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Manobras cambiais e um grotesco erro de coordenação da equipe econômica

ADOLFO SACHSIDA *

Qual é o câmbio de equilíbrio? Em minha opinião a resposta é simples: dadas as restrições de mercado, a taxa de câmbio de equilíbrio é aquela que aparece nos jornais, isto é, é a taxa cambial de mercado. Contudo, muitos discordam de mim e procuram estimar outra taxa cambial. Tais taxas como não são as de mercado, inevitavelmente, levam seus postulantes a pedir por intervenções governamentais no mercado de câmbio.

Não vou entrar aqui no mérito de ser correto o governo intervir no câmbio ou não. Vou discorrer apenas sobre a operacionalização adotada pelo governo para influenciar o mercado cambial. Por um lado o Banco Central utilizou mecanismos de swap cambial para interferir no câmbio. Por outro lado o Ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o Ministro da Indústria e Comércio, Fernando Pimentel, fizeram anúncios públicos de que a taxa de câmbio havia efetivamente mudado de patamar.

A idéia de uma operação de swap, tal como a realizada pelo BACEN, é a seguinte: o BACEN aposta que o dólar irá se desvalorizar no futuro, se isso acontecer, o BACEN ganha dinheiro. Se isso não ocorrer, o BACEN perde dinheiro. O mercado então vê que o BACEN esta apostando na desvalorização do dólar, se o BACEN tem credibilidade, e reservas suficientes, o mercado o segue e o dólar efetivamente se desvaloriza. Contudo, parte significativa desse esforço do BACEN vai por água abaixo quando dois ministros importantes vêm a público dizer que o dólar não irá se desvalorizar, e que este será seu novo patamar.

Resumindo, enquanto o BACEN manobrou para tentar DESVALORIZAR o dólar frente ao real, a outra ponta do governo manobrou para fazer exatamente o contrário. Agora o mercado olha para a atitude do BACEN mas não sabe como interpretá-la. Será mesmo que o BACEN é sério ou será que irá se curvar a Fazenda? Será que o governo está tentendo mesmo desvalorizar o dólar ou será que quer mesmo é o patamar atual? Essa confusão só tende a tornar a intervenção do BACEN menos eficiente, aumentando assim os custos de tal intervenção.

Independentemente de concordar ou não com intervenções na taxa de câmbio, resta evidente que a maneira adotada pela equipe econômica foi desastrosa, e mostrou uma vez mais a pouca sintonia entre seus diversos representantes. O resultado foi o aumento da instabilidade cambial. O dólar vai subir? Vai cair? Ninguém sabe, mas mais difícil do que isso é prever em que direção o governo brasileiro vai efetivamente atuar.

* ECONOMISTA DO IPEA

Instituto Liberal

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