual na última quinta-feira (10) foi a de que o Facebook estabeleceu uma parceria com duas agências verificadoras de notícias no Brasil, prontas a checar diariamente o conteúdo noticioso publicado na rede social. Os perigos de distorções e seletividade nas investidas da […]

A notícia que impactou os produtores de conteúdo liberal e conservador na ambiência virtual na última quinta-feira (10) foi a de que o Facebook estabeleceu uma parceria com duas agências verificadoras de notícias no Brasil, prontas a checar diariamente o conteúdo noticioso publicado na rede social. Os perigos de distorções e seletividade nas investidas da caça histérica às “Fake News” já foram exaustivamente denunciados; este é mais um preocupante capítulo dos esforços de implementação dessa agenda internacionalmente. Não é nem de longe a primeira vez em que falamos do assunto.

Muitos amigos e parceiros de luta pelas mesmas bandeiras já perceberam a ameaça e estão se mobilizando para denunciá-la. Um deles, nosso prezado Rodrigo Constantino, publicou um vídeo em que resume muito bem todo o contexto da problemática. Ele ressaltou que a credibilidade dos supostos analistas das notícias “não é muito boa”, pois “são quase todos de esquerda ou extrema esquerda”, com uma linha geral “adotada pela própria rede social”, que “claramente tem um lado, um viés ideológico”. O conteúdo que for julgado “falso”, inadequado, sofrerá penas que incluem a diminuição do seu alcance e a proibição do recurso da página a anúncios de promoção.

Leia também:  Déficit comercial dos EUA: para os que desconfiam das teorias, falemos de fatos

A ideia é clara: como tais fiscalizadores serão dificilmente fiscalizados na mesma proporção com que fiscalizam, a adoção de critérios vagos de avaliação das publicações faz com que seja fácil entregar às agências checadoras – “Aos Fatos” e “Lupa” – tudo de que precisam para perseguirem quem quiserem e usarem o poder do Facebook, impossível de ser efetivamente confrontado por outra rede social em pouco tempo (ainda mais tão às vésperas das eleições), para limitar a proliferação do conteúdo de direita e favorecer a do conteúdo de esquerda.

Não repisaremos esses argumentos; o resumo do Rodrigo é excelente e recomendamos que todos o vejam. Queremos modestamente contribuir ressaltando um detalhe curioso, que observamos na rede social da Agência Lupa: o atrevimento, tão próprio das esquerdas, de explorar o malfadado recurso da “novilíngua” orwelliana, a adulteração do significado dos termos, de acordo com as conveniências.

Toda vez que um usuário questionava a Agência Lupa em sua publicação sobre a nova política do Facebook, recebia a mesma resposta padrão:

Leia também:  As novas leis do canudinho: muito barulho por nada

“Oi, Fulano. Você teve a oportunidade de ler o conteúdo completo no nosso site? Lá explicamos detalhadamente como irá funcionar. A parceria não levará à censura de conteúdos. Os posts que receberem etiqueta negativa não serão removidos do Facebook. Apenas terão sua distribuição orgânica reduzida de forma significativa. Nos Estados Unidos, onde o produto foi lançado há algum tempo, o mecanismo permitiu diminuir em até 80% o alcance de notícias consideradas falsas por agências de verificação parceiras por lá. Só são removidos do Facebook os conteúdos que violam os Padrões da Comunidade.”

Pergunta sincera: é possível ler uma asneira hedionda como essa e não lançar, no mínimo, a mais veemente suspeição sobre a iniciativa? O que a equipe da Agência Lupa faz aqui é tão-somente pegar a palavra “censura” e brincar com a sua definição.

Que é a censura senão o controle, sustentado em critérios vagos e de conveniência, da circulação de informação ou conteúdo? Que relevância tem se o Facebook irá excluir uma publicação ou massacrar sua circulação, dentro de seu intrincado algoritmo, a ponto de ninguém a ver? Se redigirmos um texto em um papel e ninguém rasgá-lo, mas ao mesmo tempo impedirem de toda forma que seu conteúdo chegue às pessoas, não há censura da mesma forma?

Leia também:  O autoritarismo insidioso de Luiz Fux e uma ameaça chamada STF

Não há outra maneira de entender o posicionamento da Agência que não seja pela chave do mau-caratismo – caso não dos funcionários, porque não se pode desprezar a hipótese de serem analfabetos funcionais, dos responsáveis por conceber essa estratégia discursiva ardilosa.

Se não podemos ficar apenas esperando que milagrosamente advenha algo de bom disso tudo, é importante que estejamos unidos, mais do que nunca, em vigilância às tentações autoritárias de uns e outros e na proteção dos nossos esforços.

Gostou do texto? Ajude o Instituto Liberal e Lucas Berlanza no Patreon!