A resposta do mundo livre: “Je suis Charlie”


Je_suis_Charlie_Strasbourg_7_janvier_2015O brutal atentado terrorista contra a equipe de redação do jornal parisiense Charlie Hebdo, que deixou doze mortos e onze feridos, é o novo capítulo da Guerra contra o Terror que começou em 11 de Setembro de 2001 com o ataque às Torres Gêmeas em Nova Iorque.

No sangrento episódio parisiense foram mortos quatro importantes chargistas franceses: Charb, Cabu, Tignous e Wolinski, além do colunista econômico Bernard Maris, outros jornalistas que participavam da reunião de pauta do jornal e dois policiais. Ao todo, doze vítimas fatais e onze feridos. Paralelamente, uma dupla terrorista tomou reféns, no dia seguinte, numa loja de produtos judaicos na região de Vincennes, da capital francesa, no contexto de uma ação em apoio aos terroristas que praticaram o primeiro atentado no centro da cidade e que estavam cercados pela polícia numa região situada ao norte de Paris.

O novo capítulo da guerra do terrorismo islâmico contra o mundo livre atacou jornalistas. Ataque covarde, milimetricamente preparado por um comando treinado no Iêmen e que se identificou como pertencente à Al Qaeda. Foi clara a mensagem: ninguém pode pensar livremente! Os estúpidos militantes gritaram terem vingado o profeta Maomé, lembrando as charges publicadas pela imprensa ocidental em 2012.

A vingança terrorista ataca em qualquer lugar do Planeta. Coopta jovens desequilibrados e vinculados a grupos islâmicos. Deixa passar algum tempo, meses e até anos, para dar cumprimento à sentença de morte apregoada pelos imãs radicais contra os que ousarem divergir do pensamento único. Mas o mundo livre não se deixará encurralar por meia dúzia de ensandecidos. No caso do atentado em Paris, a polícia francesa eliminou os dois terroristas mais destacados.

Outros islâmicos radicais continuarão, no entanto, com o projeto criminoso de intimidação. Mas a liberdade ganhará mais essa batalha. O mundo livre repetiu imediatamente, em passeatas multitudinárias, a consigna dos cidadãos franceses “Je suis Charlie” (“Cada um de nós é Charlie”) ou, como versou a tradução inglesa, “We are Charlie” (“Todos somos Charlie”).

O terrorismo com tintes religiosos, essa nova forma de obscurantismo que dá as caras nos degoladores do Estado Islâmico, no Boko Haram*, nos militantes de Al Qaeda e de outros grupos terroristas, quer ver morta a inteligência e a liberdade de pensamento. Todos eles insistem em eliminar cristãos, jornalistas, trabalhadores humanitários e em assassinar ou prender estudantes, sobretudo mulheres. É uma tentativa de intimidação contra a conquista das liberdades civis defendidas pelas democracias ocidentais. O que esses loucos têm a oferecer é o império da morte e da destruição.

O Presidente François Hollande, no emocionado pronunciamento que fez à nação francesa após o atentado, afirmou: “É a República, é o pluralismo é a democracia. É tudo isso que foi visado”. E concluiu: “A liberdade será sempre mais forte do que a barbárie. A França soube sempre vencer os seus inimigos quando soube se unir ao redor dos seus valores. Unamo-nos e venceremos”.

O escritor francês Pascal Bruckner prestou homenagem às vítimas do jornal Charlie Hebdo frisando que esse massacre a sangue frio constituiu “uma nova etapa da guerra que o islamismo radical deflagra contra as democracias ocidentais”.

O diretor de redação do jornal Le Figaro, Alexis Brezet, frisou: “É uma guerra, uma verdadeira guerra, conduzida não por soldados, mas por assassinos nas sombras, matadores metódicos e organizados cuja tranquila selvageria gela o sangue. Essa guerra matou ontem, em pleno centro de Paris”. A essas emocionadas palavras de repúdio juntaram-se as declarações dos principais líderes do mundo, desde Barack Obama, nos Estados Unidos, passando pelos chefes de Estado europeus e por líderes políticos e intelectuais do mundo todo, inclusive de países com tradição islâmica moderada.

A presidente Dilma corrigiu o sério escorregão que deu na abertura das sessões da ONU, no final do ano passado, em Nova Iorque, quando criticou a resposta armada dos Estados Unidos e das potências ocidentais contra os selvagens do Estado Islâmico e apregoou o diálogo com os terroristas.

Pelo menos a presidente brasileira poupou o País do constrangimento a que nos expôs na sessão da ONU e condenou claramente o ato terrorista acontecido em Paris contra o jornal francês, defendendo a liberdade de imprensa como algo essencial à democracia.

Falta que o seu ministro das comunicações, o sindicalista Berzoini, se some a essa posição, engavetando de vez a estúpida proposta de controle social da mídia, que outra coisa não é senão um atentado contra a liberdade de expressão, com que a petralhada ameaça a democracia no Brasil.

