Chega da velha prática de acobertamento de malfeitos dos políticos

Intensificam as divergências internas no PSL, partido do presidente Jair Bolsonaro, em relação à CPI da Lava-Toga, que tem por objetivo investigar o “ativismo judicial”, principalmente no Supremo Tribunal Federal.

Nesta segunda-feira 16, o líder do partido Major Olímpio (PSL-SP) pediu a saída de Flávio Bolsonaro na sigla. “Nós que representamos a bandeira anticorrupção do Presidente. Eu tentei convencê-la (senadora Juíza Selma, de saída para o Podemos) a ficar e resistir conosco. Quem tem que cair fora do PSL é o Flávio, não ela. Gostaria que ele saísse hoje mesmo”, disse ao jornal O Estado de S.Paulo.

Quem tem rabo preso e sujo que aguente as consequências. O que não pode é  continuar a velha prática de acobertamento de malfeitos dos políticos.

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Se há crítica e desejo de punição dos demais políticos indecorosos, que se locupletam com o dinheiro público,  por que o senador Flávio Bolsonaro, com a sua atuação política no RJ comprometida com as denúncias do Coaf, tem que ser  protegido com o beneplácito do ministro, do STF, Dias Toffoli, que suspendeu provisoriamente a investigação do senador por corrupção?

Quem tem de deixar o partido é o próprio senador Flávio Bolsonaro, que está maculando a imagem do PSL e comprometendo também a imagem do presidente da República, e não a senadora Selma Arruda.

Não se trata de pretender atingir a governabilidade presidencial ao exigir-se que tenha curso e  julgamento justo o envolvimento de Flávio Bolsonaro com o episódio do Coaf, que detectou dinheirama suspeita na conta de Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador.

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Trata-se apenas de a sociedade querer ver seguir uma investigação sem intervenção do STF, ou de quem quer que seja. Pois, sempre a sociedade escuta a encardida tese de que a União não tem recursos para atender plenamente aos setores da saúde, educação, segurança etc., mas, contraditoriamente, os recursos existem e continuam a jorrar para forrar as meias, as cuecas, os bolsos e custear a opulência e boa vida de políticos.

Se  desejamos punição legal, por exemplo, aos políticos de partidos de esquerda que cometeram ou venham a cometer atos indecorosos na vida política, não podemos aceitar, de outra forma, que elementos do PFL ou de partidos não alinhados à esquerda sejam beneficiados pela não investigação e punição de seus atos.

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Assim, diante de decisões  polêmicas proferidas por membros do STF, faz-se necessária, para salvaguardar a respeitabilidade do Judiciário, que este seja objeto de investigação pelo Senado Federal, o mesmo órgão responsável pela aprovação de seus ministros.

Sobre o autor: Júlio César Cardoso é Bacharel em Direito e Servidor federal aposentado.

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