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O jornalismo no Brasil (parte VI): o fazer jornalístico, a militância e a mordaça

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Na quinta parte da série, falamos sobre o gigante Paulo Francis. Findei o texto prometendo dar continuidade ao estudo sobre o personagem e falar sobre seu início e sua vida como comunista. Vamos, porém, abrir um hiato, com o objetivo de aprofundar o entendimento do fazer jornalístico – isso, devido aos últimos acontecimentos envolvendo o Supremo e alguns jornalistas. No próximo estudo, todavia, retomaremos Francis.

Teoricamente, o jornalismo constitui-se pela simplificação dos fatos e das opiniões, tornando-os acessíveis à compreensão da sociedade. O significado de jornalismo também pode ser bem compreendido com o professor Juarez Bahia (1990), que define o fazer jornalístico como “apurar, reunir, selecionar e difundir notícias, ideias,
acontecimentos e informações gerais com veracidade, exatidão, clareza, rapidez, de modo a conjugar o pensamento em ação”.

O jornalista, portanto, detecta o fato, reúne informações, as avalia e transforma isso tudo em notícias, reportagens ou outros gêneros do jornalismo. Como fonte propulsora de informação, o jornalismo possibilita a participação das pessoas na sociedade e nas comunidades, conforme Juarez Bahia (1990). Segundo o autor, a missão do jornalismo se confunde com a natureza da informação e, além de sua  prioridade básica que é a difusão de notícias, existem outras:

“Fora da função primordial, [o jornalismo] absorve muitas outras, como, por exemplo, a de promover o bem comum e a de estimular a mais ampla e livre troca de ideias entre as pessoas, quaisquer que sejam  suas convicções”.

Nesse sentido, Luiz Beltrão (1969), um dos grandes precursores dos estudos dos gêneros jornalísticos no Brasil, afirma que “a primeira das funções sociais experimentadas pelo jornal moderno é a informação, ou seja, o relato puro do que ocorre de significativo em todos os domínios do pensamento e da atividade humana”.

Luiz Beltrão define que a informação, em formato de relato puro e simples dos fatos, ideias e situações do presente imediato, do passado ou de algo provável que ocorra no futuro, objetivando o interesse de todos, é um pilar fundamental para definir as funções da atividade jornalística. Ou seja, “a difusão de informação, de dados, elementos, aspectos e sequência objetiva da ocorrência” (BELTRÃO, 1980, p. 14).

Já entendemos, na essência, o que são o jornalismo e suas funções. Agora, veremos o que é ser jornalista. De acordo com Luiz Amaral (1986), o termo “jornalista” diz respeito a todo aquele que trabalha nas “redações dos jornais, revistas, departamentos de  radiojornalismo e telejornalismo, nos serviços de comunicação social de empresas particulares e organismos estatais”.

Segundo o autor, o público define como jornalista o repórter e o redator, principalmente o primeiro, pois é aquele que busca e produz a notícia (AMARAL, 1986, p.29). Ao falar sobre o jornalista, Luiz Amaral acrescenta:

“Seu trabalho consiste em formar, informar, reformar, ensinar, divertir. Tudo
depende das circunstâncias e do sistema onde se desenvolvem suas atividades. Mas, seja qual for o veículo para o qual trabalhe, as qualidades profundas que se lhe exigem são as mesmas” (AMARAL, 1986, p.29).

Se a principal função do jornalista é informar, usamos novamente Luiz Beltrão (1969) para definir, no sentido humano, que “a informação é o ato de levar um fato ao conhecimento de outrem”, sendo algo comum do comportamento das pessoas, pois os indivíduos trocam informações a todo o tempo, seja em casa quando “consultam o relógio” ou nas atividades do dia a dia, com a natural troca de informações de interesse particular.

Assim, o jornalista é tanto aquele que informa como o que é informado. E qual tipo de informação tem perfil jornalístico? De acordo com Beltrão (1969), as informações que não dizem respeito apenas ao particular ou individual, mas que são de interesse público, coletivo e/ou da humanidade, são credenciadas como de interesse e do dever jornalístico. O autor define que “as informações públicas são as de que se ocupa o jornalismo e, quando se referem a situações atuais e são divulgadas pelos veículos de comunicação coletiva, denominam-se notícias”. Sendo assim, seguimos a definição:

“Notícia é a narração dos últimos fatos ocorridos ou com possibilidade de ocorrer, em qualquer campo de atividade e que, no julgamento do jornalista, interessam ou têm importância para o público a que se dirigem. Os seus atributos são, pois: imediatismo, veracidade, universalidade e interesse e importância (BELTRÃO, 1969, p.82).

Juarez Bahia (1990) também afirma que o jornalismo tem cada vez mais uma “linguagem coletiva”. Assim, as comunidades têm reflexo dos jornais e, “dentro da engrenagem” das relações, os veículos são caminhos para a compreensão, a prosperidade nacional, os anseios humanos e as conquistas sociais (BAHIA, 1990, p. 20).

O mesmo Juarez Bahia afirma que um dos principais pilares para o êxito da função jornalística é a liberdade de
informação e opinião, indispensável para o bom jornalismo. No entanto, não posso deixar de dizer: uma imprensa tendendo somente a um lado combina com qualquer coisa, menos com liberdade.

Se, de um lado, o jornalismo têm sua histórica e inegável importância na construção social, de outro, o mau jornalismo está presente em muitas redações. Não raro, a imprensa brasileira recebe críticas, devido a seu perfil ideológico pendido à esquerda.

Contudo, também não posso deixar de dizer, há muitos veículos e muitos jornalistas fazendo ótimo jornalismo no país, especialmente aqueles voltados ao hiperlocalismo.

Para findar: muitos que sempre bateram de forma generalizada na imprensa por sua postura “ideológica” hoje dão péssimo exemplo em seus blogs, canais e páginas nas redes sociais produzindo conteúdos ruins e tendenciosos – que em nada agregam à sociedade. O STF, por sua vez – e não é a primeira vez! -, flerta com a censura seguindo uma linha que sabemos ser tênue entre a justiça e a mordaça; mas, minha impressão, tende mais para a segunda.

(Continua…)

Ianker Zimmer

Ianker Zimmer

Jornalista diplomado pela Universidade Feevale (RS). Trabalhou no Jornal NH e na Rádio ABC - ambos veículos do Grupo Editorial Sinos. É colunista do Instituto Liberal, do site Opinião & Crítica e colabora com conteúdos ao Political Science (Fleekus - EUA). Também trabalha como assessor de imprensa e comunicação. Autor do livro "A Filosofia do Fracasso - ensaios antirrevolucionários".