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As Eleições Norte-Americanas e o Brasil

 MARCUS VINÍCIUS DE FREITAS**

As eleições norte-americanas despertam, sem dúvida, grande interesse mundial. Apesar de soar clichê, ainda se trata da eleição do indivíduo mais importante do Planeta, em razão do enorme poderio bélico e militar que terá em suas mãos. A disputa pelo assento presidencial é intensa, com um escrutínio implacável da vida pessoal, profissional e política do candidato. Aquele que sobrevive a este “fogo refinador” do ourives, que é a opinião pública, chega ao cargo porque conseguiu vencer o processo eleitoral e, mais importante, com toda transparência, convenceu o eleitor da viabilidade de sua candidatura como opção e do plano de governo que pretende implementar.

As primárias do Partido Republicano têm sido, sem dúvida, um show democrático. Haverá restrições, aqui e ali, sobre o negativismo da campanha, ou da “irracionalidade” de alguns dos temas abordados e das opiniões emitidas. Porém, o mais interessante é que a discussão sobre os planos e perspectivas de governo enseja o debate sobre o futuro da sociedade nos quatro anos seguintes, isto é: mais Estado ou menos Estado, mais intervenção militar ou menos, mais flexibilidade nas regras ou não… E por aí vai.

Para quem analisa à distância e compara com o cenário brasileiro, a diferença é abissal. Em todos os níveis – federal, estadual e municipal – os planos de governo apresentados pelos nossos candidatos são superficiais, sem a mínima preocupação e atenção quanto à viabilidade econômica ou efetividade de implementação. Os eleitores ficam reféns dos marqueteiros que exploram, profundamente, o fator desinteresse popular e focam num ou dois temas a serem enfatizados constantemente, como se a administração pública pudesse resumir-se a um só plano ou iniciativa. Outros nem se dão ao trabalho de elaborar algo, como foi um dos candidatos que apresentou dois discursos como plano de governo.

O nível de escrutínio de nossos candidatos é incapaz de revelar tudo sobre o histórico, pensamento e posições. Elegemos verdadeiras incógnitas para as funções, dando-lhes um cheque em branco para o exercício do poder, e ficamos reféns da situação, na crença de que os governos de coalizão e um Ministério Público “atuante”, mas muitas vezes falho, servirão de contrabalanço na situação. Não poderíamos estar mais equivocados.

Quando ouço alguns indivíduos dizerem que os candidatos norte-americanos são ruins, preocupo-me ainda mais com a qualidade dos nossos que, de fato, são, apesar do tempo, extremamente desconhecidos dos eleitores. O nosso ciclo eleitoral, com a ausência de primárias nos partidos e uma discussão aberta sobre os planos de governo, condena-nos a elegermos candidatos sem vínculos, alheios até mesmo à vontade popular.

Por incrível que pareça, ao final deste ciclo eleitoral nos EUA, apesar de não votarmos, saberemos muito mais sobre os candidatos de lá do que até mesmo os daqui. E lá eles têm planos… Aqui, nem ideias.

Mas são mais de 230 anos de democracia, comparados a 26. Temos muito que aprender ainda…

* Professor de Direito e Relações Internacionais, FAAP

 

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