Agenda liberal: uma poposta para a falta de continuidade administrativa

Na última edição, a Agenda Liberal abordou a influência da política nas decisões. ** A seguir, o 8º segmento da série.

FRANCISCO LACOMBE *

Quanto ao terceiro problema levantado, a falta de continuidade administrativa

PROPOSTA: REDUZIR O NÚMERO DE CARGOS COMISSIONADOS

A maior parte dos cargos comissionados existe ou para abrigar os cabos eleitorais e os companheiros políticos que não conseguiram se eleger ou para obter apoio no Congresso. Eles aumentam o tamanho do Estado e, em consequência, os gastos públicos e os impostos, que prejudicam muito a competitividade das empresas e desestimulam os investimentos.

É preciso acima de tudo acabar com o nepotismo, o loteamento dos cargos e a nomeação de amigos e companheiros.

Alguém poderia acreditar que esses cargos sejam preenchidos pelo mérito, a partir de uma avaliação séria dos candidatos?

O número exagerado desses cargos também contribui seriamente para a descontinuidade administrativa do serviço público. Os projetos engavetados, as obras pela metade e os programas descontinuados são, em grande parte, consequência dessa falta de continuidade.

Se os cargos fossem preenchidos pelos técnicos concursados com base no mérito de cada um, a partir de uma séria avaliação, a eficiência da máquina pública seria outra e a continuidade administrativa estaria praticamente assegurada.

A nomeação de 22.000 pessoas a cada início de mandato provoca, ainda, uma paralisia na máquina pública por vários meses.

A falta de competência das chefias é também, em grande parte, consequência desse exagero de nomeações para os cargos comissionados.

A única solução é abolir a maior parte desses cargos.

Isto só não é feito porque a nomeação para esses cargos se constitui em moeda de troca para a obtenção de votos no Congresso e nas eleições populares. Quem paga esses votos é o contribuinte por meio dos impostos.

Além disso, a nomeação de companheiros para os cargos comissionados rende dízimos para os partidos do governo, que reforçam o seu caixa, contribuindo para sua permanência no poder, que é o que mais interessa aos governantes.

Seria preciso um governo com uma verdadeira liderança e uma ética irretocável para acabar com essa vergonha e reduzir o número de cargos comissionados para 10% dos atuais 22.000.

Em suma: é preciso instituir a meritocracia na administração pública da mesma forma que ocorre na maioria das empresas privadas.

* PROFESSOR DE ADMINISTRAÇÃO

Na próxima edição: uma proposta saudável para UM ESTADO OBESO

** Temas anteriores: O que é o LiberalismoPor que o Liberalismo é mais eficiente ; Soluções NegociadasO tamanho do EstadoOnde o risco econômico é maiorProposta para um Estado menor e mais eficienteA influência da política nas decisões.
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