fbpx

Mídia direitista: A grande falácia

televisão

A facilidade que os maiores veículos de comunicação têm para descrever e qualificar o extremismo de qualquer movimento não alinhado à esquerda desaparece quando se veem diante dos movimentos que ostentam símbolos e ideais marxistas. O termo “extrema-direita” surge automaticamente enquanto o termo “extrema-esquerda” é evitado a todo custo.

Podemos enxergar isso analisando a diferença de conotação que a grande imprensa dá ao relembrar os regimes nazista e soviético. Ambos perseguiram minorias, expropriaram empresas, destruíram economias, escravizaram suas populações e assassinaram dezenas de milhões de inocentes, porém, o primeiro sempre é citado como regime de extrema-direita que ainda hoje inspira grupos espalhados pelo mundo, enquanto o segundo é relembrado como um passado distante e sepultado, que influencia nada nem ninguém nos dias de hoje.

Vemos também a forma como os maiores veículos de comunicação se referem ao regime militar no Brasil: militares sanguinários representando a extrema-direita perseguiram pessoas pacíficas e independentes que tentavam reinstaurar a democracia no Brasil.

A verdade: Nunca houve sequer uma matéria num grande jornal, telejornal ou revista do Brasil correlacionando explicitamente as cores, as bandeiras, os símbolos, as palavras, as propostas, os acordos e as ações de grupos como o MST e de partidos como o PT, PCO, PCB, PCdoB, PSOL e PSTU com a teoria e a prática marxista. Líderes e militantes desses partidos invocam Marx em seus manifestos, ostentam imagens de Lenin em seus eventos e estampam a foice e o martelo em suas bandeiras, mesmo assim, não são apontados como comunistas. O regime que vem destruindo a Venezuela é apenas um… “governo que passa por dificuldades”. Os cubanos são vítimas dos Estados Unidos, não de uma ditadura de extrema-esquerda.

Qual grande veículo de direita teria em seus quadros o Mario Sergio Conti? Nenhum, mas a Globo News, vista como veículo da direita, paga um gordo salário para ele entrevistar quem quiser − quem viu sua entrevista com o Valério Arcary, orgulhoso marxista líder do PSTU?

Se existe o Rodrigo Constantino dando nome às coisas, existem também dezenas de apresentadores e centenas de jornalistas dedicados a impedir que a sociedade enxergue o que essas coisas são e o que elas querem.

A mesma verdade: A quase totalidade dos apresentadores que criticam o atual governo e dos jornalistas que denunciam os desvios do PT evitam correlacioná-los a extrema-esquerda. As críticas e as denúncias sempre são pela metade. Não qualificam nem correlacionam discursos com ações. Noticiam os acordos de cooperação entre os líderes da extrema-esquerda latino-americana da mesma forma que noticiam o nascimento de um bebê panda em algum zoológico. Os acordos entre líderes socialistas que apoiam os absurdos uns aos outros não merecem investigações mais profundas.

Dias atrás, o presidente da CUT disse para todo o Brasil ouvir, em evento dentro do Palácio do Planalto, que se o Congresso Nacional ousar abrir um processo de impeachment contra a presidente que detém apenas 7% de aprovação, ele convocará seu exército de militantes para ocupar as ruas com armas em punho. Dilma, logo ao lado, sorriu. E então? Qual apresentador ou jornalista da televisão usou o termo extrema-esquerda ao se referir a esse tipo de manifestação? Nenhum. O que se viu foi o esforço de sempre em minimizar o episódio, reduzindo-o a “palavras ditas no calor do momento”. Frase semelhante dita por alguém não alinhado à extrema-esquerda ganharia imediata repercussão como sendo mais uma “manifestação de ódio da extrema-direita”.

No mesmo dia em que o presidente da CUT explicitou seu extremismo, a embaixada norte-americana foi reaberta em Cuba, evidenciando mais uma vez a simpatia de quase todos os apresentadores em relação ao regime cubano e especialmente a Fidel Castro. No resumo que o Jornal Nacional fez da história do conflito entre os dois países, não foi dita uma única palavra que lembre que Cuba vive há meio século sob uma ditadura que perseguiu, prendeu e matou dezenas de milhares de pessoas, que mantém a população em regime de escravidão.

Lula construiu carreira incitando revoltas populares, greves gerais, expropriações e invasões, mesmo assim, a grande mídia nunca permitiu que seu engajamento fosse correlacionado com o marxismo. Eleito presidente, Lula priorizou diversos acordos com praticamente todas as ditaduras socialistas do mundo, mesmo assim, nenhum apresentador da Rede Globo foi ético o bastante para dizer com todas as letras: Lula é um dos principais financiadores da extrema-esquerda mundial.

Qual apresentador ou jornalista da grande mídia direitista já fez a seguinte pergunta à Dilma Youssef: “A senhora matou Mario Kozel?”. Nenhum, assim como ninguém ocupou o horário nobre da televisão para entrevistar um liberal ou libertário, nem nos canais a cabo. O pouco espaço que já foi dado ao outro lado sempre teve como entrevistado algum caricato conservador. Provas dessa estratégia foram vistas na cobertura das manifestações do Movimento Brasil Livre, quando as reportagens deram especial atenção a uma minoria de pessoas pedindo a volta da ditadura militar. Ontem mesmo, em mais um dia de manifestações por todo o país, esforçaram-se ao máximo em focalizar apenas pessoas branquinhas e lindas para ilustrar a versão esquerdopata de que são protestos das “elites”.

Ao acusar sistematicamente a imprensa de ser de direita, mesmo ciente do contrário, o movimento socialista brasileiro e latino-americano segue o velho procedimento marxista de intimidar e coagir até o controle total e asfixiante de toda a mídia. Se algum jornalista, mesmo sendo de esquerda, se posicionar contra um único ponto do movimento, o protocolo diz que todos devem se voltar contra ele, taxá-lo de direitista, desmoralizá-lo a todo custo até ele se render, passar a trabalhar integralmente em função do movimento − conseguindo também impedir que as ideias liberais sejam expostas à sociedade.

A mesma verdade: jornalistas são burgueses burguesíssimos, amam os frutos capitalistas, mas sempre se posicionarão contra qualquer coisa que remeta ao livre mercado, tomarão cuidados especiais ao reportar os absurdos da extrema-esquerda e não medirão esforços para desmoralizar todos os movimentos contrários. Por quê? Primeiro, porque foram formados para isso, tiveram professores marxistas em ambientes acadêmicos predominantemente marxistas; segundo, porque a independência intelectual é uma característica de poucos seres humanos, o que faz com que a maioria dos jornalistas seja meros divulgadores do discurso fácil e heroico do socialismo; terceiro, porque o engajamento socialista, principalmente quando eles estão no poder, sempre é premiado com patrocínios para livros e blogs ou com cargos e salários no Estado.

João Cesar de Melo

João Cesar de Melo

É militante liberal/conservador com consciência libertária.