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Uma alternativa aos caminhos populistas (parte final)

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Os fatos apresentados nos dois artigos predecessores justificam o apelo que faço no título, de que precisamos de uma alternativa aos caminhos populistas. Não podemos aceitar o discurso de que somos obrigados a aderir a qualquer um daqueles que já provaram incorrer nos mesmos vícios e que não apenas representam riscos em potencial, mas tantos males já causaram ao país.

Das ruínas de um lado, o outro tentará se reerguer, mas a estrutura é a mesma, a daquela polarização odienta que nos trouxe ao imbróglio atual. E por polarização não me refiro à divergência de opiniões, natural e saudável para o ambiente democrático, mas ao adesismo apaixonado e cego a personagens específicos e a pautas e discursos hostis a este ambiente. Não dá para aceitar acenos autoritários como sendo “do jogo”.

O bolsonarismo foi elevado ao poder nos ombros do antipetismo – antipetismo justificado, como já disse -, e agora o petismo tenta fazer o mesmo nos ombros do antibolsonarismo – este também justificado. Se eu acreditasse que temos que nos contentar com o saldo líquido dessa guerra de rejeições e que o país será refém eterno do populismo, abandonaria o debate político de uma vez, mas essa é uma visão, antes de tudo, preguiçosa, sobretudo quando conhecemos de antemão o mal a ser enfrentado e temos tempo hábil para buscar uma solução.

O primeiro passo é não subestimar o risco. Bolsonaro conseguiu fazer o PSL, um partido até então nanico, eleger a segunda maior bancada da Câmara. Lula, de dentro de uma cadeia, conseguiu colocar seu apadrinhado no segundo turno em 2018. Há, portanto, aqueles que inevitavelmente estarão com um ou com outro. No entanto, acredito piamente que a maioria dos brasileiros rejeitam a ambos. Ainda que essa maioria não seja maior do que os adesistas bolsonaristas e petistas somados – e mesmo isso pode ser -, não tenho dúvidas de que é maior do que cada militância em particular. Não subestimemos os dois supracitados, mas também não subestimemos os que estão cansados de ambos.

A opção por um caminho alternativo – não aventureiro -, também deve ser uma opção pela sanidade fiscal, sobretudo por nossa dívida pública federal já exceder R$ 5 trilhões e termos fechado o sétimo ano consecutivo com déficit primário – mais de R$700 bilhões em 2020, consequência da elevação de gastos em razão da pandemia. Sanidade fiscal não combina com populismo, não havendo razão alguma para os liberais endossarem vias populistas em nome da economia. É preciso considerar que a recuperação econômica depende de estabilidade institucional e política, afinal, todos, brasileiros ou estrangeiros, pensam duas vezes antes de investir em um país instável. Não é na truculência das militâncias apaixonadas que encontraremos essa estabilidade.

Também não devemos conceber essa alternativa como messiânica e capaz de curar todos os nossos problemas, pois tal coisa não existe e jamais existirá. A “salvação” é questão teológica, não política. Tampouco proponho aderir a uma terceira via ideológica na qual todos tenham que ceder de forma irrenunciável. Não, os liberais devem ser fiéis aos seus princípios. Ocorre que isso inclui se opor e se articular contra aqueles que constantemente exalam antiliberalismo e ameaçam a democracia liberal.

Construir uma alternativa aos caminhos populistas é o único cálculo político que importa agora, cálculo este não para satisfazer interesses escusos ou veleidades de qualquer ordem, mas para poupar o Brasil de mais turbulência, incompetência e arroubos autoritários. O Brasil merece virar a página do petismo e do bolsonarismo.

Fontes:

https://www.camara.leg.br/noticias/545857-pt-e-psl-elegem-as-maiores-bancadas-da-camara-dos-deputados/

https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2021-01/divida-publica-fecha-2020-acima-de-r-5-trilhoes

https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2021-01/contas-publicas-tem-deficit-de-r-7029-bilhoes-em-2020

Gabriel Wilhelms

Gabriel Wilhelms

É licenciado em Música e graduando em Ciências Econômicas, atua como colunista e articulista político.