À procura de um modelo

3 de fevereiro de 2012

ARTHUR CHAGAS DINIZ*

Embora desproporcionalmente nutrida, a presidente do Brasil fez uma declaração pública de enorme pobreza. Ao dizer que não poderia criticar o “regime” (“policial”, por minha conta) cubano pelas graves e sequentes ofensas aos direitos humanos, Dilma comportou-se como uma guerrilheira em cujo doutrinário “os fins justificam os meios”.

Disse que não poderia criticar as políticas de direitos humanos na ilha de propriedade dos Castro porque em todo o mundo se agridem os direitos humanos. Exemplificou com o caso de Guantánamo, prisão norte-americana em solo cubano onde esses direitos são agredidos diuturnamente. Por isto, escusou-se a comentar o exercício dos direitos humanos na fazenda dos Castro, apesar da solicitação tanto dos presos políticos quanto das “damas de branco” da Ilha.

Acolher a solicitação teria sido extremamente importante, logo agora que morreu, em conseqüência de greve de fome, um preso político que, na concepção de Lulla, seria um marginal como tantos outros que detemos nas cadeias públicas no Brasil. Talvez lhe tenha ocorrido naquela ocasião que o projeto que lutava para implantar em nosso país, nos anos da ditadura militar, fosse exatamente este em que o triunfo da mais longa ditadura do mundo só sobrevive das esmolas de Hugo Chávez e do Brasil.

Dilma, pelo menos, poderia ter deixado vazar alguma crítica que tivesse feito aos donos da Ilha. Não, ela perfilou-se com Lulla que, ao chegar a Cuba recebeu, igualmente, um morto, preso político de um regime que não discute política.

Uma pena que faltou à nossa presidente uma lembrança que teria feito de sua passagem em Cuba uma referência para o Continente. Se Guantánamo agride por agressões aos direitos humanos de suspeitos de terrorismo, que dizer da população cubana detida por ter interpretações diferentes do que realmente é “Cuba Libre“?

 

*PRESIDENTE DO INSTITUTO LIBERAL

N.E.: Cuba nega autorização para blogueira visitar o Brasil

fonte da imagem: Wikipédia

Afirmando uma divisão: negros brasileiros ganham muito menos que os brancos.

1 de fevereiro de 2012

Mas qual é a melhor forma de remediar essa situação?


RESUMO DE ARTIGO DA ECONOMIST *

A partir de uma descoberta de resíduos históricos na região portuária do Rio – o que os arqueólogos denominaram de “as ruínas do Valongo”, o principal ponto de chegada de escravos ao Brasil – a revista britânica mostra as origens da raça negra no Brasil e sua situação atual. Alguns fatos apontados:

  • De 1811 a 1843 cerca de 500.000 escravos chegaram ao Brasil.
  • Dos 10,7 milhões de escravos africanos embarcados para atravessar o Atlântico entre os séculos XVI e XIX, 4,9 milhões aportaram em terras brasileiras. Menos de 400.000 foram para os Estados Unidos. O Brasil foi o último país das Américas a abolir a escravidão, em 1888.
  • As razões para a extrema desigualdade socioeconômica do país estão na difusão da escravidão no Brasil, no atraso da abolição e no fato de nada ter sido feito para transformar ex-escravos em cidadãos.
  • Enquanto a maior parte da população é negra, a renda dos brancos é pouco maior que o dobro da dos negros.
  • Um velho argumento para a pobreza dos negros é que eles se encontram na base da pirâmide social – a sociedade estaria estratificada por classe, não por raça. Esse argumento é rebatido por ativistas que atribuem o problema ao racismo. Segundo eles, o legado de injustiça e desigualdade da escravidão só pode ser revertido por meio de políticas de ação afirmativa, do tipo americano.
  • Os que se opõem aos ativistas argumentam que a história das relações raciais no Brasil é muito diferente e que tais políticas correm o risco de criar novos problemas raciais. Importar a ação afirmativa do estilo americano forçará os brasileiros a se posicionarem em estritas categorias raciais, segundo o antropólogo inglês Peter Fry, naturalizado brasileiro.
  • As políticas de ação afirmativa, até agora, tiveram mais aplicação no meio universitário. Mais de 70 universidades públicas introduziram o sistema de cotas. Em 2006 o percentual de negros nas universidades era de 6,3%, o dobro de 2001.
  • No próprio meio acadêmico surgiram movimentos de oposição à política de cotas raciais: eles argumentam que a ação afirmativa parte de um ato de racismo. Além disso, mina a igualdade de oportunidade e a meritocracia – conceitos frágeis num país onde o privilégio, o nepotismo e os relacionamentos têm sido os instrumentos para o progresso pessoal.

