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A democracia relativista e o início da nova tirania

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“O certo e o errado são construções sociais”; “o bem é aquilo que é socialmente aceito”;  “a beleza está nos olhos de quem vê”; “tudo depende do ponto de vista”. Todos os pensamentos exemplificam o relativismo moral, o qual propaga a ausência de definições sobre valores objetivos e universais, negando verdades absolutas. A falta de objetividade dessa corrente de pensamento contamina outras áreas do conhecimento e impera na atualidade horizontalizando o valor das ideias, dos juízos de valor e da produção artística.

Apesar de mutável ao longo do tempo e variável para cada pensador, o conceito de democracia se consolidou estabelecendo a garantia de direitos individuais uniformes e igualitários – ressalte-se o direito à liberdade, incluindo a de expressão. Contudo, observa-se na atualidade a aplicação do relativismo a tal conceito, chegando-se a vários tipos de democracia com distintas características para cada definidor. Do mesmo modo, a ampla deturpação do conceito de igualdade para abranger a igualdade de resultados fomenta movimentos sociais para uma “igualdade” entre  indivíduos em diversas esferas. Aqueles considerados em condições superiores são privilegiados, enquanto aqueles em condições inferiores detém um saldo credor referente a uma “dívida” do primeiro grupo.

Diante de inevitáveis conflitos para o funcionamento desse sistema, é necessário definir líderes supostamente protetores dessa relativizada democracia, sendo eles e sua elite “mais iguais que outros”, numa concepção orwelliana. No âmbito da liberdade de expressão, os autointitulados defensores da democracia e sua elite admitem dois grupos excluídos do sistema democrático: i) formado pelos autoidentificados integrantes de determinados grupos ideológicos ou comunidades definidas por raça, orientação sexual, supostos gêneros sob livre definição, entre outros intitulados “minoritários” e ii) os mencionados grupos ou comunidades “privilegiados” ou “opressores”, inaptos a participarem da “democracia das minorias” por possuírem características contrárias à cartilha calculadamente definida pelos líderes e elite orwelliana. Tudo isso em defesa da democracia, de supostas virtudes, como o amor e a tolerância, e da ciência.

Platão, na sua obra-prima A República, aponta como ocorre a transição entre formas de governo quando há o decaimento moral da sociedade e de seus governantes. Na transição da forma de governo democrática para a tirânica, um dos principais elementos necessários é criar pretextos para destruir ideias de liberdade. Um passo seguinte seria a utilização capciosa de conflitos para justificar a necessidade da figura de um líder supremo que seria o responsável por manter a ordem e o equilíbrio.

Numa sociedade onde conflitos entre grupos de indivíduos com diferentes opiniões e interesses são travados no campo das redes sociais, um líder supremo detentor de poder intervencionista sobre a liberdade de expressão age como um verdadeiro tirano na concepção platônica. O líder supremo retira a condição necessária para uma batalha justa, atuando na formação de opinião e ocultando o termômetro da vontade popular sobre assuntos diversos, como catástrofes, pandemias, legitimidade de governantes, dentre outros.

Aproveitando a normalização do pensamento relativista mascarado por supostas virtudes, a atual “elite democrata”, ou futuros tiranos, definem convenientemente a verdade e seus detentores, sem utilizar métodos racionais e científicos, mas se baseando em um utilitarismo próprio. Servindo-se do poder sobre o campo de batalha das ideias, as redes sociais, os futuros tiranos então pautam as narrativas que corroboram suas verdades, justificando seus juízos privados.

Apesar de ser reação legítima e imediatista, a oposição dos afetados à tomada do poder sobre a liberdade não é um antídoto eficaz e duradouro, mas sim a disseminação do contraponto ao pensamento relativista. É necessário defender a existência de verdades objetivas e universais e a importância de sua busca, impedindo a corrupção da linguagem e dos conceitos de igualdade, liberdade e justiça.

Através de uma definição clara e objetiva dos conceitos e de coerência na busca de virtudes norteadoras, a estrutura da “democracia das minorias” perde sustentação, possibilitando uma inversão do decaimento moral da sociedade. Contudo, enquanto o contraponto não se solidifica, mas normaliza-se o pensamento de que, como disse Nietzsche, um dos pais do relativismo, “não há fatos eternos, assim como não há verdades absolutas”, os mais iguais definem as verdades e a implementação da tirania continua a todo vapor.

*Dimitrios Elias Grintzos é engenheiro civil pela Universidade de Brasília e pós-graduado em Project Management pela Universidade de Toronto, graduando em Filosofia pela Academia Atlântico, membro do Instituto de Formação de Líderes de Brasília e CEO na Artecon Construções. 

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