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A temporada de chantagem sindical

Estamos há menos de um mês da Copa e já está aberta, oficialmente, a temporada de chantagem sindical. Os estádios não estão prontos, nossa infraestrutura está em frangalhos, mas as greves estão em pleno vapor. Policiais, professores, motoristas, funcionários de museus e tantos outros aproveitam o momento para “colocar a faca no pescoço” da sociedade. Isso mesmo, da sociedade. Afinal de contas, quem paga isso tudo? Como gosto de dizer, a resposta é simples: os “pagadores de impostos” – essas pessoas odiosas que trabalham ou empreendem, gerando riquezas e empregos.

 

O finado Roberto Campos costumava dizer, que, no Brasil: “Não temos uma democracia. Temos uma surubocracia anarco-sindicalista”. Para variar, ele estava certo. Pior, ainda continua certo. Esse país não muda mesmo. Campos faleceu em 2001, mas os sindicatos continuam fazendo das suas.

 

A chantagem, em si, já é um ato odioso e pérfido. Mas, quando as câmeras de todo o mundo estão em nosso país, esse circo de horrores traz consequências mais graves. Abraham Lincoln tem uma frase muito pertinente para a situação:  “Às vezes é melhor ficar calado deixando que os outros pensem que você é um idiota, do que abrir a boca e não deixar nenhuma dúvida”. Pois bem. A chantagem sindical traduz-se no ato de abrir a boca para o mundo e deixa claro que o Brasil é uma zona, um caos – sem lei, nem ordem – e sem um mínimo de organização.

 

Nunca vi um tiro no pé tão grande. O brasileiro tem problemas sérios em compreender a diferença entre país e governo. As greves – em um momento no qual se tem um evento internacional – afetam o país. É a imagem do Brasil que está em jogo. As consequências para os governantes são mínimas, e, como sabemos, são esquecidas rapidamente e não afetam as próximas eleições. Todavia, ficará registrado, para o mundo, que o nosso país é uma bagunça, um verdadeiro festival de incompetência e desmandos. É isso que queremos?

 

Bom, de uma vez por todas, nosso país não se confunde com o governo. Ainda que não apoie a Copa do Mundo, ainda que seja contra o estado atual das coisas com o PT no poder, nunca vou transformar o país em motivo de chacota global. Aos que não sabem, é perfeitamente possível amar o Brasil e odiar o governo. O Brasil não é o PT!! Ou seja, os grevistas e sindicalistas – com suas chantagens de momento – farão um mal danado ao país e a nação, mas não prejudicarão o partido que atualmente está no governo. Deviam, com todo o respeito, ter consideração, ao menos, pelos “pagadores de impostos”, que, na realidade, produzem as riquezas que revertem nos salários de funcionários públicos.

 

Transformar o país em um fiasco mundial pode prejudicar os investimentos, e, por via de consequência, afetar a capacidade dos empreendedores e demais em gerar riquezas. Consequência: redução da arrecadação. Com isso, nada de aumento para o funcionalismo. Será que os cidadãos não conseguem enxergar isso? Será que os ilusionistas sindicais conseguiram anular toda a capacidade crítica das pessoas? Espero, sinceramente, que não.

 

Leonardo Correa

Leonardo Correa

Advogado e LLM pela University of Pennsylvania, articulista no Instituto Liberal.