A pluralidade do Instituto Liberal e sua linha editorial

O Instituto Liberal tem em sua linha editorial, com definição clara, abertura para diferentes tendências dentro do espectro de valores que preconiza. Isso não é uma invenção da atual gestão ou das mais recentes, no ciclo de atividade virtual que se iniciou em 2013; acontece desde sua fundação e o período clássico da gestão de Donald Stewart Jr., quando pensadores parecidos, mas diferentes, como Roberto Campos, Meira Penna e Merquior, figuravam em seus círculos.

Para Merquior, o Hayek que Roberto Campos tanto admirava seria um “liberista”, excessivamente preocupado com o liberalismo econômico. O “liberal-conservadorismo” ou “liberalismo conservador” de Penna, bebendo de Edmund Burke ou Margaret Thatcher, um casamento que “desvitalizaria” o liberalismo. Não obstante, todos se podiam abrigar sob sua cepa, porque nenhum deles afrontaria fundamentalmente os princípios estatutários do instituto.

Tais princípios seguem sendo a admissão do sistema representativo, dos limites do Direito e da constitucionalidade, da economia de mercado, da descentralização do poder, da livre iniciativa, da propriedade privada, do lucro, da responsabilidade individual e da igualdade de todos perante as leis. Em seu blog, o IL se investe da missão, nem sempre bem compreendida, de abrir espaço ao debate entre pensadores e ativistas que sustentem essas ideias, mesmo que aderindo a diferentes tendências internas ao seu campo e dissentindo em questões específicas e pontuais.

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O IL não tem compromisso com nada além da difusão desses valores, suscitando reflexões e troca de ideias dentro dos núcleos sociais que os admitem e se dispõem a militar e empregar as palavras e os esforços em seu favor. A instituição não está subordinada a nenhum partido político ou a nenhum governo, como, aliás, seu estatuto imperativamente determina desde 1983. Não está fechada a um único horizonte ou uma única dessas tendências – e por vezes, sem perceber essa realidade, confusões se criam e ataques são desferidos.

Há uma riqueza notável, que vem sendo provada ao longo dos anos, em permitir esse debate livre, sempre dentro das regras que nos norteiam desde que Stewart Jr. deu o impulso inicial à nossa trajetória pioneira. Interessantes “polêmicas diretas” entre nossos colunistas e até articulistas ocasionais têm sido aberta e propositadamente divulgadas no espaço de nosso site, na tentativa de estimular o leitor a pensar sobre diferentes argumentos e assumir sua própria posição.

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O IL já exibiu, por exemplo, ainda em 2014, uma discussão a respeito do “fusionismo”, que seria uma aliança, nos Estados Unidos, entre perspectivas liberais e conservadoras. Tivemos artigos publicados defendendo o fusionismo, outros a atacá-lo. Também a expressão “liberal conservador”, mais uma vez, foi tema de controvérsia, com artigos a favor e contra o seu uso e viabilidade.

Da mesma forma, durante o intenso período eleitoral de 2018, o IL divulgou o ponto de vista dos articulistas e colunistas que entenderam que a candidatura de João Amoêdo, do Partido Novo, exibia os melhores elementos para levar nossos ideais adiante, como também daqueles que acreditaram que o melhor caminho, já em primeiro turno, seria Jair Bolsonaro, do Partido Social Liberal. Igualmente publicou textos pró e contra o projeto Escola Sem Partido, do advogado Miguel Nagib.

A recentíssima questão das atitudes de Bolsonaro e Cuba diante da saída da ilha caribenha do programa “Mais Médicos”, em que tivemos um artigo crítico ao presidente eleito na condução dos fatos e também material a favor dele, foi apenas o último exemplo de uma série, como se vê, em que essa diversidade tem sido nossa linha de conduta.

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O leitor, diante disso, deve saber que nunca lerá no IL um texto que defenda a implantação da ditadura, o totalitarismo, a planificação central da economia, o socialismo e a supressão da propriedade privada, a condenação do lucro e a defesa de privilégios. Fora isso, nossa linha editorial publicará, como sempre publicou, as reflexões de adeptos da Escola Austríaca e da Escola de Chicago, ordoliberais, sociais liberais, liberais conservadores e liberais clássicos, objetivistas, hayekianos e misesianos. O instituto não visa a privilegiar uma só dessas correntes.

Reiteramos nosso convite para que nosso leitor tenha essa diretriz em mente e caminhe conosco, no interesse de, todos juntos, crescermos, na concordância e na divergência – porque, para nós, você é a parte mais importante da sociedade.

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