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O projeto para coibir os supersalários é retaliação?

 

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Leio no Globo que “A aprovação pelo Senado, na madrugada de ontem, do pacote com três projetos para coibir o pagamento dos chamados supersalários no serviço público foi vista por entidades que representam juízes e promotores como uma retaliação do Congresso em resposta às ações do Judiciário no combate à corrupção.”

A presidente da Associação Nacional dos Membros do Ministério Público, Norma Cavalcanti, que também representa a Frente Associativa da Magistratura e do Ministério Público (Frentas), afirmou que “Esse projeto está dentro de um pacote que veio em decorrência do trabalho da Operação Lava-Jato. Nós não estamos sendo punidos pelas nossas falhas, estamos sendo punidos pelas nossas virtudes. Tudo isso ocorreu, com a votação de vários projetos sistematicamente, depois da delação da Odebrecht.“ Já o presidente da Associação dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra), Germano Siqueira, disse que o projeto aprovado é um “constrangimento à magistratura”.

É, meus amigos, seria cômico, se não fosse trágico.  Essa notícia demonstra com clareza cristalina a que ponto chegou Pindorama: a república do “meu pirão primeiro”.  Como bem lembrou Alexandre Garcia, um projeto de lei que nada mais faz do que repetir o que diz a constituição virou, de uma hora para outra, “retaliação”, segundo representantes daqueles que a burlavam.

E ainda há aqueles que dão razão aos doutores, só porque os projetos foram “patrocinados” por Renan Calheiros, o mais novo inimigo número um na nação.  Aqui, não se pensa mais.  Se torce e comporta-se como manada.

Às vezes, por mais otimistas que sejamos, ficamos com a impressão de que Pindorama não tem solução.  É um caso perdido.

João Luiz Mauad

João Luiz Mauad

João Luiz Mauad é administrador de empresas formado pela FGV-RJ, profissional liberal (consultor de empresas) e diretor do Instituto Liberal. Escreve para vários periódicos como os jornais O Globo, Zero Hora e Gazeta do Povo.