Napoleão I – Imperador dos franceses
Em 2 de Dezembro de 1804 o general Bonaparte, que exercia as funções de Primeiro Cônsul Vitalício da República Francesa, colocou sobre a sua cabeça a coroa de Imperador dos Franceses, tendo dado início ao regime absolutista que, ao longo dos dez anos seguintes, mudaria a feição da França republicana emergida das sombras da Revolução e alteraria substancialmente a configuração geopolítica da Europa, ao instaurar uma monarquia sobranceira às demais, numa espécie de Bloco Continental, como o próprio Napoleão gostava de definir o novo sistema por ele implantado. Não poderíamos deixar passar em brancas nuvens tão importante acontecimento que, diga-se de passagem, reforçou na cultura luso-brasileira a velha herança pombalina do despotismo ilustrado. Porque se bem é certo que Pombal antecedeu com a sua aritmética política ao sistema napoleônico de poder unipessoal alicerçado na ciência, o Imperador dos Franceses consolidou o modelo de ditadura regeneradora que seria adotado como ideal político por Henri-Claude de Saint-Simon e pelo seu discípulo Augusto Comte, os quais, pela sua vez, deram início ao arquétipo de ditadura científica que polarizou o debate antimonarquista no Brasil do século XIX, tendo passado a inspirar diretamente as nossas Instituições Republicanas.
Victor Hugo, em discurso pronunciado na Academia Francesa em 3 de junho de 1841, caracterizou da seguinte forma a grandeza e a força de Napoleão 1o: “No início deste século, a França constituía para as nações um magnífico espetáculo. Um homem a enchia então e a tornava tão grande que chegava a ocupar a Europa. Esse homem, saído das sombras, tinha atingido, em poucos anos, a mais alta realeza que talvez jamais tenha assombrado a história. Uma revolução tinha-o gerado, um povo tinha-o escolhido, um Papa tinha-o coroado. A cada ano, ele alongava as fronteiras do seu Império… Tinha apagado os Alpes como Carlos Magno e os Pirineus como Luís XIV; tinha construído o seu Estado no centro da Europa como uma cidadela fortificada, dando-lhe como bastiões e fortificações avançadas dez monarquias que ele tinha feito entrar ao mesmo tempo dentro do seu Império e dentro da sua família. Tudo nesse homem era sem medida e esplêndido. Ele pairava por cima da Europa como uma visão extraordinária”.
Napoleão repete, na sua gesta, o caráter superlativo das realidades e das idéias políticas na Europa continental, fato que levou a que a sua influência fosse mais decisiva sobre as nações latino-americanas do que a temperada experiência inglesa de monarquia constitucional. A propósito dessa força das novidades históricas no mundo germano-românico, escreveu Guizot: “Nos Estados do Continente, cada sistema, cada princípio, tendo desfrutado do seu momento e dominado da maneira mais completa, mais exclusiva, o seu desenvolvimento produziu-se em muita maior escala, com mais grandeza e brilho. A realeza e a aristocracia feudal, por exemplo, comportaram-se na cena continental com mais audácia, amplitude e liberdade. Todos os experimentos políticos, chamemo-los assim, foram mais exteriores e mais acabados. Daí resultou que as idéias políticas – falo das idéias gerais e não do bom senso aplicado à direção dos negócios – elevaram-se a maior altura e desenvolveram-se com maior vigor racional. Cada sistema, pelo fato de ter-se apresentado, de certa forma, sozinho e de ter permanecido durante muito tempo em cena, pôde ser considerado no seu conjunto, pôde-se remontar aos princípios, descer até as últimas conseqüências e estabelecer plenamente a sua teoria” [Guizot, 1864: 383-384].