O artigo da Economist aborda também a questão do emprego e as dificuldades para os descendentes de negros. E propõe como solução para o problema racial no Brasil uma combinação de forte repressão legal contra a discriminação e a adoção de cotas para pobres no ensino universitário para compensar o despreparo causado por fracas escolas públicas.

*Race in Brazil. Affirming a divide - Black Brazilians are much worse off than they should be. But what is the best way to remedy that? Jan 28th. Rio de Janeiro.

 

RESUMO: LIGIA FILGUEIRAS

Fonte da imagem: Wikipédia

Segregação racial nos bairros dos EUA: 1890-2010

1 de fevereiro de 2012

 NCPA *

 

Com base na sequência censitária a partir de 1890, o Escritório do Censo, nos EUA, divulgou dados referentes à frequência racial nos bairros. Um novo relatório assinado por Edward Glaeser, pesquisador sênior, e por Jacob Vigdor, membro adjunto, do Instituto Manhattan, apresenta uma análise dos dados censitários de 13 governos consecutivos ao longo da história de segregação racial nas cidades americanas.

Entre as principais descobertas estão:

  • A medição mais padronizada sobre segregação mostra que as cidades americanas estão agora mais integradas do que estavam em 1910. A segregação aumentou drasticamente com a migração negra para as cidades em meados do século 20. Na média, esse aumento foi totalmente anulado pela integração a partir da década de 1960.
  • Os bairros totalmente brancos estão efetivamente extintos. Meio século atrás, um quinto dos bairros urbanos dos EUA tinha exatamente zero residentes negros. Hoje, os residentes negros podem ser encontrados em 199 entre 200 bairros em todo o país. Os bairros restantes são encontrados, na maioria, em remotas áreas rurais ou em cidades com muito pouca população negra.
  • A gentrificação [enobrecimento urbano] e a imigração causaram um abalo na segregação. Ao mesmo tempo em que tais fenômenos são claramente importantes em algumas áreas, a suburbanização dos negros explica em grande parte o declínio na segregação.
  • Guetos persistem, mas a maioria está em declínio. Para cada bairro-gueto diversificado, muitos outros abrigam uma população negra em declínio.

O declínio da segregação traz consigo diversas lições relevantes para os debates de políticas públicas:

  • O fim da segregação não resultou no fim da desigualdade racial. Apenas algumas décadas atrás, havia um consenso de que a segregação era a força motriz que mantinha a desigualdade socioeconômica. A persistência da desigualdade, ainda que a segregação tenha diminuído, indica que a desigualdade é um fenômeno muito mais complexo.
  • O acesso ao crédito fomentou a mobilidade. Numa época em que se propõem regulações que ameaçam eliminar o mercado para empréstimos a mutuários marginais, é importante reconhecer que há custos e benefícios associados com o aperto das normas de concessão de crédito.
  • A liberdade de se escolher onde se vai morar contribuiu para reduzir a segregação. A segregação declinou, em parte, em razão dos negros americanos terem deixado cidades antigas, mais segregacionistas, e se mudado para cidades com menos segregação como as do Cinturão do Sol e os subúrbios.

*NATIONAL CENTER FOR POLICY ANALYSIS

Texto na íntegra: Edward Glaeser and Jacob Vigdor, “The End of the Segregated Century: Racial Separation in America’s Neighborhoods, 1890-2010,” Manhattan Institute, January 2012.

 

TRADUÇÃO: LIGIA FILGUEIRAS

Fonte da imagem: Wikipédia

O Irã está preparado para o pior

30 de janeiro de 2012

 CATO / DAVID ISENBERG*

A maioria das discussões sobre possíveis operações dos Estados Unidos no Golfo Pérsico, caso o Irã tente impedir o tráfego marítimo através do Estreito de Hormuz, geralmente conclui que, ao mesmo tempo em que tais operações não seriam exatamente mamão com açúcar, também não seriam tarefa de dificuldade gigantesca. Mas essa crença geral está errada, de acordo com um relatório recente publicado por um instituto de pesquisa independente e sem fins lucrativos de Washington, D.C. O relatório revela que a tradicional capacidade militar dos EUA do pós-Guerra Fria de projetar seu poder além-mar com poucos desafios sérios a sua liberdade de ação pode estar chegando, rapidamente, ao fim.

