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O jornalismo no Brasil (final): as oito mentiras sobre o jornalismo

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1) “O jornalista precisa ser imparcial”: esta ideia é muito difundida na sociedade. Porém, o jornalista pode sim ter opinião. O gênero opinativo faz parte da escola jornalística. O que não se deve fazer, como lemos no início desta série, é confundir gêneros, especialmente introduzir opinião na notícia, tornando-a tendenciosa.

2) “A mídia brasileira é toda de esquerda”: não é bem assim. É evidente que as redações estão lotadas de jornalistas identificados com o marxismo. No entanto, há excelentes jornalistas, sejam repórteres, editores, produtores, âncoras e apresentadores fazendo ótimo jornalismo. Muitos deles não são marxistas, pois resistiram à doutrinação da maioria das universidades.

3) “Os blogueiros e os youtubers dizem o que a grande mídia não diz”: há muita gente produzindo bons conteúdos na internet, mas, infelizmente, a maioria mostra-se despreparada e, quando não, tendenciosa. São papagaios de internet.

4) “O jornalismo vai acabar”: mentira. Ao longo dos séculos, o jornalismo passou por transformações paralelas às mudanças sociais e à evolução tecnológica. Vimos isso na segunda parte desta série, com a chegada da televisão em 1950 no período da “Era de Ouro” do rádio ameaçando-o. Contudo, ele segue firme até hoje. É claro: para aquele jornalista que passava o dia na redação fumando, tomando café e escrevendo na máquina, não existe mais espaço. Novos tempos… O certo é que o jornalismo foi, é e sempre será um pilar das democracias modernas – mesmo considerando os péssimos exemplos demonstrados ao longo da história. Observem como são Cuba, Venezuela e Coreia do Norte, com a comunicação estatizada. Pois é… ruim com o jornalismo; pior sem ele!

5) “A Globo vai quebrar sem verba do Governo”: duvido. O que vai acontecer – e está ocorrendo – é uma readequação à nova realidade financeira, assim como em qualquer empresa. Em horários nobres, há fila de espera para anunciantes. Se quebrar, não será por corte de campanhas do Governo Federal.

6) “Acabar com o jornalismo fará bem ao país”: Fidel, Maduro e Kim Jong-un sempre gostaram desse tipo de ideias.

7) “Jornalistas se formam para mudar o mundo (visão utópica): mentira. Jornalistas, via de regra, pensam em fazer nome e alavancar suas carreiras, apesar do momento atual não ser propício para sonhar tanto. Jornalistas gostam de afagos, de elogios e de likes. Se for possível ter tudo isso e poder ajudar o mundo, melhor ainda, mas na escala de prioridades cada jornalista pensa em si mesmo – e isso não é uma crítica, mas sim uma observação.

8) “Emissora tal é comunista”: bobagem. Via de regra, redações tendem ao esquerdismo. As empresas – leia-se os donos e sócios -, por sua vez, pensam em manter-se de pé, não em ideologia. Assim, podem-se ter interesses distintos dentro do veículo de comunicação. Observação: isso não vale para veículos com identidade ideológica revelada.

Findo a série com uma frase atribuída a George Orwell: “Jornalismo é publicar aquilo que alguém não quer que se publique. Todo o resto é publicidade.”

Ianker Zimmer

Ianker Zimmer

Jornalista diplomado pela Universidade Feevale (RS). Trabalhou no Jornal NH e na Rádio ABC - ambos veículos do Grupo Editorial Sinos. É colunista do Instituto Liberal, do site Opinião & Crítica e colabora com conteúdos ao Political Science (Fleekus - EUA). Também trabalha como assessor de imprensa e comunicação. Autor do livro "A Filosofia do Fracasso - ensaios antirrevolucionários".