Afirmando uma divisão: negros brasileiros ganham muito menos que os brancos.

Mas qual é a melhor forma de remediar essa situação?


RESUMO DE ARTIGO DA ECONOMIST *

A partir de uma descoberta de resíduos históricos na região portuária do Rio – o que os arqueólogos denominaram de “as ruínas do Valongo”, o principal ponto de chegada de escravos ao Brasil – a revista britânica mostra as origens da raça negra no Brasil e sua situação atual. Alguns fatos apontados:

  • De 1811 a 1843 cerca de 500.000 escravos chegaram ao Brasil.
  • Dos 10,7 milhões de escravos africanos embarcados para atravessar o Atlântico entre os séculos XVI e XIX, 4,9 milhões aportaram em terras brasileiras. Menos de 400.000 foram para os Estados Unidos. O Brasil foi o último país das Américas a abolir a escravidão, em 1888.
  • As razões para a extrema desigualdade socioeconômica do país estão na difusão da escravidão no Brasil, no atraso da abolição e no fato de nada ter sido feito para transformar ex-escravos em cidadãos.
  • Enquanto a maior parte da população é negra, a renda dos brancos é pouco maior que o dobro da dos negros.
  • Um velho argumento para a pobreza dos negros é que eles se encontram na base da pirâmide social – a sociedade estaria estratificada por classe, não por raça. Esse argumento é rebatido por ativistas que atribuem o problema ao racismo. Segundo eles, o legado de injustiça e desigualdade da escravidão só pode ser revertido por meio de políticas de ação afirmativa, do tipo americano.
  • Os que se opõem aos ativistas argumentam que a história das relações raciais no Brasil é muito diferente e que tais políticas correm o risco de criar novos problemas raciais. Importar a ação afirmativa do estilo americano forçará os brasileiros a se posicionarem em estritas categorias raciais, segundo o antropólogo inglês Peter Fry, naturalizado brasileiro.
  • As políticas de ação afirmativa, até agora, tiveram mais aplicação no meio universitário. Mais de 70 universidades públicas introduziram o sistema de cotas. Em 2006 o percentual de negros nas universidades era de 6,3%, o dobro de 2001.
  • No próprio meio acadêmico surgiram movimentos de oposição à política de cotas raciais: eles argumentam que a ação afirmativa parte de um ato de racismo. Além disso, mina a igualdade de oportunidade e a meritocracia – conceitos frágeis num país onde o privilégio, o nepotismo e os relacionamentos têm sido os instrumentos para o progresso pessoal.
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O artigo da Economist aborda também a questão do emprego e as dificuldades para os descendentes de negros. E propõe como solução para o problema racial no Brasil uma combinação de forte repressão legal contra a discriminação e a adoção de cotas para pobres no ensino universitário para compensar o despreparo causado por fracas escolas públicas.

*Race in Brazil. Affirming a divide – Black Brazilians are much worse off than they should be. But what is the best way to remedy that? Jan 28th. Rio de Janeiro.

 

RESUMO: LIGIA FILGUEIRAS

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Fonte da imagem: Wikipédia

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