De acordo com relatório publicado pelo Center for Strategic and Budgetary Assessments (CSBA) [Centro de Avaliação Estratégica e Orçamentária], “o Irã, em particular, vem investindo em novos recursos que poderiam ser usados para deter, retardar ou impedir operações militares eficazes dos EUA no Golfo Pérsico. A aquisição de armas pelo Irã que poderão ser usadas para negar o acesso ao Golfo, controlar o fluxo de petróleo e gás da região, e realizar atos de agressão ou coerção, são de grande preocupação para os Estados Unidos e seus parceiros na área de segurança”.

De acordo com recente relatório do FMI,

“Um bloqueio do Estreito de Hormuz constituiria, e seria percebido pelos mercados, como presságio de um alto grau de tensão geopolítica global, envolvendo uma perturbação muito maior e sem precedentes”. Ainda segundo o FMI, “a interrupção do fornecimento de petróleo provavelmente teria um grande efeito sobre os preços”.

[Texto na íntegra: Iran Well Prepared for the Worst]


* David Isenberg é especialista do Cato Institute, veterano da Marinha dos EUA, e autor do livro, Shadow Force: Private Security Contractors in Iraq. [Força oculta: empresas de segurança privada no Iraque]

 

 

Fonte: Cato Today, Cato Institute, 30 de janeiro de 2012

Fonte da imagem: Wikipédia

TRADUÇÃO: LIGIA FILGUEIRAS

 

Pinheirinho: entrevista com a juíza Márcia Loureiro

29 de janeiro de 2012

Em entrevista à TV O Vale, a juíza  da 6ª Vara Cível de São José dos Campos, Márcia Loureiro, responsável pela ordem de reintegração de posse da área do acampamento sem-teto do Pinheirinho, em São José dos Campos, diz à reportagem que foi difícil tomar a decisão.

Apesar de não explorada pelo entrevistador, fica clara a determinação da juíza quanto à questão fundamental do respeito à lei, especificamente o respeito ao direito de propriedade.

O link é para o You Tube:

Juíza Márcia Loureiro

 

Miriam Leitão e o caminhão de dinheiro do Governo

28 de janeiro de 2012

LIGIA FILGUEIRAS*

 

Em excelente artigo que alerta para a enorme arrecadação de impostos que o governo obteve dos brasileiros em 2011, especialmente em nível federal, a jornalista Miriam Leitão conclui que, diante dos gigantescos valores e do tremendo mau uso que faz deles,

“O governo precisa merecer o dinheiro que recebe da sociedade.”

Não, jornalista. é o contrário:

A sociedade precisa dizer de que governo ela precisa para ser feliz. (À maneira dela, sociedade.) Aí, então, pagará os impostos mínimos necessários para manter esse governo.

Segue o artigo de Miriam Leitão no link: Governo do trilhão

[publicado em O Globo / Blogs, 28.01.2012]

 

*Jornalista, Editora do IL

O indesejável apoio de Obama

27 de janeiro de 2012

CATO / MARK A. CALABRIA*

Em seu pronunciamento sobre o Estado da União, o presidente Obama nos fez saber que ele “enviará ao Congresso um projeto que concede, a cada proprietário responsável, a oportunidade de poupar U$3.000 por ano em suas hipotecas, ao refinanciá-las a taxas de juros historicamente baixas.”

O que ele não disse é que tal iniciativa não irá contribuir em nada para mudar os rumos nem do mercado imobiliário nem da economia como um todo. Na realidade, a continuar nesta tendência de confundir redistribuição de riqueza com criação da mesma, o provável é que tal esforço venha a causar danos tanto à economia quanto ao mercado imobiliário.

Texto na íntegra [em inglês]:
Obama’s Unwelcome Mat, by Mark A. Calabria

*Cato Institute / Mark A. Calabria é diretor de estudos sobre regulação financeira, do Cato.

Fonte da imagem: Wikipédia

Foro Social Mundial 2012

27 de janeiro de 2012

NIVALDO CORDEIRO*

O Foro Social Mundial que ora ocorre em Porto Alegre é isso, um grande hospício a céu aberto, em que uma multidão de auto-enganados é conduzida por espertalhões que manobram politicamente. Ao seu lado, os escribas e fariseus da causa alienada, a serviço das sinecuras propiciadas pelo revolucionários. Tudo temperado com dose elevada de mau-caratismo. É claro que esse ajuntamento de ignorantes e mal intencionados, numa tenda de loucos, não é coisa boa. É a anti-sala da destruição.