A gesta napoleônica foi superlativa, como foram superlativos também a Revolução de 1789 e o Terror que a seguiu. Talvez esse caráter extraordinário, presente na história da França e no seu primeiro Imperador é o fator que mais chamou a atenção de um pensador como Nietzsche, que escrevendo no final do século XIX, frisava: “O século que está para chegar seguirá as pegadas de Napoleão, o maior homem e o mais destacado empreendedor dos tempos modernos. Para os problemas do próximo século, a publicidade e o parlamentarismo não são as instituições mais apropriadas. As condições da Europa no próximo século favorecerão as virtudes varonis, porque viver-se-á em constante perigo (…). Há boas perspectivas: preparam-se grandes emoções. Coloco na balança o que produziu a Revolução francesa; sem ela não conceberíamos nem Beethoven nem Napoleão” [Nietzsche, 1967: 571-573].
Duas guerras mundiais e a formação, no final do século XX, dos grandes Blocos econômicos e estratégicos, certamente fazem-nos pensar na atualidade de um estadista que imaginou a política como alargamento revolucionário de fronteiras e que entendia o seu Império como uma única realidade na Europa por ele unificada. Não é por acaso que a bibliografia hoje existente sobre Napoleão ultrapasse de cem mil o número de livros e ensaios escritos ao seu respeito, tornando praticamente impossível compulsar sequer uma mínima parte do que se escreveu.
É meu propósito, neste artigo, apresentar a vida e a obra do primeiro Imperador dos Franceses sob três ângulos, sem a menor pretensão de abarcar de forma exaustiva o que se poderia estudar sobre ele. Os três aspectos propostos são os seguintes: o Homem, o General e o Imperador. Destacarei, a seguir, três abordagens críticas do pensamento político de Napoleão, as ensejadas, nas primeiras décadas do século XIX, pela obra de Jacques Necker, da sua filha Madame de Staël e de Benjamin Constant, que constituem, hoje, junto com os escritos de Guizot, “o mais valioso que houve na política do Continente” nesse século, nas palavras de Ortega y Gasset [apud Díez, 1984: 19].
I – O HOMEM
Destacarei, de entrada, quatro itens que me parecem fundamentais para ilustrar a personalidade de Napoleão: as suas relações familiares, a sua posição em face da religião, a sua atitude crítica em relação à society parisiense e o seu sentido da honra. Tratarei em quinto lugar, de forma muito resumida, acerca das etapas da sua formação intelectual.
1) Relações familiares
Napoleão devotava grande dedicação à vida familiar. Nela sobressai, antes de tudo, a paixão por uma viúva fidalga, Josefina viscondessa de Beauharnais, o seu grande amor, de quem faria a primeira Imperatriz da França e de quem, por razões de Estado (não teve filhos com ela), divorciou-se em 1810 para casar com a arquiduquesa Maria Luísa da Áustria, que seria mãe do filho de Imperador, o chamado Rei de Roma. Eis o trecho de uma carta endereçada pelo futuro Imperador à sua namorada, quando ele ainda era um jovem general comandante das forças do Diretório em Paris: “Acordo-me inundado de ti. Teu retrato e a embriagadora noite de ontem não deram descanso aos meus sentidos: doce e incomparável Josefina, que influência estranha exerces sobre meu coração! Se te aborreces, se te vejo triste e inquieta, minha alma parte-se de dor, e não há sossego para o teu amigo; e eu, por acaso, poderia tê-lo quando, entregando-me ao sentimento profundo que me domina, sorvo de teus lábios, de teu coração a chama que me queima? Ah, foi nesta noite que notei que o teu retrato não é tu mesma. Partes ao meio-dia, ver-te-ei dentro de três horas. Esperando-te, mio dolce amor, um milhão de beijos, mas não m’os dês, pois eles queimam meu sangue” [Lévy, 1943: 55].
A sedutora Josefina, quatro anos mais velha que Bonaparte, com aquele seu preguiçoso e insinuante sotaque antilhano, tinha-se aproximado dele quando a estrela do jovem oficial começou a brilhar. O general corso não era, certamente, o tipo de latin lover que seduziria as damas nos elegantes salões parisienses. Retraído, magricelo, era chamado de “gato com botas” pelas meninas vizinhas da guarnição de la Fère (onde iniciou os seus trabalhos como segundo-tenente de artilharia). O jovem Bonaparte, em contrapartida, não tinha grandes projetos românticos, a julgar por estas palavras escritas no seu Diálogo sobre o amor: “Acho o amor nocivo à sociedade, à felicidade individual dos homens. Enfim, creio que o amor faz mais mal do que bem” [apud Lévy, 1943: 18]. Palavras proféticas que irão marcar a triste senda de amores conjugais não correspondidos do futuro Imperador.
