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O Índice de Desconforto Econômico

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‘Um número que poderia ser usado para o país como um todo seria obtido somando-se simplesmente a taxa porcentual de inflação anual com a taxa de desemprego’, afirma Antonio Carlos Porto Gonçalves.

O desempenho econômico de um país costuma ter bastante importância na popularidade de seus governantes e, portanto, nos resultados das eleições. Então, mensurar o desempenho da economia de forma inteligível e também quantitativa (para poder fazer comparações entre períodos diferentes) é uma tarefa interessante.

Um número que poderia ser usado para o país como um todo seria obtido somando-se simplesmente a taxa porcentual de inflação anual com a taxa de desemprego. Quanto menor o valor dessa soma, certamente melhor seria o desempenho da economia, pois as pessoas não “apreciam” taxas de inflação nem taxas de desemprego elevadas. Vamos chamar essa soma de Índice de Desconforto Econômico (IDE) – e, quanto maior o seu valor, pior para a popularidade dos governantes.

No Brasil dos dias de hoje, a inflação e o desemprego, somados, levariam a um número entre 12 e 12,5%, respectivamente. Esse seria o IDE brasileiro atual. É uma medida bem simples, talvez simplória, da influência econômica sobre o bem-estar dos brasileiros. O valor de 12% é um dos menores de uma série histórica dos 20 anos mais recentes da economia brasileira (na verdade, é o terceiro mais baixo).

“Pesquisas de opinião recentes sugerem que a popularidade do governo federal tem diminuído”
Antonio Carlos Porto Gonçalves

Mensurado pelo IDE, o desconforto econômico é pequeno; mas as pesquisas de opinião recentes sugerem que a popularidade do governo federal tem diminuído, o que é surpreendente dada a importância que se atribui à economia para a popularidade do governo. O que está dando errado?

Pergunta sobre o Índice de Desconforto Econômico

É uma pergunta difícil, com várias respostas complementares, mas a categoria geral em que a maior parte das respostas se encontra é a incerteza que assola o país. Há incerteza sobre

  • educação (o que é educar bem um jovem?);
  • saúde (os doentes e os velhos terão cuidados garantidos?);
  • segurança pública (posso usar maconha? Abortar?);
  • impostos (quanto vou pagar?);
  • gastos públicos (onde vai ser o corte?);
  • equilíbrio dos poderes instituídos
    (quem tem o poder?); e
  • assim nor diante.

Uma lista grande de coisas que podem ser de um jeito ou de outro! Aqui e no exterior! O atual governo brasileiro não tem contribuído para a redução da incerteza.

Enfim, parece que o desempenho econômico puro está perdendo a sua importância histórica.

Artigo publicado originalmente na Revista Oeste.

Por Antonio Carlos Porto Gonçalves. Conselheiro superior do Instituto Liberal, graduado em engenharia industrial e metalúrgica pelo Instituto Militar de Engenharia e doutor em economia pela Universidade de Chicago. 

 

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