O Senado impôs a Lula a maior derrota institucional de seu governo?
A rejeição de Jorge Messias ao STF é uma humilhação institucional de enormes proporções.
Pela primeira vez em mais de um século, um presidente da República vê seu indicado ao STF ser barrado pelo Senado, expondo de maneira cristalina a fragilidade política de um governo que já não consegue impor sua vontade nem mesmo em suas prerrogativas mais estratégicas.
A derrota isola Lula, enfraquece sua imagem de liderança e pode acelerar reflexões dentro do próprio campo governista sobre a viabilidade de sua candidatura à reeleição. O Senado atirou no Bessias e pode acertar de morte a candidatura de Lula. Não duvidem se esse resultado livrar o Brasil do cadáver político do Lula.
Mas é fundamental compreender que essa derrota não simboliza uma vitória das virtudes que deveriam nortear qualquer indicação à Suprema Corte, como senioridade, inteligência, sensatez, notório saber jurídico ou grandeza institucional.
Revela, na verdade, que quem verdadeiramente dita os limites do poder em Brasília ainda é o Centrão. Quando o bloco parlamentar dominante decide quem deve ou não ocupar espaços estratégicos, nem mesmo a máquina poderosa do Executivo consegue prevalecer.
Se o nome preferido era outro (Rodrigo Pacheco), a vontade presidencial se submete aos ditames de quem manda de verdade.
Talvez Lula compreenda o tamanho do desgaste e escolha não insistir em nova indicação neste momento, deixando a decisão para o próximo ciclo político. Caso vença novamente, poderá fazê-lo respaldado por uma renovação direta das urnas. Caso perca, caberá ao sucessor essa prerrogativa constitucional com legitimidade democrática.
Essa é minha aposta para hoje.
E mesmo com essa derrota petista sendo feita com base nas razões erradas, dane-se.