Josefina, nascida na Ilha Martinica, lia as cartas e era, no dizer de um dos seus biógrafos, “apaixonada devota do sortilégio” [Belloc, 1958: 97-98]. A sedutora morena previu o sucesso do desajeitado oficial, mas queria dele não propriamente a exclusividade da paixão, mas um lugar seguro na instável sociedade da época, a fim de poder continuar a desfrutar o luxo dos salões parisienses. O general Bonaparte, ao contrário, invejava, já a esta altura da sua vida, a sorte de quem achava a meia-laranja para formar uma família e caiu perdido de amores por Josefina, com quem casou em março de 1796. Essa discrepância de expectativas trouxe-lhe muitos aborrecimentos, na medida em que, comandante dos exércitos republicanos na Itália, e posteriormente Imperador à testa da Grande Armée na Europa Central, teve de se ausentar por longo tempo e começou a perceber primeiro a falta de dedicação da sua esposa e depois as suas infidelidades.
Eis as invectivas de amante não correspondido que o general, vítima de naturais ciúmes, dirige à sua amada desde o front italiano: “Eu desejaria que você me desse permissão completa de ler suas cartas: assim eu não teria mais remorsos, nem receio… Mandei chamar o mensageiro; declarou-me que passou pela sua casa, e que você lhe disse nada ter para mandar. Oh, má, ruim, cruel, tirana, bela ferazinha! Você se ri das minhas ameaças e das minhas tolices! Ah! Se eu pudesse, você bem o sabe, fechá-la-ia em meu coração e a prenderia dentro dele”. Alguns dias depois, o desiludido Ulisses corso dá rápida notícia das suas heróicas ações à amada infiel, para se deter nas queixas doloridas do seu coração ciumento: “Escrevo-lhe, minha boa amiga, muitas vezes, e você poucas. Você é má e feia, muito feia, tanto quanto é leviana. É pérfido enganar um pobre marido, um terno amante. Ele deve perder os seus direitos só porque está longe, sobrecarregado de trabalhos, de fadigas e de sofrimento? Sem a sua Josefina, sem a certeza do seu amor, que lhe resta na terra? Que fará ele ainda na terra? Tivemos ontem uma batalha muito sangrenta, o inimigo perdeu muita gente e foi completamente derrotado. Conquistamos os subúrbios de Mântua. Adeus adorável Josefina; numa dessas noites, as portas de seu quarto abrir-se-ão, fragorosamente, e como um ciumento, atirar-me-ei nos seus braços”. Em 1809, do front alemão, o General-Imperador escrevia assim, ameaçador, à sua infiel amada: “Irei a Paris assim que o julgar conveniente. Aconselho-a a precaver-se contra os fantasmas: um belo dia, às duas da madrugada…” [apud Lévy, 1943: 73; 93].
