O que não aprendemos

ARTHUR CHAGAS DINIZ*

Rua Uruguaiana, RJA edição da revista Época de 12/06 quantifica o sentimento que domina a maior parte dos brasileiros. Diga-se de passagem que o sentimento não é de revoltados que querem ter um País, mas, ao contrário, de satisfação por serem, em boa parte, dependentes diretos do Estado. Isto significa que não podem ser demitidos de seus empregos – mesmo que não sejam eficientes e nem mesmo probos – e que terão aposentadorias e pensões crescentes.

Tudo isto é garantido por uma arrecadação crescente de impostos, não só em valores absolutos, como em relativos. Todos trabalhamos cerca de 5 meses por ano para sustentarmos este dinossauro que é o Estado brasileiro. Segundo o Fórum Econômico Mundial, apesar do gigantismo da máquina pública, entre 139 países a eficiência da máquina pública brasileira é a 130ª colocada. Esta baixa eficiência repercute na própria competitividade do setor privado (30º entre 139 países). O governo faz tudo.

Entre as empresas não financeiras, 30% das vendas são efetuadas por empresas sob influência do governo. O fato repercute na administração, até mesmo, de empresas privadas, como foi o caso recente da Vale em que o governo fez demitir um presidente de sucesso sem precedentes na gestão de negócios desta empresa.

O Estado atua em quase todos os tipos de atividade que vão do petróleo à cultura. Arrecadando uma gigantesca massa de impostos, mas usando estes recursos virtualmente para pagar aposentados e pensionistas, o governo não investe praticamente nada em infraestrutura. Rodovias, pontes e viadutos, ferrovias, portos e aeroportos, obrigações do Estado, estão à beira do colapso.

Parece que esquecemos a face vitoriosa da privatização, graças à qual as empresas siderúrgicas saíram do buraco sem fundo da SIDERBRAS. O mesmo sucesso com as empresas petroquímicas, a telefonia, a EMBRAER – que se transformou em uma empresa competitiva a nível mundial – e centenas de outras privatizações menores.

O levantamento da Época é minucioso e conclui por apontar alguns eventos que podem se transformar em detonadores de um novo ciclo de privatizações ou de concessões: a Copa de 2014 e a Olimpíada de 2016.

*Presidente do Instituto Liberal

** Ref.: ‘Estado Ltda.’. Época / Brasil, 12.06.2011 versão online de 10.06.2011

Fonte da Imagem: Wikipédia

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