Voto Consciente e o Papel da Política em Nossas Vidas

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Muito se fala, em especial em período eleitoral como o que hoje vivemos, a respeito da necessidade de se votar de forma consciente.  O tal “voto consciente” seria o elemento chave de uma democracia, e, no caso do Brasil, o instrumento redentor de nosso combalido e desacreditado sistema político. Se o eleitor votar de forma consciente, todos os males da nossa política serão extirpados e nos tornaremos um país desenvolvido. Mas o que seria, afinal, o “voto consciente”?

Para algumas pessoas, votar consciente significa estar bem informado sobre os candidatos e sobre seus projetos, promessas, trajetórias, formações, realizações, etc. Partindo daí, seria apenas uma questão de comparar projetos e perfis políticos para se ter um voto “consciente”. Mas será isso o suficiente para um voto verdadeiramente consciente?

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Creio que não. O voto consciente passa também pela compreensão das funções e limitações dos cargos em disputa (o que faz um vereador, um senador, um prefeito, etc). Mas, antes de mais nada, passa pela compreensão do papel da própria política na nossa sociedade, qual é e qual deveria ser. A interferência do Estado nos rumos das vidas de seus cidadãos deve ser tão restrita quanto possível ao minimamente necessário. As demandas por maior atuação governamental em nossas vidas são o alimento do político corrupto e ineficiente (afinal, isso significa mais e mais poderes em suas mãos). Isso se reflete também na proliferação de partidos socialistas e intervencionistas dos mais variados matizes, sempre dispostos a aumentarem sua parcela de poder e recursos extraídos da sociedade por meio de impostos para buscar suas próprias finalidades.

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Trata-se, no entanto, de uma ficção com tons tragicômicos acreditar que realmente nos tornaremos uma sociedade mais desenvolvida, próspera e justa simplesmente delegando a eles atribuições e responsabilidades que cabem a nós como indivíduos e como comunidade/sociedade civil. Como ensinou o pensador francês Frédéric Bastiat, enquanto a maior parte da população continuar vendo o Estado como um meio de viver às custas dos demais (ignorando que é ele quem vive às custas de todo mundo), seguiremos nos frustrando com a política.

Vivemos em um sistema onde quem promete mais “direitos” e benesses com chapéu alheio é quem leva o voto do eleitor. Ignoramos que tudo aquilo que o Estado dá a Paulo nada mais é do que uma porção daquilo que ele antes retira do bolso de Pedro, Maria, José e do próprio Paulo. Seguindo a lição do próprio Bastiat – um pensador monumental, solenemente ignorado no Brasil: “Não devemos esperar senão duas coisas do Estado – liberdade e segurança, tendo bem claro que não se poderia perder uma terceira coisa, sob o risco de perder as outras duas”. Compreender isso é um passo fundamental para o voto consciente.

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Comentários

  1. Fala-se bastante em voto consciente. Poderíamos falar também em não voto consciente. Sabemos por observação que o político de hoje é um profissional que busca enriquecer com a coisa pública e manter-se em poder, não é um idealista que se propõe a lutar por desenvolvimento da humanidade, com raríssimas exceções. O modelo político e governamental brasileiro está em verdadeira crise de patologia. O voto apenas dá continuidade ao modelo. O eleitor precisa conhecer os verdadeiros motivos dos políticos e ao fazer isso, concluirá que o não voto consciente levará obrigatoriamnete a uma necessidade de mudança no atual sistema.