A crença de que políticos são Super Heróis e Papais Noéis

SuperBurocrata

“Ainda que o livre mercado fosse menos ‘eficiente’ do que o planejamento central, continuaria preferindo minha liberdade pessoal à coerção”. (Ron Paul)

A Escola de Viena sustenta que o principal ingrediente para atingir o progresso é a liberdade de escolha. Afinal, qual a chance de um burocrata em Brasília saber a melhor forma de alcançar a sua satisfação que você próprio? E mesmo que soubesse, os valores de nossas escolhas mudam ao longo do tempo. Ou seja, isso seria impossível de ser atualizado constantemente, nem de satisfazer a todos da mesma forma porque os valores atribuídos a cada bem ou serviço são diferentes para cada um.

Em que se pese a comprovada maior eficiência do livre mercado, uma vez que seu sistema de incentivos é mais adequado que o Primeiro Setor, há a predominância de pensamento que o estado deve intervir, participar e prover de tudo, mitigando as trocas espontâneas entre os indivíduos em busca de maior satisfação.

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O modelo defendido por Keynes tornou-se majoritário porque ao adotá-lo há a concessão de maior poder aos políticos. Criou-se a errônea ideia de que não é possível a sociedade desenvolver-se sem os políticos.

Nas eleições percebemos que os candidatos são tratados como “Super Heróis” porque parecem possuir “superpoderes”, haja vista que arrogam para si a responsabilidade de resolver qualquer coisa. Mesmo se os políticos fossem Super Heróis, “o poder tende a corromper, e o poder absoluto corrompe absolutamente”, isto é, quão maior os poderes lhes atribuídos, maiores as fontes de corrupção. Afinal, um estado inchado e interventor é ambiente propício a corrupção: o Candidato “Super Herói” se torna o político “Super Vilão”.

Ademais, a população parece crer que os políticos são “Papais Noéis” porque aparentemente pensam que as benesses estatais são gratuitas, situação estimulada pelos próprios políticos para agradar “grupos de pressão”. Ignoram que somente é possível haver direitos sociais enquanto houver dinheiro nos cofres públicos, em flagrante colisão com o princípio da reserva do possível, oriundo da doutrina jurídica alemã, que restringe a responsabilidade civil estatal. Essa postura, por conseguinte, é penosa e custosa ao estado.

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Dessa forma, a ideia de que os gastos públicos são custeados pelos pagadores de tributos é negligenciada ao se demandar mais gastos dos entes governamentais.

Atualmente, o estado confisca quase 40% de tudo que é produzido pelos brasileiros, sendo os pobres os maiores prejudicados proporcionalmente com sua renda. Em contrapartida, são entregues serviços bem menos eficientes e eficazes que os prestados pela iniciativa privada, cujos investimentos, inovações e maior produtividade são, por sua vez, deteriorados por carga tributária asfixiante – e crescente.

Esses fatores eclodem em um panorama em que todos querem viver às custas do estado, ou seja, de todos. Afinal, temos Super-Heróis e Papais Noéis para nos socorrerem e nos presentearem com o que quisermos – só que não.

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Se Papai Noel de fato existir, o meu desejo para ele este ano é que a crença no free lunch acabe. Por fim, se for para definir um grupo no Brasil como “Super Heróis”, quero dizer que eles existem, conseguem sobreviver em um ambiente hostil, caro, ineficiente, ineficaz e nocivo a quem pensa diferente de Keynes e discorda do Welfare State: os Super Heróis brasileiros não são os políticos, são os pagadores de impostos e empreendedores.

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