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No desespero, governo apela para a ofensa – você vai deixar?

José de Abreu, condutor da propaganda debochada
José de Abreu, condutor da propaganda debochada

O governo do PT segue seu calvário e, na noite desta quinta-feira, coroando mais uma semana de dor de cabeça para a presidente Dilma Rousseff, as panelas seguiram seu heroico martírio, escrevendo mais um capítulo comovente na história – barulhenta – dessa maravilhosa forma de manifestar a desobediência civil. Vivendo tempos difíceis, o PT partiu para o desespero e, numa peça de profunda insensibilidade, veiculou uma das mais repulsivas propagandas de todos os tempos em rede nacional.

Antes de abordá-la, vejamos o cenário que está deixando os petistas de cabelos em pé. Ninguém menos que José Dirceu, um dos principais mentores intelectuais do projeto de poder lulopetista em seus primórdios, retornou à cadeia, já cumprindo pena por conta do mensalão – agora acusado de ocupar posição de protagonismo no esquema de corrupção da Petrobras. O empreiteiro Leo Pinheiro, da OAS, foi condenado a 16 anos. Paira sobre a cúpula da estrela vermelha o receio justificado de que novas e bombásticas delações premiadas aconteçam, e Renato Duque, ex-diretor de serviços da estatal, se reuniu com procuradores do Ministério Público em uma primeira negociação de acordo para abrir o bico. No Congresso, a tensão continua, com a debandada da base aliada, deixando o governo totalmente desprotegido; os parlamentares do PDT e do PTB declararam que passarão a votar com independência. O apoio do governo na Câmara vai afundando, ao mesmo tempo em que, colocando rapidamente em votação as contas de ex-presidentes como Itamar Franco, FHC e o próprio Lula, Eduardo Cunha, temeroso de uma denúncia formal de Rodrigo Janot, abre caminho para possibilitar o processo de impeachment de Dilma, a partir de uma rejeição das contas – ainda a serem apreciadas pelo Tribunal de Contas da União. Os números da economia, por fim, dispensam comentários. Além disso, CPIs importantes, como a do BNDES, a dos fundos de pensão e a investigação de crimes cibernéticos, não serão presididas por petistas, o que deve aterrorizá-los ainda mais.

A situação é claramente apocalíptica, tendo se passado apenas um semestre do segundo mandato de Dilma. Tanto que Michel Temer, o vice-presidente, na delicada posição de ser articulador político do governo, mas também sucessor constitucional da presidente em caso de impeachment (ele cairia junto com ela apenas em caso de impugnação da chapa através do julgamento da ação do PSDB no TSE), fez uma declaração inquieta e nervosa, nada típica de sua figura, pedindo conciliação e união em prol do país e admitindo que a crise é “razoavelmente grave” – o que é, de todas as maneiras, um eufemismo. Michel Temer se esqueceu de pedir ao PT que manifestasse o mesmo espírito de conciliação e respeito à divergência, tão alienígena à sua natureza. Em um momento em que o governo clama por bom senso e equilíbrio da oposição, o recado do Partido dos Trabalhadores na propaganda foi bem outro.

Com apresentação de José de Abreu – o mesmo que já postou tweets bastante desagradáveis ofendendo paulistas e é representante máximo daquilo que Rodrigo Constantino chamou “esquerda caviar” -, o programa do PT repete a mesma sucessão de mentiras que já estamos cansados de ouvir, segundo as quais o país vive apenas uma “travessia”, uma crise econômica de circunstância, que seria influenciada pela conjuntura internacional. O PT, aliás, teria o mérito de ter protegido o Brasil durante seis anos dos efeitos dessa crise; na realidade está tudo muito bem, e esses “pequenos probleminhas” – como um monte de gente perdendo o emprego, por exemplo – são apenas passageiros.  Os números mentem, e o “pai dos pobres” Lula e a “mamãe” Dilma trazem a excelsa palavra da verdade. Nada mudou. O roteiro segue o mesmo; os petistas aparecem cegos, surdos e mudos ao sofrimento da população brasileira, não dizem uma só palavra sobre a prisão de Dirceu, nem uma só palavra sobre a Lava-Jato. Não assumem como sua a responsabilidade, não assumem que o mundo não tem nada com isso e a matriz econômica desastrosa que adotaram é a principal causa dos males agudos que experimentamos. Preferem dizer, vejam só, que a culpa é da oposição!

Sem nenhum pudor, a propaganda exibe fotos de políticos da oposição – fazendo propaganda gratuita de suas imagens, diga-se de passagem, num gesto de pouca inteligência – e os acusa de estarem se aproveitando da tal “crise de circunstância”, da tal “travessia”,  para insuflar o caos. Mais uma vez, querem enxergar golpismo onde nada mais há que a defesa da lei e das instituições. Golpismo é o petrolão, golpismo é o mensalão, golpismo é maquiar as contas públicas e aplicar um estelionato eleitoral vexatório sobre a população! Golpismo é fazer uso da máquina para garantir uma eleição suja e financiar blogs e sites prostituídos para fazer ode a essa podridão!

Demonizar a oposição partidária não basta; os petistas fecham sua propaganda ironizando o panelaço, já prevendo o que de fato aconteceu mais uma vez durante a exibição do vídeo: em todo o país as panelas soaram e os insatisfeitos se fizeram ouvir, impedindo qualquer indiferença à sua revolta. Segundo os petistas, é mais útil encher as panelas de comida, como o partido – e não os benefícios decorrentes do Plano Real, é claro! – supostamente fez com a população pobre.

Eleitor brasileiro que está entre aqueles que, segundo o Datafolha, perfazem 71 % da população que consideram o governo Dilma ruim ou péssimo: os petistas acham que o seu protesto é coisa de quem não tem o que fazer. Aliás, eles acham que você é da “elite branca opressora” que não suporta ver pobre andar de avião. Acham que você é uma besta fútil. Obviamente COM O SEU DINHEIRO, o PT insultou você em rede nacional. Eu pergunto: você vai deixar barato? A escolha é sua. Dia 16 de agosto, mostre a eles, agora sem panelas, mas vestido de verde e amarelo e defendendo a sua bandeira, que você não admitirá que tamanho desrespeito continue.

 

Lucas Berlanza

Lucas Berlanza

Jornalista formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Lucas Berlanza é editor dos sites “Sentinela Lacerdista” e “Boletim da Liberdade” e autor dos livros "Lacerda: A Virtude da Polêmica" e “Guia Bibliográfico da Nova Direita – 39 livros para compreender o fenômeno brasileiro”.

2 comentários em “No desespero, governo apela para a ofensa – você vai deixar?

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    18/08/2015 em 10:42 pm
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    Bom Todos Dia,
    Eu
    sou Kathy R Villamor, eu sou novo aqui, mas eu gostaria de compartilhar
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    08/08/2015 em 12:06 pm
    Permalink

    Quando vamos para as ruas protestar contra o governo em dia útil? Quando resolverem fazê-lo numa segunda, terça ou quarta, ou quinta, ou sexta, eu irei, com certeza. Acho que deveríamos travar a máquina estatal. Temos que convencer os patrões a nos liberar, uma hora mais cedo, que seja, para fazer. O governo não arranca dinheiro da gente à força? Então, travar a máquina é isso! Não vamos dar mais um centavo para esse governo. Se for para o nosso governo usar nosso dinheiro para construir empreendimentos em uma ditadura lá na PQP, é melhor pedir menos Estado e mais liberdade econômica. Não acha? Mas vai adiantar fazê-lo em dias em que o governo menos fatura, como em um domingo?

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