Alemanha: uma migração que prejudica em vez de beneficiar a economia

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Todos os anos, desde 2011, mais de um milhão de pessoas imigram para a Alemanha vindas do exterior. Entre 2011 e o final de 2023, o crescimento líquido da população totalizou 7,1 milhões de pessoas. Em seu livro Absturz. So retten wir Deutschland (em português, Queda: como salvamos a Alemanha), Daniel Stelter escreve: “Isso, juntamente com a migração interna contínua para as regiões metropolitanas, explica a escassez de moradias e o aumento dos aluguéis…” Sim, essa é uma explicação, além de outra: as exigências governamentais cada vez maiores para a construção de moradias tornaram a construção na Alemanha cara demais, enquanto os investidores são desestimulados pela constante criação de novas regulamentações.

Custos de 50 bilhões de euros por ano

Em seu livro, Stelter também examina as consequências econômicas da migração em massa. Segundo Stelter, os custos fiscais da migração representam um enorme peso para as finanças públicas. Com cerca de 50 bilhões de euros por ano, os gastos eram comparáveis ao orçamento de defesa da Alemanha antes de seu aumento. O saldo entre, de um lado, os impostos e as contribuições sociais pagos e, de outro, os benefícios sociais recebidos do governo é negativo.

Segundo os dados atuais da Agência Federal de Emprego, quase metade de todas as pessoas que recebem “Bürgergeld” não possui passaporte alemão. Em 2025, foram contabilizados cerca de 5,3 milhões de pessoas que recebiam Bürgergeld, das quais aproximadamente 2,5 milhões eram estrangeiros. Isso corresponde a cerca de 47%. A proporção é ainda maior quando se consideram não apenas os estrangeiros, mas todas as pessoas com histórico migratório, incluindo cidadãos naturalizados ou filhos de imigrantes que possuem passaporte alemão. Segundo dados da Agência Federal de Emprego, já em 2023, cerca de 62,8% das pessoas que recebiam Bürgergeld aptos a trabalhar tinham histórico migratório.

13 anos consecutivos com mais de 100 mil solicitantes de asilo por ano

Os altos benefícios sociais são uma das razões pelas quais muitas pessoas são atraídas pela Alemanha. As leis alemãs de asilo tornam isso particularmente fácil. Stelter escreve: “2025 já é o 13º ano consecutivo em que mais de 100 mil pessoas solicitaram asilo pela primeira vez na Alemanha. Embora a maioria dos pedidos seja rejeitada, essas pessoas permanecem no país… Mais problemático ainda é o fato de que um número cada vez maior dessas pessoas, que oficialmente possuem apenas um status de permanência tolerada, obtém a cidadania alemã depois de apenas cinco anos no país. Portanto, é possível entrar ilegalmente no país, ter o pedido de asilo rejeitado por esse motivo e, cinco anos depois, ser recompensado com a cidadania”, argumenta Stelter.

Quem imigra e quem emigra

Os números atuais confirmam essa tendência: no ano passado, a Alemanha registrou quase 310 mil naturalizações — um recorde desde a introdução de estatísticas unificadas em 2000. No ano anterior, o número ainda havia ficado em torno de 292 mil, segundo o jornal Die Welt.

Devido às mudanças demográficas, a Alemanha precisa de imigração. O problema é que o país está atraindo principalmente imigrantes com baixa qualificação, muitas vezes sem formação profissional ou conhecimentos do idioma. Ao mesmo tempo, um número cada vez maior de alemães altamente qualificados está deixando o país.

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Os alemães que emigram são, em média, significativamente mais qualificados do que a população em geral. Um estudo do Instituto Federal de Pesquisa Demográfica e da Universidade de Duisburg-Essen concluiu que cerca de 75% dos alemães que emigram possuem diploma universitário. Entre os alemães que não emigram, esse percentual é de apenas cerca de 25%.

A OCDE também descreve explicitamente os alemães que emigram como “talentos no exterior” e destaca seu nível de escolaridade acima da média. Já em 2010/2011, mais de três milhões de pessoas nascidas na Alemanha viviam em outros países da OCDE, muitas delas com alto nível de qualificação acadêmica ou profissional. Jovens profissionais e pessoas com formação universitária têm uma probabilidade particularmente alta de emigrar. Segundo análises do Instituto de Economia Alemã (IW) e dados da OCDE, muitos alemães deixam o país no início de suas carreiras profissionais. Os destinos mais populares são Suíça, Áustria, Estados Unidos e Canadá. Os principais motivos são melhores oportunidades de carreira, salários mais altos, impostos mais baixos e condições de vida mais atraentes.

Essa questão é economicamente explosiva porque, ao mesmo tempo, a Alemanha sofre com a escassez de mão de obra qualificada. Os mais afetados são, em particular, os profissionais das áreas de STEM, bem como especialistas altamente qualificados das áreas técnica e científica. Stelter está certo ao escrever: “Deveríamos primeiro trabalhar para tornar a Alemanha mais atraente para as pessoas que já vivem aqui antes de nos concentrarmos na imigração.”

Impostos altos e benefícios sociais elevados

Esse é justamente o problema: a Alemanha é atraente para as pessoas que vivem de benefícios sociais e menos atraente para quem trabalha. Os benefícios sociais estão entre os mais altos do mundo, enquanto os impostos e as contribuições sociais também estão entre os mais elevados. Segundo a OCDE, a carga combinada de impostos e contribuições para a seguridade social sobre trabalhadores solteiros com rendimento médio na Alemanha ficou recentemente em torno de 47,9%, significativamente acima da média da OCDE, de aproximadamente 34,8%.

Famílias com muitos filhos — e muitas famílias de imigrantes se enquadram nessa categoria — podem receber benefícios sociais muito elevados. Uma mulher calculou recentemente no Die Welt: “Calculei como ficariam os valores no meu caso. Nessa simulação, minha ‘comunidade doméstica’ é composta por quatro adolescentes e por mim. Com um aluguel de 1.800 euros, a necessidade mensal oficialmente reconhecida seria de 4.517 euros. Esse é o valor que eu receberia do Estado se não tivesse nenhuma outra fonte de renda. E isso é apenas a base. Além disso, há valores destinados especificamente a excursões escolares, livros didáticos, clubes esportivos ou aulas de reforço. Se eu incluir os valores máximos para material escolar e quantias razoáveis para excursões escolares, custos de transporte, passeios e almoços, chego a um total de benefícios estatais de cerca de 70 mil euros por ano. É difícil imaginar alguém que trabalhe conseguindo ganhar esse valor líquido.”

A mulher que escreveu isso é alemã. Quão atraentes devem ser benefícios sociais como esses para alguém que vem de um país pobre? Ao mesmo tempo, o trabalho não declarado está aumentando enormemente. Quem recebe benefícios sociais e, ao mesmo tempo, trabalha ilegalmente sem declarar a renda pode acabar tendo muito mais dinheiro disponível trabalhando talvez apenas 15 horas por semana do que alguém que tem um emprego legal de 40 horas semanais.

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Rainer Zitelmann

Rainer Zitelmann

É doutor em História e Sociologia. Ele é autor de 26 livros, lecionou na Universidade Livre de Berlim e foi chefe de seção de um grande jornal da Alemanha. No Brasil, publicou, em parceria com o IL, O Capitalismo não é o problema, é a solução e Em defesa do capitalismo - Desmascarando mitos.

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