Durante a campanha da Áustria, que terminaria com a grande vitória de Wagram, o Imperador escrevia assim à Imperatriz Josefina (nos anos de 1807 e 1808), misturando notícias de Estado com estados de espírito, numa espécie de conversa familiar em que o ciúme e uma ponta de humor estão presentes: “Minha amiga: acabo de conversar com o imperador Alexandre, e estou satisfeito com ele: é bonitão, bom e jovem, é um espírito muito acima do vulgar (…). Tudo vai muito bem. (…) O imperador da Rússia se interessa com grande amabilidade pela saúde da minha imperatriz. Todos os dias, ele e o rei da Prússia jantam comigo (…). A rainha da Prússia jantou ontem comigo. Tive que lutar bravamente, pois ela queria obrigar-me a fazer novas concessões ao marido; portei-me com grande elegância, mas defendi minha política. Ela é muito amável. Quando você ler esta carta, já estará assinada a paz com a Prússia e a Rússia”. Em outra missiva do mesmo período, Napoleão escreve: “Minha amiga, cheguei ontem às cinco horas da tarde em Dresde, sentindo-me muito bem, embora tivesse viajado cem horas sem sair da carruagem. Estou aqui, hospedado pelo rei de Saxe, com quem me sinto imensamente contente. Assim sendo, acho-me metade do caminho mais próximo de você. Talvez aconteça que numa destas belas noites eu irrompa aí em Saint-Cloud, como um ciumento; estou prevenindo-a…”. Algum tempo depois, em outubro de 1808, o Imperador escrevia: “Minha amiga, escrevo-lhe pouco porque estou muito ocupado. Tenho conferências durante todo o dia, não consigo melhorar-me do defluxo. Entretanto, tudo vai bem. Estou satisfeito com Alexandre, e ele o deve estar comigo: se ele fosse mulher creio que o tornaria meu amante… Dentro em pouco, achar-me-ei aí em sua casa. Continue cuidando da saúde, de modo que eu a encontre forte e jovem [apud Lévy, 1943: 92-93].
O perfil da vida familiar de Napoleão, após o tumultuoso começo do seu casamento com Josefina, entrou, nos últimos anos de sua relação com ela, numa espécie de tranqüilo lago em que se destacava a dedicação do marido e o carinho para com os enteados Eugênio e Hortênsia. Contribuiu muito para isto o fato de a Imperatriz perceber que decaía o seu poder sobre o marido, notadamente após o tórrido affaire dele com a princesa polonesa Maria Walewska. Ouçamos o testemunho de um dos biógrafos do Imperador, Artur Lévy: “Napoleão foi um marido cordato, que buscava antes de mais nada a tranqüilidade na sua vida íntima. Ele próprio o disse a Roederer: Se eu não tivesse um pouco de alegrias na minha vida doméstica, seria então muito infeliz!. – Uma vez extintas as brigas dos primeiros anos, era em tudo, diz-nos Thibaudeau, um lar muito bom. – O imperador, escreve a senhorita Avrillon, era com efeito um dos melhores maridos que jamais conheci; quando a imperatriz se achava adoentada, Bonaparte passava junto a ela o tempo que lhe era possível furtar às suas obrigações. – Cheio de atenções, diz (o criado imperial) Constant, de cuidados e de abnegação para com Josefina, o imperador divertia-se em abraçá-la pelo pescoço, segurar-lhe o rosto e lhe dar leves palmadas, chamando-a de ´minha fera terrível´ ” [Lévy, 1943: 96-97]. “Fera terrível” de Napoleão foi, aliás, também o cãozinho de Josefina, Fortune, que teve a audácia de morder ao apaixonado general na noite de núpcias. Essa dedicação à família, Napoleão teve também para com a sua segunda mulher, a imperatriz Maria Luísa, e para com o seu filho, o Rei de Roma. Maria Luísa, aliás, não teve para com o Imperador a mesma dedicação. Caído em desgraça, após a abdicação de Fontainebleau, foi abandonado por ela e não teve mais contato com o filho. A respeito desse aspecto, frisa o biógrafo Artur Lévy: “Ele teve duas esposas, e a ambas cumulou de uma igual afeição. Napoleão procurava, por meio de cuidados amáveis, nas mínimas coisas, torna-las felizes, e, entretanto ambas lhe foram infiéis, com a diferença que Josefina não demorou muito a traí-lo, enquanto Maria Luísa só o traiu anos depois do casamento. Nesses dois infortúnios conjugais, seguindo a regra comum, um espesso velo cobria os seus olhos. (…) Em resumo, nem os esplendores de uma carreira prodigiosa, nem o orgulho supremo de ser majestade imperial, influíram no seu caráter de esposo e de pai. Napoleão nunca desprezou os princípios comuns que lhe tinham sido inculcados na sua primeira educação” [Lévy, 1943: 138].
