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O sonho de não ser julgado pela cor da pele, mas pelo conteúdo do caráter

*BERNARDO SANTORO

Hoje é o aniversário de 50 anos do famoso discurso do Re. Martin Luther King na “Marcha por Emprego e Liberdade em Washington”, que foi um evento decisivo para a elaboração do Civil Rights Act, Lei que acabou com a segregação em instituições públicas e particulares, e a Voting Rights Act, que instituiu o sufrágio incondicional nas eleições americanas.

Eu vou postar aqui o clímax do discurso em itálico, com algumas considerações minhas, a seguir, em negrito:

Digo-lhes hoje, meus amigos, que, apesar das dificuldades e frustrações do momento, eu ainda tenho um sonho. É um sonho profundamente enraizado no sonho americano.

Eu tenho um sonho que um dia essa nação levantar-se-á e viverá o verdadeiro significado da sua crença: “Consideramos essas verdades como auto-evidentes que todos os homens são criados iguais.”

A crença em questão é, de acordo com Roderick Long, uma versão estilizada da seguinte frase original: “Consideramos estas verdades sagradas e inegáveis: que todos os homens são criados iguais e independentes; que desta criação igual resulta que eles possuem direitos inerentes e inalienáveis, dentre os quais estão a preservação da vida e da liberdade, e a busca da felicidade.”

A frase jeffersoniana “ser criado igual” tem uma conotação religiosa, dizendo que somos iguais perante Deus. Portanto, o que define o tipo de igualdade explicitada é justamente aquilo que decorre dela: a preservação da vida, a liberdade e a busca da felicidade. A igualdade aqui é, portanto, uma igualdade de jurisdição sobre si mesmo, e nunca pode ser interpretada como a igualdade defendida pelo movimento marxista, que seria uma igualdade material.

Eu tenho um sonho que um dia, nas montanhas rubras da Geórgia, os filhos dos descendentes de escravos e os filhos dos descendentes de donos de escravos poderão sentar-se juntos à mesa da fraternidade.

Eu tenho um sonho que um dia mesmo o estado do Mississippi, um estado desértico sufocado pelo calor da injustiça, e sufocado pelo calor da opressão, será transformado num oásis de liberdade e justiça.

Aqui o discurso toma um ar bem liberal, pois todo liberal defende o direito de ser fraterno com o próximo, mas não o dever. O verbo usado é “poderão sentar-se”, ou seja, o que importa é o estado não poder proibir pessoas de sentarem juntas, ficando com cada um o direito de escolha com quem sentar e com quem conviver, de acordo com suas preferências pessoais. O direito de escolha é fundamental na filosofia liberal.

Eu tenho um sonho que meus quatro pequenos filhos um dia viverão em uma nação onde não serão julgados pela cor da pele, mas pelo conteúdo do seu caráter. Eu tenho um sonho hoje.

Esse, que eu entendo ser o trecho mais bonito, traz uma situação interessante: a sociedade não mais julgaria pela cor da pele, mas pelo conteúdo do caráter. O que vemos nas sociedades atuais é justamente o setor privado cada vez mais julgando pelo conteúdo do caráter, pois a moralidade traz benefícios econômicos e de imagem, enquanto o governo, que deveria ser o primeiro a observar o princípio da isonomia, cada vez mais julgando e discriminando pelos mais diversos fatores: raça (cotas), opção sexual (campanhas a favor de determinadas condutas), e assim sucessivamente, com minorias organizadas tomando o governo para implementar políticas particulares.

O mais bonito discurso do maior líder negro da história reprova, em absoluto, um sistema de cotas que julga alguém pela cor da pele.

Eu tenho um sonho que um dia o estado do Alabama, com seus racistas cruéis, cujo governador cospe palavras de “interposição” e “anulação”, um dia bem lá no Alabama meninos negros e meninas negras possam dar-se as mãos com meninos brancos e meninas brancas, como irmãs e irmãos. Eu tenho um sonho hoje.

Para que isso aconteça, precisamos de menos esquerdismo e mais liberdade. Esse também é meu sonho. Tomara que um dia cheguemos lá.

*DIRETOR DO INSTITUTO LIBERAL

Instituto Liberal

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O Instituto Liberal é uma instituição sem fins lucrativos voltada para a pesquisa, produção e divulgação de idéias, teorias e conceitos que revelam as vantagens de uma sociedade organizada com base em uma ordem liberal.