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Um domingo de esperança

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Ontem foi um dos raros dias em que a esperança de viver num país melhor nos preencheu. A caminho das manifestações de ontem, encontrei as primeiras pessoas já no ônibus de Santos para São Paulo. Todas vestidas com as cores da bandeira do Brasil. No Terminal Jabaquara havia muitas outras. De estação em estação, os vagões do metrô recebiam mais e mais brasileiros vestidos de verde e amarelo como eu nunca havia visto antes. Ao chegarmos à Estação Trianon-Masp, já éramos milhares abarrotando os vagões, depois as escadas… Até nos vermos entre dezenas de milhares, que logo se transformaram em centenas de milhares, talvez mais de um milhão de pessoas. Entre cidadãos solitários e casais, havia famílias inteiras gritando contra um conjunto de absurdos representados pela presidente Dilma “Youssef”. De tempo em tempo, o hino nacional era cantado em coro. Não havia nenhuma bandeira vermelha. Nenhuma bandeira comunista. Nenhuma bandeira de Cuba. Por toda a avenida, não se viu uma única referência a partidos políticos. Nos carros de som, nenhum líder sindical. Todos os presentes foram por conta própria, pagando com dinheiro do próprio bolso a passagem de ônibus, do ticket do metrô ou da corrida de taxi. As blusas verdes e amarelas eram dos guarda-roupas das próprias pessoas que as vestiam. O vendedor ambulante pintou de amarelo e por conta própria sua caixa de isopor, onde estava escrito um enorme FORA DILMA, em azul.

O único desgosto foi ver um pequeno grupo pedindo intervenção militar, mas destoavam tanto que me fez suspeitar serem apenas militantes do PT disfarçados para tentar manchar o movimento. Um grupo de menos de 50 pessoas com um caminhão-palanque, exibindo cartazes e banners impressos em gráfica? No mínimo, muito estranho.

O fato é que as manifestações organizadas pelo Movimento Brasil Livre superaram todas as expectativas nas dezenas de cidades onde ocorreram e, como poucas vezes na história desse país, o recado foi dado: A sociedade está no limite de sua passividade diante dos absurdos impostos pelo PT.

Algumas reflexões:

1° – Assim como Neymar teve sorte ao se machucar antes do vergonhoso esculacho que o Brasil levou da Alemanha, na Copa, que o livrou do risco de ser visto como um dos culpados, Aécio Neves teve sorte ao não ser eleito. Se tivesse ganho as eleições, ele teria tomado as mesmas medidas que Dilma vem tomando para tentar salvar a economia, porém, dando o argumento perfeito para os periquitos vermelhos gritarem… “Estão vendo? Nós falamos! Aécio mal entrou e já está destruindo o Brasil! O povo tem que ir às ruas impedir isso! FORA AÉCIO!”. Por isso, não podemos nos deixar preencher com pudores de qualquer espécie. Temos que pressionar, protestar, xingar, gritar FORA DILMA um milhão de vezes por dia porque isso é o mínimo que eles fariam contra qualquer outro que tivesse substituído o PT no poder.

2° – Como sempre, a mesma imprensa que ignora sistematicamente os gritos, as bandeiras e os cartazes pró-comunismo nas manifestações organizadas por movimentos sociais e sindicatos, também foi a que ontem e hoje fizeram questão de mostrar os poucos que pediam intervenção militar no Brasil. “Algumas pessoas pediam o impeachment de Dilma”, ouvi na Globo News. “Algumas”… Uns gatos pingado que não somavam mais de um milhão de pessoas, numa única avenida.

A verdade de sempre: A grande maioria dos jornalistas sempre foi e é socialista; uns menos, outros mais… mas o que não muda é o cuidado extremo em reportar os absurdos da esquerda e a completa falta de responsabilidade na divulgação dos eventos não alinhados ao socialismo.

3° – A cautela dos partidos de oposição em manifestar opinião sobre os protestos deixou claro o objetivo de se aproveitarem do movimento sem vincular-se a ele. Minha aposta é que o PSDB se manterá quieto por todo o tempo, deixando que o “golpe” seja dado pelo PMDB, que certamente está de olho na presidência.

4° – A sociedade foi às ruas gritar FORA DILMA, mas quem foi à televisão dar satisfações foi um de seus ministros. A verdade é que Dilma detesta o cargo que ocupa. Está lá apenas como um duro sacrifício em nome do projeto ideológico que sustenta sua vida. Por isso, sempre prefere mandar alguém falar por si, o que, no caso de ontem à noite, foi mais uma manifestação de arrogância, mesmo numa ocasião em que o governo deveria demonstrar humildade. O Ministro da Justiça José Eduardo Cardozo até tentou manter certa “diplomacia” no começo da entrevista que concedeu, mas à medida que as perguntas eram feitas, ele, como típico socialista, expôs sua interpretação dos protestos: apenas um bando de burguesinhos golpistas.

