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Liberais de todo o Brasil: uni-vos

É difícil entender como alguns liberais ou supostos liberais puderam condescender com a tirania que, ainda hoje, assombra-nos. Liberais sempre foram céticos em relação ao sucesso que o poder estatal poderia obter ao ser aplicado na resolução de problemas. Magicamente, no entanto, a partir de meados de 2020, alguns defensores do movimento liberal (e até libertários, o que é uma contradição lógica) fizeram coro com os estatistas e adeptos do movimento intervencionista na busca por uma resposta central para os problemas decorrentes da pandemia do coronavírus.

Este foi o pensamento que me sobreveio na tarde de hoje enquanto lia as sempre sensatas considerações do autor de Democracia: o deus que falhou, Hans-Hermann Hoppe. Para o autor, nada justifica que haja esperança nas arbitrariedades de alguns poucos homens a quem foi dado o poder de tomar decisões cujas consequências dificilmente recairão sobre eles mesmos. Como nos alerta a expressão “Arrogância Fatal”, cunhada por Friedrich Hayek, não raro os homens que ocupam nossas casas legislativas não possuem o conhecimento necessário para agir com a prudência que o momento exige.

Não quero cansar o leitor. Quem me acompanha sabe quão insistente sou ao tratar da tirania que ganhou contornos assustadores nos últimos meses. Acredito, no entanto, mesmo sob risco de ser prolixo, que seja meu dever cívico chamar a atenção para o fato de que, não fossem os políticos e suas decisões apressadas e centralizadoras, teríamos enfrentado essa doença com mais serenidade e, por que não dizer, sucesso. Não nos esqueçamos, afinal, de que todas as amenidades da vida foram proporcionadas (assim como todo o fardo da nossa frágil existência foi superado) pela integração coordenada de forma anárquica pelo fenômeno da espontaneidade dos indivíduos em busca da satisfação pessoal.

O corolário inescapável de um anarquismo social em que cada um, na busca pela satisfação pessoal de seus próprios desejos, é forçado a satisfazer, antes, os desejos de seus concidadãos, é o aumento do padrão de vida da sociedade. Apenas decisões descentralizadas são capazes de prover soluções para os mais complexos problemas da efêmera existência humana. Daí que, como destaca Hoppe, apenas instituições ou associações privadas, apenas indivíduos responsáveis por propriedades privadas, são capazes de tomar as melhores decisões em cenários como o atual. Clientes e anfitriões, não fossem as imposições sob ameaça de uso de força policial, tomariam todas as medidas de precaução necessárias para que a disseminação do vírus não ocorresse em sua propriedade particular. Caso não fossem bem-sucedidos nesta tarefa, facilmente veriam seus lucros minguarem e suas propriedades serem vertiginosamente desvalorizadas pelo plebiscito do mercado. Os clientes e anfitriões (e apenas eles) seriam os responsáveis pelos ônus e bônus de suas decisões. Aqueles que fossem malsucedidos na adoção de precauções e na proteção de seus clientes/anfitriões seriam forçados a rever rapidamente suas estratégias e a adotar melhores práticas.

O que se vê no Brasil e no mundo de hoje, para nossa mais completa lamentação, é que políticos estão usando em favor de seus próprios interesses uma doença (segundo Hoppe, longe de ser uma pandemia de proporções apocalípticas como anuncia a grande mídia) que seria facilmente contornada numa sociedade livre. Com esse intento, números absolutos são divulgados, martelados em nossas mentes, nunca os números relativos. Não se pode permitir que a sociedade coloque os números das mortes causadas pelo vírus em perspectiva e perceba que a coisa não é tão temível quanto se alardeia.

É urgente que os liberais apontem os crimes que estão sendo perpetrados contra a humanidade. As estatísticas divulgadas a todo momento pelos governadores e prefeitos, os tiranos locais, parecem gerar neles uma sensação quase indescritível de prazer quando, amparados por esses números, avançam com o seu despotismo ordenando o fechamento de escolas (com danos incalculáveis para as crianças), a prisão domiciliar em larga escala e, entre outras mil inciativas tirânicas, a invasão de propriedades privadas. É hora de os liberais se unirem nesta luta por meio de suas ideias. Afinal, “ideias e somente ideias podem iluminar a escuridão” (Ludwig von Mises).

Juliano Oliveira

Juliano Oliveira

É administrador de empresas, professor e palestrante. Especialista e mestre em engenharia de produção, é estudioso das teorias sobre liberalismo econômico.