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O intervencionismo é um fetiche esquerdista

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“Apesar de ser uma caricatura dizer que tudo o que os progressistas não proibiriam, tornariam obrigatório, eles demonstram certa vocação para usar a força a fim de proibir aquilo que não gostam e tornar mandatório o que gostam”.  Sandy Ikeda

Colunista de variedades de O Globo, Ancelmo Góis publica hoje a seguinte nota, em sua coluna naquele jornal:

‘Assassinaram o camarão…’

Sabe quanto o Chez Anne, na Gávea, cobra por um salgadinho de camarão empanado? R$ 19. Parece absurdo. E é.

Antes de mais nada, concordo com o colunista que o preço é muito salgado, e eu provavelmente jamais compraria um salgadinho ali – a menos, evidentemente, que estivesse com muita fome e esta fosse a única possibilidade imediata de saciá-la.

Dito isso, salta aos olhos a demonstração de total desconhecimento da teoria econômica mais elementar por parte do jornalista ao dizer que o preço cobrado é “absurdo” – que no meu dicionário quer dizer “contrário à razão”.  Ora, se o comerciante cobra esse preço é porque existe alguém interessado em pagar, caso contrário já teria falido ou reduzido o preço.  Em economias capitalistas, ninguém pode forçar ninguém a adquirir aquilo que não quer – exceto os governos, claro, que nos obrigam a pagar impostos, mesmo para financiar uma série de “serviços” que não queremos e não pagaríamos voluntariamente.

Os donos do Chez Anne certamente não ficam na porta do estabelecimento apontando armas para os transeuntes, a fim de forçá-los a comprar seus salgadinhos.  Quem os consome, é porque valoriza mais a iguaria do que os dezenove reais cobrados, ou simplesmente não haveria transação.

Portanto, se o preço é “absurdo”, irracional, para o jornalista, não o é para muitos clientes habituais do Chez Anne.  Em outras palavras, os preços, numa economia capitalista, são estabelecidos de comum acordo entre vendedores e compradores.  Eu cobro quanto quiser pelos meus produtos e serviços, mas não existe qualquer garantia de que vou vendê-los, o que só ocorrerá se alguém considerá-lo vantajoso.

O problema com esse tipo de notícia é a mensagem subjacente que ela traz, segundo a qual o governo deveria fazer alguma coisa, intervir para proteger os “indefesos” consumidores desses “abusos” de comerciantes “gananciosos” e “inescrupulosos”, quem sabe obrigando o Chez Anne a comercializar suas iguarias pelo mesmo preço cobrado na padaria ao lado – o que configuraria um verdadeiro atentado contra alguns pilares econômicos e morais do sistema capitalista, mais especificamente os princípios da autonomia e da livre escolha (voluntariedade) dos agentes.

Comentários como esse denotam que o Estado-babá ainda faz a cabeça de muita gente.  Definitivamente, falta ao Brasil, como dizia Mário Covas, um choque de capitalismo.

João Luiz Mauad

João Luiz Mauad

João Luiz Mauad é administrador de empresas formado pela FGV-RJ, profissional liberal (consultor de empresas) e diretor do Instituto Liberal. Escreve para vários periódicos como os jornais O Globo, Zero Hora e Gazeta do Povo.

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