Um chá com Puggina, Van Hattem na Casa Civil e mais cinco conselhos ao presidente

Se tivesse que ser taxativo em responder se Bolsonaro faz, até aqui, um bom ou um mau governo, não teria dificuldade em afirmar que sim – dentro do possível, faz. Com a herança maldita que recebeu de Temer – leia-se Lula e Dilma -, não se reconstrói um país arruinado por 13 anos de petismo em apenas nove ou dez meses de governo. No entanto, com esse tempo, um governo já mostra sua identidade, seus propósitos e suas (in) capacidades para governar. Nesse sentido, sendo objetivo, vou me atrever a dar sete conselhos ao senhor presidente da República – e ressalto que não é necessário ser doutor em ciências políticas ou em economia para ter a capacidade de perceber coisas óbvias, elementares, tais quais veremos abaixo.

Diria para o presidente:

1) se afastar de tudo o que atrai negatividade ao governo, e um exemplo disso é o vínculo com Olavo de Carvalho. Seus filhos terem no filósofo uma referência filosófica é uma coisa; outra é Bolsonaro chegar ao ponto de nomear um ministro que não conhecia – vide Ricardo Vélez -, seguindo cegamente o conselho de um homem que há anos não sai de dentro de seu escritório.

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2) Manter relações com Flávio Bolsonaro somente nos churrascos de domingo em família.

3) A – encaminhar Carlos Bolsonaro a um(a) psicólogo(a) – entendo a ira do jovem que viu seu pai ser covardemente esfaqueado; não sei qual seria minha reação num caso desses. Certamente, eu precisaria de terapia também. B – aconselhar Carlos a focar totalmente em seu trabalho como vereador no Rio de Janeiro, honrando seus eleitores e os pagadores de impostos.

4) Tirar Onyx da Casa Civil. Mais cedo ou mais tarde, Lorenzoni, com aquela mácula de caixa dois colada em sua paleta, vai virar problema. Em uma possível candidatura à reeleição, para exemplificar, certamente os opositores de Bolsonaro vão usar isso contra ele: ‘tu manteve durante quatro anos um ministro chefe da Casa Civil que já recebeu caixa dois e agora vens aqui falar em combate à corrupção?’ Além disso, Onyx não tem demonstrado ser um bom articulador, segundo dizem… Marcel van Hattem seria um nome interessante para ocupar esse ministério.

5) Que, assim como tradicionalmente nos Estados unidos os presidentes “tomavam” conselhos de Billy Graham (num sentido mais religioso), ele convidasse o lord Percival Puggina a tomar um chá quinzenal. Puggina é um mestre experiente, tem equilíbrio e serenidade (qualidades de que Bolsonaro precisa) e pode passar muitos conselhos importantes ao presidente. É alguém que está fora da bolha. Seria como consultar com psicólogo político.

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Outro dia li sobre o jovem brasiliense Mateus de Lima Costa Ribeiro que, com 19 anos, será o aluno mais jovem a cursar o programa de mestrado em Direito da Universidade de Harvard, nos EUA. Uma frase do garoto ao jornal Correio Braziliense, entretanto, fisgou minha atenção; disse: “eu acho que será um ambiente (Harvard) muito desafiador, mas o melhor ambiente é aquele que puxa as pessoas para cima. Eu quis estar nessa mesa, vai ser muito importante para minha formação”. “Oh wait!”- foi o que eu disse pra mim mesmo assim que li algo tão inteligente sendo proferido por alguém tão jovem. “É disso que Bolsonaro precisa”. Percival Puggina é, não tenho dúvida alguma, uma pessoa que vai elevar a régua intelectual e a perspicácia do Jair Messias. Convide o Sir Puggina para um chá, presidente!

6) Que, apesar dos últimos vexames de uma parte da imprensa que claramente demonstra querer mastigar seu fígado, ele deve procurar manter uma relação mais cordial com a mesma. A imprensa foi e é um termômetro para as democracias no mundo e Bolsonaro não pode ignorar isso jogando no lixo uma profissão por causa de perseguições de jornalista A ou B de esquerda ou de veículo A ou B que perdeu $$ em anúncios do governo. Há INÚMEROS excelentes jornalistas honrando a profissão, assim como há INÚMEROS jornais e veículos realizando um papel fundamental para a sociedade.

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7) Seguir firme nas ideias liberais do filho da Escola de Chicago, Paulo Guedes, blindando-o de tudo e de todos; e se agarrar em Sérgio Moro, um símbolo de integridade e justiça no país. Até mudaria o lema do governo: Lava Jato acima de tudo!

São conselhos que parecem simples, mas que, se aplicados, podem mudar o rumo desse governo que caminha sobre uma linha tênue entre o sucesso e a bancarrota.

Eu ainda aposto nesse governo.

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Ianker Zimmer

Ianker Zimmer

Jornalista diplomado pela Universidade Feevale, de Novo Hamburgo. Aos 35 anos, já passou pelo Jornal NH e pela Rádio ABC (onde atuou como gestor de negócios, além de exercer papel importante na reformulação da emissora), ambos veículos do Grupo Editorial Sinos. Atualmente, além de contribuir para o IL, é colunista do site Opinião Livre, que tem como editor-chefe o jornalista Diego Casagrande. Também se dedica a terminar seu livro "A Ideologia do Fracasso".