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Qual será o nosso legado?

MARCUS VINÍCIUS DE FREITAS*

“Não se engane. Cada geração será julgada. E também a nossa.

O que dirão nossos filhos e netos a nosso respeito? Dirão que escondemos nossas cabeças no buraco, que relaxamos devido ao conforto que adquirimos, que nossos problemas eram demasiadamente grandes e nós demasiadamente insignificantes, e que um outro alguém teria de fazer a diferença porque não pudemos?” (Chris Christie).[1]

 

Creio que melhores palavras não poderiam ter sido selecionadas pelo Governador Republicano, Chris Christie, na Convenção do Partido Republicano. Toda geração tem a obrigação de deixar para as futuras um legado maior e melhor do que recebeu, sob pena de entrar para a História como irrelevante, deixando para o futuro uma dívida embaraçosa.

O Brasil sofre hoje pelos erros das gerações passadas. A preguiça de nossos ancestrais, ao preservar a vergonhosa escravidão, é hoje um dos motivos principais de tamanha desigualdade social no Brasil, que persistirá, por gerações, enquanto a questão econômica não for resolvida no País, não por medidas estapafúrdias, como aquelas que se desenham em Brasília, com o sistema de cotas na universidade, mas pela melhoria efetiva das condições econômicas da população e da reforma do processo de formação educacional nos estágios iniciais.

Sofremos pelos erros de gerações que admitiram a instalação de ditaduras – civis e militares – e, ao invés de resistirem arduamente, abriram mão do bem mais precioso, que é a liberdade, em troca de privilégios e ganhos pessoais, aceitando ser esmagados por um Estado que é cada vez mais sufocante.

A jornada da vida de nossos filhos e netos parece seguir no mesmo destino. Observamos, atualmente, em nós uma geração que se acovarda em dizer não ao modelo econômico vigente, o sistema judiciário ineficaz, um Poder Executivo cada vez mais concentrador e a falta de um projeto de futuro para este País. Tornamo-nos escravos do Estado, que leva cinco, quase seis, meses de nossas vidas com o peso dos impostos, diluídos pela incompetência administrativa de nossos agentes públicos, uma máquina estatal que não privilegia o mérito e pela corrupção rampante.

Sempre se disse que, para deixar um legado, o Homem deveria plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro. Mais importante do que estas três coisas, é hora de pensarmos, efetivamente, em deixar um País decente para as futuras gerações.

O Brasil não produz estadistas. O último que tivemos – nosso querido Patriarca da Independência José Bonifácio de Andrada e Silva – envergonhava-se da leniência das elites existentes com a questão da escravidão. Ele tinha razão. Poucos surgiram, posteriormente, que conseguiram ascender a esse status de estadista, depois da sua morte.

Não é problema só do Brasil. Como bem disse o Governador Christie, também os Estados Unidos passam pela mesma situação. E estão muito preocupados com isso.

Será que faremos a diferença? Seremos a geração que reformou o sistema político brasileiro, criando o voto distrital puro, reduzindo o número de partidos e tornando-os verdadeiramente democráticos, além de restaurar a ideologia no debate político? Seremos a geração que reduzirá impostos e estimulará o crescimento e desenvolvimento do País, reduzindo, drasticamente, a corrupção que corrói o futuro? Enfim, deixaremos como legado um Brasil com capacidade de crescer sustentavelmente, construindo a infraestrutura educacional, econômica e física para atingir tal objetivo?

Como agentes de transformação e formadores de opinião, é chegado o momento de sairmos da zona de conforto e sermos grandes para fazer a diferença. Esta é a convocação. Esta é a hora. Qual será o nosso legado?

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* Professor de Direito e Relações Internacionais, FAAP

 

Fonte das imagens: Wikipédia e site Eu voto distrital

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