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Vegetariano: você ainda vai ser um

JOÃO LUIZ MAUAD*

Não se iluda,  meu caro leitor.  Se você é jovem, provavelmente ainda vai testemunhar o dia em que o seu benevolente e expedito governo o proibirá de comer carnes e outras gorduras animais, tornando-o um vegetariano à força.  Como eu acho que esse dia não está muito distante, com sorte até eu mesmo possa viver esse dissabor.  Tudo em nome do bem comum e do meu país, evidentemente.  

Café de estrada perto de Kullu, India. Foto: John Hill

Nos Estados Unidos, país de vanguarda quando o assunto são atitudes politicamente corretas, a campanha já começou há algum tempo e tem como seus dois maiores próceres ninguém menos que a primeira dama Michele Obama  – a czarina da nutrição saudável – e o ex-presidente da república Bill Clinton.  Este último convertido ao vegetarianismo, segundo ele, em 2009, embora existam vários testemunhos no sentido de que tal conversão seja somente para consumo externo.   Em entrevista recente a Joe Conason, Clinton foi taxativo:

“o que e como nós consumimos” estão impulsionando a níveis insustentáveis os gastos de saúde nos Estados Unidos.  Para mudar realmente as condições que levam a maus hábitos e problemas de saúde, ele adverte: “nós temos que exigir isso mudando a maneira como vivemos. Você tem que tomar uma decisão consciente de mudar para o seu próprio bem-estar, de sua família e de seu país.”

Viram?  O que você consome – e como você consome – deixou de ser um problema seu, para tornar-se um problema coletivo.  Algo que antes só tinha a ver com você, com a sua saúde e o estilo de vida que você escolheu, agora se transformou num problema, num vício perverso que afeta a todos os seus conterrâneos e que, por isso, precisa ser extirpado.  Como o seu governo decidiu, talvez contra a sua própria vontade, que ele cuidaria da sua saúde, e como isso está se tornando algo cada vez mais caro para os cofres públicos, é preciso que você altere os seus hábitos, a fim de que não se torne um fardo no futuro.

Trata-se de um raciocínio extremamente coletivista, que descarta as suas escolhas individuais em prol do bem comum – do todo.  Para se ter uma idéia de quão absurdo é esse pensamento, ele é análogo a exigir que, em nome da redução de gastos hospitalares com o tratamento de acidentados, as pessoas parem de dirigir automóveis e passem a locomover-se exclusivamente através de transportes coletivos.

Ops! Acho que já falei demais.  Fico por aqui, antes que dê mais idéias absurdas aos coletivistas…

* ADMINISTRADOR DE EMPRESAS

IMAGEM: WIKIPEDIA

 

Instituto Liberal

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