Não ao patrulhamento e ao preconceito

JOSÉ L. CARVALHO* Não cabe nesse espaço responder a questionamentos feitos, mas meu comentário do dia 15 de dezembro sobre o WikiLeaks provocou algumas reações negativas dos leitores em decorrência de uma referência que fiz a H.G. Wells. Os questionamentos consideravam inadmissível elogiar um socialista, ou admirar um construtivista cartesiano inimigo da liberdade. Por entender […]

JOSÉ L. CARVALHO*

Não cabe nesse espaço responder a questionamentos feitos, mas meu comentário do dia 15 de dezembro sobre o WikiLeaks provocou algumas reações negativas dos leitores em decorrência de uma referência que fiz a H.G. Wells. Os questionamentos consideravam inadmissível elogiar um socialista, ou admirar um construtivista cartesiano inimigo da liberdade. Por entender tais questionamentos como patrulhamento ou preconceito, resolvi convidá-los a uma reflexão. De modo a deixar claro o despropósito desse tipo de questionamento, reproduzo a seguir a referência feita ao escritor:

H.G.WellsA Guerra dos Mundos, magnífica obra de H. G. Wells que combina sátira política com os perigos advindos do progresso científico foi usada em 1938 por Orson Welles em um programa de rádio no dia das bruxas. O realismo da narrativa de Wells, interpretada por Welles, …

De fato, não há como inferir pela referência que fiz a H.G. e a uma de suas obras literárias se aprecio suas convicções socialistas ou tenho admiração por um construtivista cartesiano, inimigo da liberdade. Aparentemente são comentários de jovens entusiastas do pensamento liberal que não admitem que se exaltem personalidades contrárias aos valores liberais. Digo-lhes, meus caros jovens, para não sermos tão sectários quanto os inimigos da liberdade: precisamos aceitá-los como eles são e manter com eles um diálogo de respeito, sem preconceitos ou rótulos.

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Na realidade, H.G. só teve o impacto e o sucesso literários que persistem até hoje por querer ser livre para perseguir seu sonho em uma Inglaterra Vitoriana que impunha às famílias humildes, como a sua, restrições que somente poucos conseguiam superar. Não era um inimigo da liberdade, mas acreditava que pela utopia socialista era possível construir um mundo melhor, até descobrir o fracasso de Stalin. Considerava que o futuro da humanidade adviria do fim do nacionalismo com um Estado Mundial. Embora discorde de seus pensamentos, não vejo razão para ignorar a importância do escritor. (Para uma visão geral sobre H.G. Wells) **

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Termino o comentário do dia 15 com a seguinte afirmação: A divulgação de documentos secretos exigiria, pelo menos, uma análise que identificasse o material a ser exposto publicamente. Alguns leitores questionaram sobre quem deveria analisar os documentos. Evidentemente quem os publica. Portanto, se documentos secretos ou privados venham a ser divulgados sem a expressa autorização de seus proprietários, aqueles que os divulgarem poderão responder criminal ou civilmente por seus atos.

*VICE-PRESIDENTE DO INSTITUTO LIBERAL

**http://terratv.terra.com.br/videos/Diversao/Documentarios/Biography-Channel/4691-274477/Biografia-HG-Wells.htm

Prêmio DSJ: “Liberdade de informação: o papel da mídia”

Fique de olho!

Dilma reafirma compromisso com liberdade de imprensa Estadão.com.br / Política, 18.12.2010

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Freedom of the Press. The Freeman, October 1984 – Volume: 34 – Issue:10

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