O dia 7 de abril na história do Brasil
Há 195 anos, o episódio chamado “Revolução de 7 de Abril” marcou a abdicação de D. Pedro I (1798-1834). Concluiu um processo de tensionamento entre os “liberais moderados” e o imperador, incrementado pela desconfiança dos interesses do monarca na crise sucessória portuguesa.
“A crise que ficou conhecida como Questão Portuguesa, ainda que o imperador tenha ratificado sua abdicação a qualquer direito à sucessão no trono lusitano, garantindo que permanecera apenas como imperador do Brasil, absorveu sobremaneira a sua atenção, interessado que estava em garantir o direito de sua filha. Até mesmo Benjamin Constant, o filósofo que D. Pedro havia lido e que tanto havia impactado suas reflexões e decisões, tentava seduzi-lo para ingressar em luta na Europa (…) contra o absolutismo de seu irmão.
Essa absorção não poderia agradar aos brasileiros, já descontentes com sua conexão inescapável com Portugal (…). Algumas correspondências com amigos e conselheiros sugerem que a dimensão da crise e da insatisfação perturbava o imperador a ponto de fazê-lo cogitar uma lamentável renúncia a todos os princípios liberais de que se fez campeão e emendar a Constituição com dispositivos autoritários.
(…) Não faltavam (…) vozes tentando instigar D. Pedro a acreditar que o colosso territorial (…) não poderia ser gerido por um sistema representativo e o imperador deveria renunciar a suas crenças liberais.
O golpe nunca foi levado a efeito e D. Pedro nesse particular parece ter ouvido a voz da razão, mas os deputados que prenunciavam o grupo que na Regência viria a ser conhecido como “liberais moderados” já não mais o toleravam (…).
No dia 6 de abril, a população, diante da notícia de que D. Pedro havia composto um novo ministério repleto de nobres mal vistos pelos liberais do Parlamento, acorreu ao Campo de Santana, estimulada ainda por boatos dando conta de que ele mandaria prender os líderes da oposição. Chegaram a se concentrar cerca de quatro mil pessoas, mobilizadas por chefes civis, em conluio com lideranças militares que queriam evitar uma intervenção militar como solução para a crise, apostando na pressão popular. Exigiam a dissolução do ministério. Obtiveram a dissolução do Reinado. (…) D. Pedro disse (…): ‘Prefiro abdicar a receber imposições violentas, contrárias à Constituição, feitas pelo povo e pelo exército insurgido’.” (Trechos de meu livro “Os Fundadores”, Editora Almedina, p. 155-157)



