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Governantes que acabaram com sua liberdade também querem acabar com a economia

Vejam como é absurdo o que governadores e prefeitos estão fazendo com a população e com o Brasil. Leio que 16 governadores endereçaram aos presidentes da Câmara e do Senado uma carta em que reivindicam a aprovação de um Auxílio Emergencial no valor de R$ 600,00. Segundo os governadores, a crise por que passa o país “requer medidas sanitárias e garantia de uma renda emergencial”. Na carta, pedem recursos “em níveis que superem os valores noticiados de R$ 150,00, R$ 250,00 e R$ 375,00”.

Isso me fez lembrar as palavras do comentarista político Caio Coppola, segundo o qual “Do ponto de vista fiscal, essa pandemia fez o país empobrecer, enquanto estados e municípios enriqueceram. Então, se você quiser ser massa de manobra e, automaticamente, culpar o presidente da República ou o ministro da Saúde pela falta de leitos em hospitais municipais e estaduais, fique à vontade. Esse é um país livre. Mas saiba que a sua crítica é injusta e reflete apenas a sua predileção política, não a realidade contábil dos fatos”.

Impossível, a um cidadão de bem, que as reivindicações dos governadores (dentre os quais, o próprio Eduardo Leite, alvo de crítica de Coppola no comentário acima) não gerem nenhuma revolta. A menos que você faça parte da massa de manobra que adora ecoar aos quatro cantos que “Bolsonaro é genocida”, certamente virá à sua cabeça, diante deste escárnio, a imagem do caos ao qual estamos sendo lançados diariamente pela ditadura das restrições abusivas de deslocamento, pelo cerceamento das liberdades individuais e pelo desprezo à Constituição Federal.

Governadores, que receberam bilhões de reais do governo federal para organizar toda a estrutura necessária para o combate ao Covid, abandonaram seus próprios cidadãos e não prepararam a estrutura que disseram que preparariam enquanto ficássemos “alguns dias” em casa (disseram isso, ressalto, ainda em março de 2020).  Mergulham o país na mais inacreditável situação de calamidade econômica gerada pelo rombo nas contas públicas que vão, no médio e no longo prazo, prejudicar justamente os mais pobres que dizem defender quando fazem reivindicações irresponsáveis sobre valores irreais de auxílio emergencial.

Augusto Nunes, em artigo para o portal R7, coloca o dedo na ferida quando diz que “São Paulo, por exemplo, recebeu R$ 7,8 bilhões em auxílios do governo federal. Mas as despesas com saúde cresceram apenas R$ 2 bilhões. Que fim levou o restante da dinheirama? Na maioria dos estados, o aumento de gastos com saúde foi inferior à metade do valor dos repasses emergenciais. Se governadores e prefeitos usassem R$ 35 bilhões do total remetido pelo Planalto na compra de um equipamento indispensável, o Brasil hoje teria 250 mil leitos de UTI. Como os que existem hoje não chegam a um terço disso, os governantes exigem que a União arranje mais dinheiro para bancar o combate à pandemia que recrudesceu. Primeiro deveriam ser obrigados a revelar onde torraram o dinheiro que choveu em 2020”.

O resumo da ópera: governadores fecharam seus estados. Geraram fome e desemprego. Foram irresponsáveis na administração dos recursos recebidos pelo Governo Federal e, ao final de tudo, jogam a culpa pela miséria nos braços do governo federal que teria que pagar aos desassistidos um valor de R$ 600,00.

Se, diante de todo esse cenário, você ainda não consegue enxergar que o objetivo é quebrar o país e mergulhá-lo na miséria, sinto muito, falta-lhe honestidade intelectual. Querem R$ 600,00 para cada desassistido, o que levaria a dívida pública a colapsar (dinheiro não brota do chão) e espantaria qualquer possibilidade de crescimento futuro.

Talvez alguns leitores mais aguerridos na defesa dos mais pobres me vejam como alguém insensível. Alguém que não leva em consideração as necessidades das pessoas desamparadas nesse período de pandemia. Ora, se esse é o argumento, pergunto: por que não propor, então, um auxílio de R$ 1500 reais ao invés de apenas R$ 600? Se é possível colocar a máquina estatal para funcionar e a impressora para imprimir papel-moeda sem, com isso, causar grandes convulsões econômicas, porque não aumentar a aposta?

Quem responde a essa pergunta, de maneira desapaixonada e sem as lentes ideológicas, é Anthony P. Geller. Segundo o economista “as cifras de déficit e endividamento, que teimam em ser inflexíveis, são de natureza contábil. Não há ideologia que refute ou altere a realidade…”.

O autor continua…

“Há 240 anos, Adam Smith dizia que “quando a dívida pública alcança certo nível, não é mais paga integralmente; a falência do governo é disfarçada por pagamentos de faz de conta.” Smith se referia aos meios que o governo utiliza para levantar recursos: impostos, endividamento e inflação”.

“O endividamento é o método favorito, só que, para além de um determinado nível de dívida, a deterioração do risco de crédito pode inviabilizar tudo, e, no extremo, o mercado não emprestará mais ao governo. Para evitar o calote, a consequência final é a inflação por monetização de dívida. Pagará a conta, portanto, aquele grupo de interesses que não vota nem é organizado: o das futuras gerações”.

Esta realidade, no entanto, em nome de uma agenda estatista de proteção dos mais oprimidos precisa ser ignorada. Mesmo que no longo prazo a conta chegue (e ela vai, inevitavelmente, chegar), o importante é, em conjunto com a mídia progressista, apostar no quanto pior, melhor. Seria esse o início do processo de venezuelização do qual tentamos fugir quando nos organizamos pela saída de Dilma Rousseff e de todos os seus asseclas? Terá a nossa luta sido em vão? Espero, sinceramente, que a resposta seja um retumbante NÂO.

Juliano Oliveira

Juliano Oliveira

É administrador de empresas, professor e palestrante. Especialista e mestre em engenharia de produção, é estudioso das teorias sobre liberalismo econômico.