‘Vamos acabar com a miséria!’

CARLOS TERRA FERREIRA *

Todos nós conhecemos o desafio oficial do Estado Brasileiro, que fala em nome do País e que encabeça estas linhas.

Observador da cena brasileira e do alto dos meus muitos anos, previa que algo neste sentido sucederia às inconsequências anteriores – “Brasil um país de todos” e  “o brasileiro não desiste nunca” – que não indicam nenhum caminho e hipocritamente pretendem transmitir sentimento nativista e tenacidade. São palavras absolutamente inconsequentes, vazias de conteúdo e infelizmente mal intencionadas.

Como consequência do que diz a sabedoria popular “tudo tem a sua razão de ser” e a reflexão do filósofo: “vejo como as coisas são e me pergunto: Por quê? Penso em como elas poderiam ser, e aí me pergunto: Por que não?”, depreende-se que o novo chamamento oficial para acabar com a pobreza possui vícios criminosos e, principalmente, hediondos porque intencionais.

É elementar em psicologia que o chamamento para destruir (acabar), mesmo algo que se pretenda erradicar, se substituído pela ação inversa de construir, motiva superior e superlativamente aquele que se pretende influenciar. Assim, se chamássemos para: “vamos ser o celeiro do mundo e enriquecer”, estaríamos indicando um caminho para olhar para cima orgulhosa e entusiasticamente, ao invés de prestar atenção no andar de baixo, onde reside a miséria.

Como se vê é elementar; não é possível que nenhum dos 35.000 funcionários públicos com salário superior a R$ 15.000,00 não tenha conhecimento deste princípio e que, portanto, a escolha da alternativa de “destruir” tenha sido intencional, teve a razão de ser.

Justamente aí é que reside a má intenção e a premeditação de cometer contra a sociedade brasileira o sadismo e a canalhice que são marcas registradas de nossos dirigentes, eis que ao dirigir a mensagem para o seu lado emocional (acabar com a miséria, não existirem mais brasileiros miseráveis), dá à mensagem roupagem de “politicamente correto”, “preocupação social”, “cuidado com os carentes” e outros assemelhados. Merece o rótulo de “sensibilidade inconseqüente”.

Paralelamente, oferece ao operador do programa legitimidade para ampliar o diâmetro do duto que tira recursos dos produtores, passa pela represa da corrupção para, ao final, irrigar residualmente o colégio eleitoral cativo por força dessa benesse, dos desgraçadamente ainda miseráveis deste País.

Os dirigentes nada precisam fazer, nenhuma ação construtiva é necessária, basta falar ao coração dos brasileiros e consumar a traição aos melhores. Sempre que um político usar de argumentos dirigidos ao seu sentimental, ele está lhe roubando. Pode ter certeza disto!

A outra alternativa, “ser o celeiro do mundo, enriquecer”, exige da parte dos governantes uma série enorme de ações, esforços, tenacidade e trabalho, muito trabalho. Há também que conviver com o verbo enriquecer, que em política é proscrito, pois carrega consigo a necessidade inarredável de ser melhor, se distinguir, competir e sempre, diuturnamente, estudar, trabalhar, poupar investir, acreditar e progredir. Este caminho exige que o ser humano saia das trevas da ignorância, ganhe luz própria e, portanto, se torne livre para exercer o seu mais divino direito, que o distingue de todos os outros animais, o direito de escolha.

É justamente este o vício oculto principal da mensagem criminosa: cassar o direito de escolha dos miseráveis e assegurar seu voto de cabresto, comprando-o por miseráveis migalhas, que destroem sua auto estima, seu orgulho, seu amor próprio e o condenam à mendicância eterna.

É este o crime hediondo, a que me referi linhas atrás. É necessário que aqueles que possuem consciência cívica se unam contra esta barbárie, sob pena de, não fazendo, assumirem cumplicidade perante a História.

Vamos assumir o comando deste país maravilhoso, enriquecer, fornecer comida para o mundo, sem precisar “acabar com a miséria” porque isto será consequência do nosso êxito. É esse, apesar dos bandidos que nos governam hoje, o desígnio do Brasil.

*PECUARISTA

fonte da imagem: WIKIPÉDIA

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