Onde um liberal pisa gramscismo não consegue brotar

Claudir Franciatto* O título deste artigo é inspirado, mais que obviamente, na frase “grama que a esquerda pisou não cresce nunca mais” da dama de ferro Margareth Thatcher. Ela falava das sucessivas e malogradas experiências socialistas pelo mundo, cujo saldo principal foram mais de 100 milhões de mortos. Já o título deste expressa muito mais […]

Esquerda Brasil

Claudir Franciatto*

O título deste artigo é inspirado, mais que obviamente, na frase “grama que a esquerda pisou não cresce nunca mais” da dama de ferro Margareth Thatcher. Ela falava das sucessivas e malogradas experiências socialistas pelo mundo, cujo saldo principal foram mais de 100 milhões de mortos. Já o título deste expressa muito mais um desejo do que uma constatação. Porque o chamado “gramscismo” prosperou na América Latina talvez mais que qualquer outra estratégia, fosse ela política, religiosa, ideológica, etc. Cabendo aos liberais o desafio monstruoso de desconstruir essa sólida e perniciosa arquitetura. Por vários motivos – dos quais trataremos em outros artigos – o momento é agora.

E aqui vai o depoimento de quem acompanha o sucesso dessa estratégia da esquerda e que sentiu na pele sua ação avassaladora. Pois quando entrei na faculdade de História, na USP, início dos anos 70, não consegui sequer dizer “olá, que bom estar aqui”, e já havia uma quantidade considerável de militantes do movimento estudantil me convencendo de que eu estava ali para ajudar na salvação do país. E alguns professores faziam, sutilmente, coro com o clero salvacionista, como os chama Luiz Felipe Pondé, nos passando tarefas diretamente ligadas a essa estratégia.

A indesejada (para os liberais clássicos) ditadura militar infelizmente punha lenha nessa fogueira gramscista. Por exemplo, o catedrático de História Moderna, Carlos Guilherme Motta, nos fez estudar Gramsci a fundo. Tornei-me um especialista nas teses desse fundador do Partido Comunista Italiano colocadas nos seus “Cadernos do Cárcere” e seguidas à risca pelos “idiotas úteis”, segundo ele mesmo os chamava: como se construiria a hegemonia cultural dos socialistas, substituindo a desesperançada luta armada. Como se formariam os intelectuais orgânicos nas universidades, na imprensa, nos partidos políticos. E logo – como já estava sendo edificado há uma década então – mesmo gente que jamais estudou nada de sociologia, política, história, nada de nada, estaria defendo as posições da esquerda.

Hoje, vivemos num país socialista. Não só por causa do intervencionismo estatal desmesurado, da cultura que herdamos inexoravelmente do período colonial e se agravou com a experiência bolivariana do lulopetismo. Mas também por causa do êxito completo do ”gramscismo”.

É preciso então, uma revolução cultural no Brasil. Muito mais profunda e fecunda que a empreendida por Margareth Thatcher na Inglaterra – façanha constantemente ressaltada  pelo sempre genial e  injustiçado economista Roberto Campos. Pois nossa classe política e os intelectuais impregnados da lavagem cerebral “gramscista” nada mais fazem do que sanar os vícios da esquerda com mais e mais socialismo. Dessa forma, só podemos fechar lembrando outra das frases da dama de ferro, após o sucesso de sua política liberal: “Tentar curar a doença britânica com socialismo era como tentar curar leucemia com sanguessugas.”

Sobre o autor: Claudir Franciatto é jornalista e escritor. Autor e organizador do livro A FAÇANHA DA LIBERDADE, obra editada pelo jornal O Estado de S. Paulo, com participação de liberais brasileiros e mais Mário Vargas Llosa, Octavio Paz, Carlos Rangel, entre outros.

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