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Lulla e Gilmar

 ARTHUR CHAGAS DINIZ*

O que será que, verdadeiramente, justifica o encontro do ministro Gilmar Mendes, do STF, com o ex-presidente, “em exercício”, Luís Inácio Lulla da Silva?

É certo que Lulla tem todo o interesse do mundo em adiar o julgamento do Mensalão. A enorme cobertura jornalística que teve o evento, deflagrado pela denúncia de Roberto Jefferson, o tamanho da corrupção, o envolvimento de dois bancos mineiros (BMG e Rural) e os flagrantes delitos filmados e fotografados à exaustão não permitem que a opinião pública o esqueça.

Ao convidar Gilmar para um encontro, para o qual se achava preparado, Lulla teve lucros e perdas. A principal perda se deveu à reação de Gilmar, que não vê nenhuma razão para ficar preocupado com a CPI do Cachoeira, enquanto o ex-presidente, possivelmente mal informado, acreditava que Cachoeira havia “bancado” uma viagem do ministro a Berlim. A partir desta vantagem aparente, o ex-presidente propunha a Gilmar ignorar esta “versão”, recebendo em pagamento uma garantia do Ministro no que se refere ao adiamento do julgamento do Mensalão. O adiamento não apenas evitaria um impacto sobre as próximas eleições municipais como implicaria na substituição, por limite de idade, de dois ministros do Supremo. Seriam indicados para estes lugares gente da mais estrita confiança do ex-presidente, como é o caso do jovem ex-advogado do PT que ocupa um cargo para o qual não tem a mínima bagagem jurídica.

Mas o convite de Lulla a Mendes, com uma proposta como essa, reconforta os petistas em julgamento por verem que Lulla ainda se importa com eles. Certo de que o que oferecia a Gilmar Mendes (exclusão da CPI) era moeda bastante, Lulla se viu constrangido a explicar a Dilma que devia e deve isto a seus apaniguados porque o adiamento lhes favorece, além de não atrapalhar as próximas eleições.

A troca falhou porque alguém deve ter informado mal ao ex-presidente. Ele não tinha a bala na agulha que imaginava.

E por que Gilmar teria aceitado o convite para o encontro com Lulla? Vaidade, pura vaidade.

 * PRESIDENTE DO INSTITUTO LIBERAL

 As opiniões emitidas na Série PONTO DE VISTA são de responsabilidade exclusiva do signatário, não correspondendo, necessariamente, ao ponto de vista do Instituto Liberal.
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