O abuso de Crivella perante o estupro da extrema esquerda

Dois acontecimentos pesam sobre o prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (PRB). O primeiro deles é sua transformação em réu por improbidade administrativa, no caso da reunião reservada com pastores de sua rede de relações, por conta de áudios apontando que ele oferecia facilidades no acesso a serviços de saúde aos fiéis de suas igrejas.

O segundo, uma investigação aberta pelo Ministério Público contra ele por abuso de poder político. O prefeito teria convocado funcionários da Comlurb para um evento na quadra da escola de samba Estácio de Sá para pedir votos para seu filho e teria usado pelo menos dois ônibus da companhia de limpeza urbana do Rio fora do horário de expediente para transportá-los até o local.

Quando surgiu o primeiro caso e aventou-se a possibilidade, inclusive, de um processo de impeachment contra Crivella, defendi que o prefeito deveria sair e deveria ser punido pela imoralidade inadmissível de privilegiar alguns cidadãos em detrimento de tantos outros. Divergi nesse sentido, à época, de muitos amigos liberais e conservadores, lúcidos e com inquestionáveis serviços prestados ao arejamento das ideias no país, que ponderaram ser o processo um erro político, favorecendo os radicais do PSOL – vale lembrar que Crivella foi a alternativa que sobrou para impedir que o socialista Marcelo Freixo assumisse o cargo – ou que não julgaram tão evidenciados ou tão graves os atos do prefeito, que não seriam muito diferentes dos de outros tantos mandatários na mesma posição.

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A divergência é normal e deve ser recebida com absoluta tranquilidade. Não há problema nenhum com isso; humildemente, entretanto, mantive e mantenho a minha posição àquele momento, que é a de que Crivella merecia e merece ser processado e de que nossa tolerância com esse tipo de prática deve ser zero. Se o impeachment, politicamente, não se confirmou, a transformação em réu é muito justa e bem-vinda.

Por outro lado, com relação ao segundo problema, o dos dois ônibus, que apareceu esta semana, não se pode deixar de fazer certas considerações. Sim, por menor que seja, se são essas as regras do jogo, a prática de empregar o instrumento de trabalho da companhia, ainda que em tão pequena quantidade, para fins eleitoreiros e interesses pessoais, deve ser fiscalizada.

Entretanto, se Crivella cometeu abuso de poder político, igualmente é preciso deixar claro que seus principais adversários políticos no último pleito, os radicais da extrema esquerda, entendidos em conjunto, não dispõem do menor traço de moral para questioná-lo por isso. Em Crivella sendo um abusador, eles são estupradores.

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Pode haver abuso maior que o que se comete contra as mentes infantes e juvenis em formação, no laboratório de doutrinação ideológica em que consistem os nossos centros de ensino e universidades? Há anos, a extrema esquerda vem fazendo uso de sua prevalência nas instituições de ensino, da ocupação de espaços que empreendeu com sucesso desde o regime militar, para ter acesso privilegiado aos estudantes e realizar comícios clandestinos – o que, convenhamos, é mais duradouro e destrutivo que usar dois ônibus ilicitamente.

Alguns exemplos concretos: em 2016, um “debate” com as diversificadas presenças de Jandira Feghali, do PCdoB, e candidatos à vereança de seu partido e do PT, foi impedido pela Justiça, por iniciativa de Pedro Duarte, que era então candidato do PSDB a vereador e hoje concorre para deputado estadual. No mesmo ano, Marcelo Freixo – ele mesmo! – tentou realizar um “Debate pela Juventude e Cidade com Marcelo Freixo”, nas presenças inegavelmente plurais de sua então candidata a vice e do reitor da UFRJ, Roberto Leher, fundador do PSOL. Duarte igualmente conseguiu na Justiça que o debate fosse impedido.

Sobre Roberto Leher, esse mesmo senhor que hoje não admite a própria responsabilidade na queima do Museu Nacional, seu histórico mostra que também foi processado por improbidade administrativa por um ato que conduziu junto à presidente do Centro Acadêmico de Engenharia da UFRJ, Thais Zacharia, por promover atos que disfarçavam, sob a retórica da “luta pela democracia”, o combate ao impeachment de Dilma Rousseff, embora os dois tenham, ao final, sido absolvidos – o que é, no mínimo, estranho. Também na UFRJ, como em várias outras universidades, a extrema esquerda abusa do espaço que conquistou ao instaurar “cursos” sobre o fictício “golpe de 2016”, um acontecimento histórico que nunca existiu.

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Portanto, quando os descerebrados da extrema esquerda começarem a falar que o pastor da Igreja Universal é a maior calamidade que já se abateu sobre a Terra e seu abuso de poder é culpa do eleitor que optou pelo mal menor para a sofrida Cidade Maravilhosa, lembremo-nos de refrescar suas memórias prejudicadas pela ideologia do abuso sem precedentes que suas lideranças vêm cometendo, destruindo paulatinamente o que resta de pé deste grande país e comprometendo seu futuro.

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