Leia o texto na íntegra

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*Economista, articulista.

Ref. imagem: Forum Social Mundial de 2009, em Belém. Fonte: Wikipédia.

Retrocesso na liberdade econômica em 2012

13 de janeiro de 2012

NCPA *

 

 

O Índice de Liberdade Econômica de 2012, publicado na quinta-feira pela Fundação Heritage e pelo Wall Street Journal, mostra um mundo no qual a liberdade econômica está se contraindo, pressionada pelas excessivas regulações do governo e estímulos ao consumo só para encher os bolsos dos politicamente bem relacionados, segundo Edwin J. Feulner, presidente da Fundação Heritage.

A maior parte da queda na liberdade econômica ocorreu em países da América do Norte e Europa.

  • O Canadá, Estados Unidos e México, todos eles, tiveram queda no índice e 31 dos 43 países da Europa tiveram retrocesso.
  • Os gastos do governo subiram, em média, 35,2 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) em contraste com os 33,5 por cento do ano passado, segundo avaliação do índice de 2012.
  • A pontuação dos Estados Unidos em liberdade econômica caiu para 76,3 em 2012 da marca de 81,2 registrada em 2007 (numa escala de 0-100)
  • As despesas de governo dos EUA cresceram a um nível equivalente a mais de 40 por cento do PIB, e o débito público total excede o tamanho da economia.

Há alguns pontos de luz.

  • A liberdade econômica continuou a crescer na Ásia e na África.
  • De fato, no topo do Índice de Liberdade Econômica deste ano estão quatro economias da região do Pacífico asiático: Hong Kong, Cingapura, Austrália e Nova Zelândia.
  • Taiwan teve ganhos impressionantes, subindo para os 20 melhores do índice.
  • Onze das 46 economias da África subsaariana ganharam, no mínimo, um ponto completo na escala de liberdade econômica do índice, e Maurício pulou para o grupo das 10 melhores economias – oitavo lugar – jamais alcançado por qualquer país africano.

Os resultados do índice de 2012 confirmam, de novo, o elo vital entre o avanço da liberdade econômica e a erradicação da pobreza. Países classificados no índice como “basicamente sem liberdade” ou “reprimidos” têm níveis de intensa pobreza, na avaliação do novo Índice de Pobreza Multidimensional das Nações Unidas, que são três vezes mais elevados do que os dos países com mais liberdade econômica.

Medições positivas de desenvolvimento em áreas como saúde e educação têm alta correlação com altos níveis de liberdade econômica, e os países economicamente livres têm um melhor desempenho na proteção do meio ambiente do que seus concorrentes com maior regulação.

*NATIONAL CENTER FOR POLICY ANALYSIS

Texto na íntegra: Edwin J. Feulner, “A Step Backward for Economic Freedom in 2012,” Wall Street Journal, January 12, 2012.

 

TRADUÇÃO: LIGIA FILGUEIRAS

Sugestão de Vídeo: “The Role of Economic Freedom“. (em inglês)

 

Fonte da imagem: Wikipédia

 

O perigo do totalitarismo

9 de janeiro de 2012

NIVALDO CORDEIRO*

O artigo do Marco Antonio Villa, publicado hoje na Folha de São Paulo (Ministério da verdade), é daqueles que os democratas que se preocupam com os destinos políticos da Nação precisam ler com lupa. O autor mostra como o Brasil está vivendo uma situação de partido único, sem oposição, pela qual práticas fascistas se instalaram na condução do Estado brasileiro. Seu diagnóstico foi preciso: “É um processo com tinturas fascistas, que deixaria ruborizado Benito Mussolini, graças à eficiência repressiva, sem que se necessite de esquadrões para atacar sedes de partidos ou sindicatos. Nem é preciso impor uma ditadura: o sufrágio universal (sem política) deverá permitir a reprodução, por muitos anos, dessa forma de domínio”. O que nos separa da ditadura aberta é a existência (ainda) da liberdade de imprensa.

Comentário na íntegra

 

Artigo comentado: Ministério da Verdade 

 

* Economista e mestre em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas (FGV/SP), ocupou vários cargos na administração federal, e hoje é empresário em São Paulo.

 

N.E.: sobre  Marco Antonio Villa, vide citações no site do IL em

O herdeiro do ditador, por Cândido Prunes

Governo Lula para crianças , por Marco Antonio Villa

A coerência de Lulla, por Arthur Chagas Diniz