[divide]

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N.E.: Artigo publicado originalmente no blog do autor

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imagem: Wikipédia; links atribuídos pela Editoria
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Comentários

  1. A condenação ao atentado não é a exposição de um julgamento, mas meramente a afirmação de um slogam político: a tal liberdade de imprensa. Assim o ataque à imprensa livre é condenado meramente numa encenação teatral daqueles que apoiam ostensivamente a imprensa cativa de Cuba.
    É tolo crer que pulhas que não se cansam de alardear seu apreço pela tal democracia – um tabu – sejam os mesmos que não se cansam de louvar o sistema cubano curvando-se reverentes ao maníaco Fidel Castro. Não faz qualquer sentido tal cretinice política onde canalhas se afirmam defensores da democracia ao mesmo tempo que louvam as mais sanguinárias ditauras do planeta.
    Fica evidente que não dão qualquer valor ao significado das palavras que pronunciam, usando-as apenas como ostentação de aparência para impressionar, algo como exibir uma bela fruta de plastico ou passar os dedos impregnados com o cheiro artifical de carne nos focinhos de cães.

    Em política as palavras são pronunciadas sem que o falador faça qualquer concessão ao seu significado como meio de comunicar fatos e análises. São pronunciadas apenas como símbolos a serem exibidos, tal qual o abanar de uma bandeira ou o gesto do jogador que beija o escudo do clube. Na guerra pela via política as palavras não significam nada além imagens e cheiros para atrair imbecis incapazes de refletir sobre quem as pronuncia.

    Somente os muito distraídos poderiam acreditar que alguém que pouco se importa com a amputação de cabeças possa ter um julgamento contrário a assassinatos praticados pelos mesmos partidarios dos decapitadores.

    Não faz sentido quem se mostra condescendente com decapitadores de dezenas de cabeças, derrepente se comover com o assassinato de uma duzia de integrantes da midia. Não fosse um orgão de midia o alvo dos maníacos e os meios políticos pouco se importariam com os assassinatos. Contudo, a sotentação de indignação apenas se dá por conta do “TOTEM” midiatico.

    Centenas de pessoas comuns são assassinadas todos os dias por facínoras e os mesmos governantes aprovam leis para soltar estes facínoras para que passem a semana de datas comemorativas com seus parentes e amigos …E ELES SAEM E VOLTAM A MATAR.

    Ora, não faz sentido comover-se pelo assassinato de pessoas que atuam na midia, por conta de tal atividade, ao mesmo tempo que observam com a mais nítida expressão blasé o fato de bandidos assassinos serem por eles liberados e voltarem a praticar latrocinios, sequestros e assassinatos de indivíduos cuja a atividade é trabalhar para sustentarem-se.

    Como partidários do socialismo (= poder absoluto para hierarquia estatal) que defendem e louvam ditaduras genocidas que mataram partindo das dezenas de milhar até as dezenas de milhões, de INOCENTES da própria população pacífica e indefesa, se alardearem ferrenhos adeptos da democracia dando gritos de horror e ostentando caretas de indignação ao falarem do chileno Pinochet que apenas revidou agressores que já começavam a matar inocentes. Sendo que Pinochet entregou um pais em franco progresso, com a população usufruindo de boa renda e serviços estatais de qualidade.

    Absurdamente estes pulhas que tanto se ostentam democraticos, fazendo caretas de indiganação e soltando seus gritinhos histéricos contra o malvado Pinochet, tanto quanto ostentam comoção ao se referirem à dita dura brasileira, são os mesmos que louvam ostensivamente Fidel e o regime cubano que mantém sua população escravizada na mais estonteante miséria, sem usufruir de qualquer serviço estatal minimamente dignificante. São os mesmos que se esfregam nos ditadores da Coréia do Norte e de paisecos africanos, que mantêem suas populações na mais indignificante MISÉRIA e SERVIDÃO, ao mesmo tempo que tais auto intitulados igualitários vivem em palácios e cercados de todo o luxo que podem extrair de suas populações escravizadas.
    Curiosamente os patéticos louvadores da igualdade material se valem das armas, como bandidos comuns, para roubarem e tiranizarem suas populações indefesas e usufruirem da mais perversa DESIGUALDADE para com suas populações SERVIS.
    Fidel e a alta hierarquia estatal com seus inúmeros palácios e chacaras luxuosas, os ditadores coreanos des Kim Il Sung até ao cara de baiacu atual que se resfestelam em suas festanças e palácios enquanto recomendam que a população como capim para matar a fome. …e por ai vai.
    E alguém ainda dá credito ao que falam estes pulhas? Dar crédito a tais maníacos desprezíveis só se compara à covardia politicamente correta de condenar Pinochet como ditador sanguinário, mesmo sabendo que em seu Chile a imprensa podia fazer qq critica a seu governo, porém não tolerava assaltos, sequestros, assassinatos e violações a direitos estabelecidos, combatendo agressores, apenas, e deixando os que trabalhavam para viver livres e usufruindo de serviços estatais razoaveis. …mas foi combatido politicamente com caretas e gritos histéricos de indignação por “democratas” a soldo de ditaduras genocidas a que louvam em grande reverência.

    …humanos! …cuisp! demasiado humanos!