O desespero da esquerda diante de um dia histórico

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13 de Março de 2016Ontem foi um dia histórico e sensacional, milhões de pessoas nas ruas em todo o Brasil deixaram claro que é inaceitável que um Projeto Corrupto de Poder seja institucionalizado por nenhum partido.

O governo Dilma está diante de um fim antecipado, independente de quanto tempo ela fique como presidente. Um governante se sustenta em apoios. E ontem ficou evidente que nem ela, e nem o PT, tem suficientes para continuar governando. As ruas mostraram que os 7%, ou menos, de apoio popular das pesquisas não são uma invenção. Sua rejeição é a maior desde Fernando Collor.

Hoje, o projeto de esquerda se encontra sem base parlamentar, sem grande apoio popular, sem um partido que os una e os sustente e, principalmente, colhe as conseqüências de uma devastadora crise econômica produzida por sua política estatizadora e nacional-desenvolvimentista. Só lhes restou desqualificar a ação da maioria da população do dia 13 de Março.

Assumindo a posição de progressistas, iluminados e únicos detentores da vontade popular, a esquerda nacional tenta rotular brasileiros de reacionários que “precisam estudar história”. O curioso deste argumento é a própria ignorância quanto à história nacional e seus agentes. A esquerda assume a postura de quem está revivendo o ano de 1964 e supostamente denuncia “fascismo” e “golpismos”. Que ilusão! O que realmente está acontecendo é uma tentativa de proclamar a República, retirando o Brasil das mãos de uma oligarquia corrupta e perniciosa que lentamente foi destruindo os poderes, resumiu as instituições democráticas a um único organismo submisso ao partido no poder, ou seja, um projeto corrupto de poder – como disse o Min. Celso de Mello.

Neste cenário, há aqueles que posam de “isentões” e tentam instrumentalizar a opinião pública com “o Temer vai assumir; Cunha será o vice-presidente de fato; o Brasil precisa de uma reforma política”. Eles prestam um desserviço ao país, buscando escravizá-lo em uma paralisia. Para esse grupelho ninguém presta, ou os poderes corruptos são fortes demais, ou, ainda, somos todos corruptos. O único objetivo foi fazer que o povo brasileiro não saísse às ruas; que o jogo político real não fosse jogado pela maioria da população. Por quê? Porque a esquerda compreende a população, não como indivíduos, mas como massa que deve ser manobrada em torno de um ideal impossível. Um maquiavelismo que já denunciei por aqui.

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Ninguém apóia Temer ou Cunha. Os movimentos de rua têm inúmeras propostas, todavia, mesmo que não tivéssemos nada além do ‪”Fora Dilma” e do ‪”‎Fora PT”, já teríamos muito para melhorar o Brasil. O que os isentões não compreendem é que apenas a possibilidade da queda da Presidente Dilma já desempenha uma grande mudança no Brasil: nossas empresas estatais melhoram, nossa capacidade de empregar aumenta e nosso poder de compra se amplia, que dirá se ela cair de verdade. Tudo prospera em nome de um projeto de futuro que seja o oposto daquilo que PT, PMDB, PCdoB e outros podem oferecer.

Nem mesmo o PSDB pode, se quiser honrar o nome de social-democrata, oferecer a saída “macriana” – em alusão ao presidente da Argentina Maurício Macri – da crise. E justamente por isso, que a falácia do “se não é PT, então PSDB” – muito explorada na tentativa de desarticular e deslegitimar o movimento popular é aquela balela. Nada pode ser tão mentiroso e desonesto. Isto ficou comprovado com a reação a Aécio Neves e Geraldo Alckmin. O que aquelas vaias significam, ao contrário de avaliações que dizem que as ruas “são contra tudo”, é um projeto que total e completamente diverso daquilo que o marxismo reformado de Bernstein pode oferecer. Se dúvidas pairavam sobre quaisquer observadores políticos, as vaias provaram seu ponto.

Sobre a corrupção, não tenho dúvidas que existem muitos corruptos nesse país – de direita, de esquerda e de centro, se é que esses rótulos fazem algum sentido. O foco do brasileiro, ontem, foi enfrentar o maior escândalo de corrupção do mundo e combater o partido que protagonizou a tentativa de por fim à democracia. O PT que protagonizou ambas as ações, usando a máquina pública federal e o dinheiro dos pagadores de impostos para seus interesses sujos.

Evidentemente, que para desqualificar se usa de tudo. Desde abordar o mérito da corrupção moral do “povo” até abordar a suposta composição étnica do protestos. Sobre o primeiro basta uma análise de senso das proporções para pôr fim as intenções dos adversários dos indivíduos nas ruas. Neste contexto de imoralidades há uma diferença tremenda entre o desvio moralidade de, sendo homem, não dar o assento para uma mulher e a imoralidade que lança todo o Brasil em uma espiral de miséria, desemprega, rouba a liberdade de expressão, corrompe a democracia, a relação entre os poderes da república, e, por último, destrói por completo a Liberdade e a Justiça, para nós e para as próximas gerações. E, sobre composição étnica, mesmo que 100% das pessoas que estavam nos protestos fossem brancas, em uma população com apenas 7% de negros, e tenham renda familiar acima de quinze mil reais, elas continuam tendo o legítimo direito à manifestação, expressão e exercício de sua liberdade.

Portanto, se existe algo que ninguém pode contestar e a esquerda não pode relativizar é que foram as maiores manifestações públicas de descontentamento, de busca por mudança e de um novo projeto de nação que o Brasil jamais teve. E as ideias da liberdade tiveram grande responsabilidade em despertar o Brasil e iluminar um futuro possível nas densas trevas dos quase 14 anos de governo do partido dos trabalhadores.

 

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Fernando Fernandes

Fernando Fernandes

Graduado em Direito (UFRJ). Mestrando em Filosofia (UERJ).

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