“Entre nós e a liberdade”: a presença feminina na luta liberal
Fui presenteado pela organizadora Sara Ganime, editora-chefe do Boletim da Liberdade e integrante da diretoria do Ladies of Liberty Alliance (LOLA)-Brasil, com o opúsculo Entre nós e a liberdade, editado por esta última organização. O LOLA é uma rede internacional dedicada a engajar e formar mulheres como lideranças em prol do liberalismo, e a divisão brasileira tem sido destaque pela sua envergadura e sua produtividade.
O opúsculo é prefaciado pela deputada federal Adriana Ventura, do Partido Novo, liderança que muito admiro e que sintetiza adequadamente o que o leitor encontrará nos ensaios constantes da seleção: o tema comum da importância da liberdade como um valor que, para além de um princípio teórico fundamental, deve ser cultivado, mais do que no embate político, nas próprias vidas dos seus defensores. Dezesseis mulheres que integraram os quadros de formação do LOLA, com muitas das quais tive o prazer de travar contato e constatar a dedicação à causa liberal, compartilham em pequenos artigos suas experiências pessoais que as levaram a valorizar a condição de liberdade e suas concepções acerca desse valor.
A advogada e comentarista política Anne Dias, em seu “O preço da liberdade”, inicia a coletânea descrevendo como sua vivência nos Estados Unidos, trabalhando no Cato Institute, um dos mais prestigiados think tanks do mundo, estimulou-a intelectualmente a pensar os desafios da liberdade no Brasil e na América Latina em contraste com o legado e a obra dos pais fundadores daquele gigante do norte. “O que você veste te liberta ou te aprisiona?”, da estilista e psicanalista Bianca Mourão, provoca brevemente um olhar sobre a dimensão estética, especificamente a roupa como expressão de subjetividade, em uma sociedade que se pretenda aberta e, consequentemente, heterogênea. “O caminho da minha liberdade”, de autoria da cientista política Camilla Teixeira, parte de um testemunho do desenvolvimento da sua percepção pessoal da importância da liberdade para uma reflexão, iluminada pelo pensamento de John Stuart Mill, sobre as falhas governamentais e seus efeitos desastrosos. A economista Clara Albuquerque oferece, em seu “Entre moedas e escolhas”, uma apreciação da dimensão prática da liberdade e do papel que o próprio LOLA pode desempenhar para a formação de suas integrantes. “A liberdade em mim”, da advogada Dayviane Garcia, espelha o lugar do valor da liberdade dentro da experiência de luta político-eleitoral da autora e de sua maternidade. A data protector office da UERJ Débora Pontes, em seu “Liberdade em primeira pessoa”, é bastante concentrado em sua luta pessoal de questionamentos aos caminhos que terceiros haviam “desenhado” para sua vida, inconveniente que a fez afeiçoar-se à causa da liberdade. “Coragem que me fez livre”, da acadêmica de Direito Flávia Pompermayer, também se apoia na vida da autora, em sua ousadia de buscar desafios longe de sua cidade natal sob inspiração da filosofia objetivista de Ayn Rand. “Périplo até o LOLA” é um depoimento de Izabela Patriota, diretora de Relações Internacionais do LOLA e figura que hoje, tamanha a sua atividade, se confunde nacional e internacionalmente com a própria organização. A atual presidente da divisão brasileira, Letícia Barros, propõe um veemente rechaço ao vitimismo em seu texto “Livre-se da mentalidade anticapitalista para mudar a sua forma de ver o mundo”.
A advogada Liliane Lourenço foi bastante enfática desde o título: em seu “Me libertei com o LOLA Rio de Janeiro”, ela enaltece o impacto da organização em sua autopercepção. “A gaiola dourada”, da estudante de Direito Luiza Paulucci, é um texto mais intimista, abordando as amarras internas que nossa psicologia pode produzir para conter a aspiração por liberdade. A fundadora internacional do LOLA, Nena Whitfeld, contribui para a coletânea com o texto “Programas sociais precisam de solução comunitária”, uma ponderação sobre o associativismo, suas vantagens em relação ao governo e o papel que a mulher pode exercer nesse departamento. A própria organizadora Sara Ganime aparece com seu “Ainda sentimos”, espécie de desabafo sobre a desumanização verificada nas relações sociais por questões político-ideológicas. A especialista em mobilização política Silvia Paulucci narra em “Sempre” uma experiência tocante e inesquecível que teve durante a campanha eleitoral de Paulo Ganime para o governo do Rio de Janeiro. A estudante de Direito e Ciência Política Victoria Melo traz em “Entre a tutela e a emancipação” uma analogia entre a emancipação do adolescente, tornado adulto, em relação aos pais, e a emancipação do cidadão em relação ao Estado. A incrível e multitarefas Yara Haquim encerra a coletânea com “Educação: o caminho para a minha liberdade”, explorando sua trajetória amplamente versátil.
Recomendo este trabalho organizado por Sara especialmente às mulheres que tiverem interesse em conhecer melhor o LOLA. Elas poderão, a partir do testemunho de pessoas que identificam nessa organização uma fonte de inspirações e transformações positivas para a vida, apreender argumentos para refletir se lhes seria oportuno integrar as mesmas fileiras.