A dedicação à família manifestou-se, também, na preocupação constante de Napoleão para com a sua mãe, Letícia (regiamente instalada em Paris, nas proximidades da Corte Imperial) e para com os seus numerosos irmãos: José, Luciano, Carolina, Paulina, Elisa, Luís e Jerônimo. Nenhum deles foi esquecido pelo todo-poderoso Imperador, que cuidou de lhes garantir o futuro mediante a concessão de honrarias, na nova nobreza que instaurou, cuidadosamente entrelaçada com representantes do Ancien Regime europeu. Assim, José recebeu, sucessivamente, os títulos de Rei de Nápoles e de Rei da Espanha; Luciano foi nomeado príncipe imperial e membro da Câmara dos Pares; Carolina foi coroada como Rainha de Nápoles, tendo sido o seu marido, o traidor Murat, guindado também à dignidade real; Paulina, “a bela Paulete” (no dizer de Cânova) recebeu o título de princesa de Guastalla e casou com o príncipe romano Camilo Borghese; Elisa, casada com o fidalgo corso Felix Bacciochi, recebeu os títulos de princesa de Piombino e de Luca e de duquesa da Toscana; Luís foi coroado rei da Holanda e Jerônimo, por sua vez, foi coroado como rei da Westfalia, tendo casado com a princesa Catarina de Wurtemburgo. É evidente que todos esses casamentos e honrarias inseriam-se na política napoleônica de construir um sistema unitário de poder monárquico continental. Mas, por cima das preocupações políticas e estratégicas, havia no Imperador uma grande preocupação com o bem-estar dos seus.
A retribuição que recebeu deles foi, no entanto, problemática. Com exceção da mãe (que conservou os seus costumes ancestrais de uma vida austera e que nunca chegou a falar corretamente o francês, para desespero da Corte Imperial), os irmãos de Napoleão constituíram o que chamaríamos literalmente hoje de uma família do barulho. Orçamentívoros, irresponsáveis, indolentes, ingratos. Nenhum deles esteve à altura das responsabilidades que o Imperador lhes confiara e no final, quando foi banido do poder e ficou preso na Ilha de Elba e depois deportado em Santa Helena após as jornadas dos Cem Dias e de Waterloo, todos o abandonaram. A única exceção dessa fraternal traição foi Paulina, que o visitou, junto com a mãe, na Ilha de Elba. A respeito, escreve Artur Lévy: “A infelicidade dos irmãos e irmãs de Napoleão vem de uma fonte que lhes era comum: todos eles se acreditavam reis por direito divino, e todas elas se julgavam rainhas de sangue azul. O estado de espírito de todos é bem sintetizado numa frase do próprio Napoleão, dita a Burrienne, quando o imperador se queixava das recriminações dos seus: Quem der ouvidos a eles, acreditará que abocanhei a herança deixada por nosso pai. E essas recriminações não eram passageiras. Eram constantes, intoleravelmente persistentes, submetendo assim à prova mais irritante uma generosidade fraternal que levara um contemporâneo a dizer: Napoleão tinha mais dificuldade em governar sua família do que o império. Na verdade, era-lhe extremamente difícil contentar todo mundo: Luciano reclamava do exílio que nada podia ser; José queixava-se de ser seu rei; Luís fazia-se de rei-mártir, destronado de direitos dos quais voluntariamente abdicara, e Jerônimo declarava-se infeliz por dispor de um orçamento muito limitado para seus gastos alucinados. Se Elisa considerava seu ducado bem mesquinho para sua natureza orgulhosa, Carolina aspirava a coisa mais alta que seu reino de Nápoles, e enfim Paulina sofria por não poder dar vazão aos seus caprichos de toda espécie, enquanto a própria mãe do imperador se lamentava de não poder fazer tanta economia quanto desejava” [Lévy, 1943:141].
*Artigo publicado originalmente no site do autor.



