Farinha pouca, meu pirão primeiro
Dizem que, se você quiser realmente conhecer uma pessoa, dê-lhe poder. Longe de suspeitar do adágio popular, ouso dizer que há uma maneira ainda mais eficaz: mexa em seu dinheiro. Amigo vira inimigo. Funcionário vira sindicalista. Homem vira bicho. E até comuna vira capitalista.
Jones Manoel, conhecido militante comunista nas livres redes deste Brasil varonil, foi notícia nos últimos dias em virtude de pendenga com seus companheiros de partido e luta. Segundo o próprio, membros do PCBR (Partido Comunista Brasileiro Revolucionário) queriam “socializar” o canal do Youtube Farol Brasil, criado e mantido por ele. “O PCBR queria assumir o controle do Farol Brasil, mas assumir o controle do Farol Brasil sem ter condições de administrar o canal e sem garantir a minha renda financeira e a renda da minha família”, disse.
Jones não é apenas mais um rapaz latino-americano… Historiador pela Federal de Pernambuco, o jovem rapaz (apenas 36 anos) acumula milhões de seguidores em suas redes sociais. Suas pautas? Basicamente divulgação das utopias comunistas – que, onde implementadas, só fizeram trazer fome, miséria e morte ao povo! Confesso ao leitor, até poucos dias atrás não conhecia muito sobre o sujeito, exceto por um ou outro recorte de debate entre ele e alguma figura conhecida do campo da direita.
O que conheço bem, isso sim, são as ideias que ele prega. Não é o objetivo deste artigo fazer uma análise profunda sobre os pilares do comunismo, mas tem coisa que todo mundo sabe: propriedade privada, na cabeça dessa gente, é inadmissível! No capitulo II de seu Manifesto do Partido Comunista, Marx é muito claro: “Neste sentido, os comunistas podem condensar a sua teoria numa única expressão: abolição da propriedade privada.”
Ora, não resta dúvida de que canais de mídia no Youtube são propriedade (estão vinculados a uma ou mais pessoas) e são privados (proprietários de canais recebem proventos a depender dos resultados e alcance dos conteúdos, algo bem meritocrático, frise-se). Não sei se Jones recebia pouco ou muito da plataforma. Não importa! Se o canal é seu e a empresa aferiu os resultados dos conteúdos, nada mais justo que ele receba o proporcional/ combinado disso.
A pergunta que resta é: mas e a ideologia? Socialização que dá em Chico não dá em Francisco? Pelo jeito, não… Jones Manoel está descobrindo na prática a dor diária de milhões de autônomos e pequenos empresários brasileiros: se o estado tomar meu ganha pão, como eu fico? Se um burocrata lá em Brasilia inventar uma regra nova amanhã, o que acontece com meu negócio? Se eu não conseguir pagar essa quantidade absurda de impostos, vou sustentar minha família de que jeito?
Pois é, Jones… Bem-vindo à realidade, camarada! Bem-vindo ao dia a dia do povo que você diz defender. Como pode ver, “aqui embaixo, as leis são diferentes”. O episódio, no entanto, não parece ter causado maiores reflexões no campo das ideias. Jones Manoel tem se apresentado como pré-candidato a deputado federal pelo indefectível PSOL, para a surpresa de absolutamente ninguém.
Não sei o que o futuro lhe reserva. Mesmo assim, arrisco dizer que os velhos e batidos discursos continuarão os mesmos. “À causa/pela causa, tudo!”, eles dizem… Pelo visto, só até a pagina 2! Afinal, se a farinha é contada, meu pirão é prioridade, não é mesmo, Jones?
*Marlon Reguelin é empreendedor.