Em tempo: Todas as “revoluções” foram, direta ou indiretamente, promovidas pela burguesia; e o socialismo não passa de um mero fetiche ideológico de uma parte dessa mesma burguesia, que se sente iluminada apenas por se dizerem socialistas. Seus faniquitos diante das manifestações de ontem apenas demonstram o quanto se incomodam quando a liberdade é exercida pelos OUTROS.

5° – O panorama político brasileiro é tão desolador que precisamos nos preocupar, até hoje, com Lula. Qual a razão de seu silêncio? Malandro, Lula fará de tudo para se descolar da bancarrota de Dilma. Lula está se deliciando com o que vem ocorrendo. Se Dilma sobreviver a este movimento − que tende a engrossar −, Lula continuará sendo blindado pela máquina estatal. Se Dilma cair, ele até corre o risco de ser enquadrado em algum processo criminal, mas nesse meio tempo ele se levantará como o salvador tanto do partido quanto do país e se candidatará a presidência, com grandes chances de vencer. Sua retórica será preenchida também por sua própria versão dos fatos: Dilma, por ser mulher e por liderar um projeto de governo em favor dos pobres, foi perseguida, massacrada e expulsa violentamente do cargo para o qual foi eleita democraticamente.

6 – José Eduardo Cardozo avisou que nos próximos dias Dilma anunciará um pacote de medidas “anticorrupção” – o que ela prometeu logo após as manifestações de 2013 –, como se não existisse um código penal que prevê cadeia para corruptos. O que ela tentará forçar, mais uma vez, é uma reforma política desenhada pelo PT para o benefício do próprio PT. Dilma apresentará uma proposta de minimização da máquina pública começando pela privatização da Petrobrás, da Caixa Econômica, do Bando do Brasil e dos Correios? Apresentará uma proposta de corte de todas as regalias e benefícios de políticos? Apresentará uma proposta na qual o financiamento de campanha deva ser feito apenas por pessoas físicas? Apresentará uma proposta prevendo o fim de repasses a movimentos sociais e sindicatos? Não! Sendo assim, que venha a próxima manifestação, já marcada para daqui um mês. Ela poderia, pelo menos, apresentar uma carta de renúncia! Até o Lula ficaria feliz.

7° – Diante do engrossamento do movimento, há o risco do PT perder o restinho de pudor que tem e impor uma série de intervenções não apenas na economia, mas principalmente na justiça, na imprensa e na liberdade das pessoas, fazendo aqui o que Maduro está fazendo na Venezuela para se manter no poder. As ameaças que Lula fez, de convocar o “exército do MST”, pode se concretizar junto com a convocação de seu exército particular lotado em cada universidade, em cada movimento social e em cada sindicato, contanto com o apoio dos intelectuais e artistas chapa-branca. E assim, para nossa desgraça, tal caos dará o argumento para os militares intervirem, jogando o Brasil no passado e alimentando mais 50 anos de marxismo no país.

O que molda minhas esperanças, hoje, é que a situação chegue a um nível em que Dilma renuncie, e que isso gere uma verdadeira caça as bruxas da corrupção, levando a sociedade a enxergar que a origem de todos os problemas está no próprio Estado, em sua essência e existência, e que se lhe é impossível rejeitá-lo totalmente, que, pelo menos, o minimize.

João Cesar de Melo

João Cesar de Melo

É militante liberal/conservador com consciência libertária.

2 comentários em “Um domingo de esperança

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    17/03/2015 em 4:45 pm
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    Só discordo de você em uma coisa, uma discordância saudável.
    Não acredito que se os militares intervirem irá acontecer o mesmo que aconteceu no passado. A situação é diferente e ao mesmo tempo tudo que está acontecendo hoje mostra um pouco do desespero que deve ter havido no passado. Não estamos lidando com políticos corruptos somente. A corrupção é apenas um meio. Eu acho que nem mesmo quadrilha eles são. Terroristas é um termo mais apropriado.
    Também acho que os militares nunca quiseram nem querem agora o poder. Mas como você mesmo disse, a atuação deles acabará sendo o único meio de restaurar um pouco da ordem. E acho que se o impeachment acontecer mesmo, aí sim teremos guerra. Porque eles (sim eles) não vão desistir tão facilmente. Duvido que saiam. Mas alguém vai ter que tirá-los de lá.

    Quanto à sua questão, lhe garanto que é verdadeira (“O único desgosto foi ver um pequeno grupo pedindo intervenção militar, mas destoavam tanto que me fez suspeitar serem apenas militantes do PT disfarçados para tentar manchar o movimento”). Eu mesma vi em perfis do Facebook militantes petistas convocando outros a fazerem cartazes de intervenção militar para “sujar” o manifesto.
    Mas apesar de tudo fiquei surpresa com a tranquilidade das passeatas. Achei que os militantes doentes fossem tentar atrapalhar mais. Só que o movimento estava tão grande, tão bonito, que eles desistiram de tentar.

    Vamos fazer do dia 12 de abril ainda mais inesquecível!

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    17/03/2015 em 3:11 pm
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    Parei no “democrarticamente eleita”. Ora, vocês SABEM, vocês SABEM que essas eleições foram FRAUDE! por que o MEDO de escrever isso?? custa?

    Paz.

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