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O tiro saiu pela culatra

Nessa terça-feira, dia 1º de outubro de 2013, passei pelo martírio de sair do Centro do Rio de Janeiro para um compromisso no bairro do Flamengo. A distância não é das maiores. No entanto, é necessário utilizar um meio de transporte. Nesse mesmo dia, ocorria mais um exercício – supostamente “democrático e pacífico” – de manifestação. Nos dias de hoje, verdadeiro eufemismo para quebradeira, vandalismo e violação do direito de ir e vir dos cidadãos. Não vou entrar no mérito do protesto, pois não analisei as suas razões.

Mas, um raciocínio lógico tomou conta de minha mente quando um grupo de protestantes ingressou no mesmo vagão do metrô em que eu estava. Após ouvir “gritos de guerra” ilógicos e as comuníssimas reclamações contra a polícia, passei a refletir abstratamente sobre o episódio.

O grupo de professores, pelos queixumes que ouvi, parecem ser aqueles mesmos indivíduos que viveram – e ainda vivem – enchendo a cabeça das crianças e dos jovens com o racional esquerdista. Por anos a fio, esta turma vem utilizando as salas da aula como palanque para a doutrinação sistemática, ao invés de promover o debate de ideias que estimula o senso crítico. Tratei do inferno que isso provoca em jovens liberais no artigo “Tentativa de elucidação: ser um liberal no Brasil”.

Pois bem, “o tiro saiu pela culatra”. Esses professores foram tão eficientes na doutrinação e tão displicentes na educação que acabaram criando falsos cidadãos. A juventude não sabe como e de que forma reclamar. Por quê? A razão é extremamente simples. O indivíduo passa a vida aprendendo que a democracia liberal capitalista é um instrumento de dominação da “elite”, e, por sua vez, o socialismo é o grande paraíso, um sonho lindo e maravilhoso que promoverá o bem comum.

Os que representavam esse “sonho lindo e maravilho” eram todos os partidos de esquerda, os sindicatos e muitos professores. Todavia, ao assumir o poder, os partidos seguiram a cartilha de dominação com o gradativo aparelhamento estatal. O resultado, por óbvio, não agradou aos doutrinados e a seus doutrinadores. Mas, é difícil desconstruir uma estrutura de pensamento que criou gerações. Todos estão literalmente perdidos, sem norte e presos em uma camisa de força ideológica. Diante disso, eles ficaram desamparados, desprovidos das ferramentas para entender a situação de modo a formular suas críticas de forma construtiva.

O mais bizarro de todo esse cenário é que as “crias” desses professores continuam acreditando em mais intervenção estatal. Ninguém, e.g., sequer parou para pensar na proposta de Milton Friedman com a privatização do ensino e a concessão de vouchers – para as pessoas carentes – permitindo que a livre escolha e a concorrência elevasse o nível da educação no país.

Essa é mais uma razão pela qual o país precisa, urgentemente, de um choque de liberalismo, inclusive e principalmente, no meio acadêmico. Faço apenas uma ressalva: o choque de liberalismo nas escolas e universidades não é doutrinação liberal. Muito ao contrário, esse movimento demanda liberdade de ideias sem qualquer direcionamento. As crianças e os jovens precisam e merecem apreender a pensar por si próprios e fazer suas próprias escolhas.

Leonardo Correa

Leonardo Correa

Advogado e LLM pela University of Pennsylvania, articulista no Instituto Liberal.