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A lambança dos médicos cubanos

MARIO GUERREIRO*

Mais Médicos. Portal Saúde. Governo do BrasilDe todas as lambanças do governo Dilma até agora, esta parece ser a maior: a importação de médicos estrangeiros e, principalmente, de médicos cubanos.

Sob o pretexto de que o Brasil tem carência de médicos, importam-se médicos. Mas de acordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde), a proporção de médicos por habitantes está dentro das normas estabelecidas.

O problema é o da concentração de médicos nos grandes centros urbanos e, consequentemente, escassez dos mesmos nas pequenas cidades do interior.

Mas a causa dessa concentração não se deve ao diagnóstico equivocado que já fazia o Dr. Enéas Carneiro tempos atrás: ao fato que os médicos não querem ir para o interior do Brasil, mas sim ficar nos grandes centros urbanos onde a qualidade de vida é melhor.

Sem dúvida que isso ocorre, pois ninguém, em sã consciência, prefere o pior ao melhor. Mas há outra causa e esta parece ser mais relevante: os médicos não desejam ir para o interior porque, salvo raras exceções, não encontram mínimas condições para o exercício de sua profissão.

Nada mais doloroso e constrangedor para um médico do que deparar com pacientes e não dispor dos meios necessários para fazer um bom atendimento médico.

A precariedade se agrava bastante quando estão em jogo os hospitais e centros de saúde do SUS. Se no Rio de Janeiro há os que não dispõem de condições, em que faltam até gaze e esparadrapo, imagine numa cidadezinha do interior…

Desse modo, em vez de atacar o verdadeiro problema que é o das precárias condições em que se encontra o SUS como um todo, o governo Dilma gera um pseudoproblema, de modo a apresentar uma pseudossolução.

Importar é o que importa, ainda que os médicos importados sintam-se impotentes diante da grande carência de meios de atendimento que encontrarão por este Brasil afora.

Dessa pseudossolução decorrem vários barbarismos jurídicos. É sabido que a sociedade médica brasileira – assim como as de todos os países civilizados – exige um exame de capacitação para o exercício da medicina: o Revalida. Mas os médicos importados estão isentos desse exame. Por quê? Se são competentes, nada têm a temer…

Mais que isso: estão também isentos de pagamento de imposto de renda na fonte. Por quê? Por acaso são melhores do que os milhões de brasileiros que sofrem esse desconto nos seus contracheques?

Quanto ao contrato de trabalho, ele não é feito diretamente com os médicos, mas sim com o governo cubano, que repassa o dinheiro aos médicos. Segundo o governo brasileiro, eles devem receber R$ 10.000,00 líquidos, mas não sabemos quanto o governo de Cuba repassará aos médicos.

Vi na TV uma autoridade desse governo dizer que eles ganharão o mesmo que ganha um médico trabalhando em Cuba, mais um bônus por aceitarem a missão no exterior.

E quanto ganha um médico em Cuba? Duvido que ganhe mais do que uns R$ 500,00, ou seja: cerca de 5% do salário pago pelos cofres públicos brasileiros!

Diante de tamanha lambança, sou levado a pensar que o referido contrato com Cuba não passa de uma forma sub-reptícia de dar mais dinheiro aos irmãos Castro e, ao mesmo tempo, uma forma demagógica de iludir o eleitorado do interior com uma melhoria das suas precárias condições de saúde. Nada mais conveniente num período pré-eleitoral…

A que ponto o PT chegou! Não bastasse o perdão das dívidas de países africanos e de Cuba, não bastasse a reconstrução, a fundo perdido, do Porto de Mariel em Cuba! E assim vai nosso dinheiro para o ralo em nome de um esquerdismo sem peias.

* DOUTOR EM FILOSOFIA PELA UFRJ

 

FONTE DA IMAGEM: PORTAL DA SAÚDE , 27.08.2013
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