fbpx

Ipea admite publicamente que Previdência e FGTS empobrecem o país

BERNARDO SANTORO*

O Ipea publicou, nesse semana, um estudo sobre o Bolsa-Família, onde argumenta que o programa reduziu em 28% a miséria no Brasil. Eu já havia citado esse estudo ontem, mas me passou despercebido uma questão interessante que alguns amigos me apontaram hoje: o mesmo estudo que defende que o Bolsa-Família gera um efeito multiplicador, afirma categoricamente que a Previdência Social e o FGTS agem com um efeito empobrecedor. Vejamos o gráfico:

*PBF – Bolsa-família
*BPC – Assistência Social
*RPPS – Previdência Social pública do setor público
*RGPS -Previdência Social pública do setor privado
*FGTS – Fundo de Garantia

Preliminarmente, devemos observar que este gráfico está baseado em um modelo keynesiano que entende que o consumo gera um efeito multiplicador. Isso é um óbvio equívoco. O que multiplica riqueza é poupança, investimento e aumento da tecnologia (que, por sua vez, só é possível por causa do investimento prévio que só existe por causa de poupança).

O gráfico argumenta que bolsa-família, assistência social, abono e seguro-desemprego estão, na prática, aumentando a riqueza nacional. Admitindo que tais cálculos estejam corretos (e não há porque duvidar), daí podemos tirar duas conclusões:

1- Dada a minha afirmação anterior, por algum motivo de cunho comercial, o dinheiro utilizado pelos destinatários desses programas “multiplicadores de riqueza” estão indo parar em setores que estão efetivamente aproveitando esses recursos para fins de poupança, aumento de bens de capital e de tecnologia, o que é bom, mas faz com que tais programas estejam agindo como multiplicadores apenas de maneira casual;

2 – Conforme meu Presidente aqui no IL, Rodrigo Constantino, afirmou ontem no seu blog na Veja, o estudo não leva em conta aquilo que não se vê, somente aquilo que se vê. Trocando em miúdos: se esses programas não existissem, existe sempre a possibilidade do dinheiro desviado do setor privado para esse fim poder ter sido alocado em setores mais eficientes, e essa é a tendência, dado que o mercado fluido e desconcentrado é muito mais eficiente na coleta de informações e alocação de bens e serviços do que o estado distante e centralizado.

Mas o mais surpreendente (não pela conteúdo da informação, mas por ter sido o governo a fornecê-la) foi o dado fornecido pelo estudo que a Previdência Social, tanto para o setor público quanto para o privado, bem como o FGTS decrescem a economia do país.

De acordo com o gráfico, de cada um real destinado à Previdência Social, perde-se quarenta e sete centavos, no caso da previdência do setor público, e quarenta e oito centavos, no caso da previdência do setor privado.

Pior ainda são os resultados do FGTS, pais de cada real destinado a esse programa, perde-se em maus investimentos o equivalente a sessenta e um centavos, mais da metade do que lá foi posto.

Em um artigo mais detalhado, expliquei como funciona o esquema de pirâmide da Previdência, que empobrece a sociedade e prejudica especialmente seus beneficiários. Recomendo a todos a leitura. Precisamos urgentemente desestatizar a previdência, tal como feito no Chile, garantindo que todos tenham acesso a uma previdência privada eficiente que não jogue no lixo quase metade do dinheiro lá investido, como acontece hoje na Previdência Social brasileira.

Quando ao FGTS, também já expus como esse instrumento lesa o trabalhador brasileiro individualmente, e o IPEA apenas vem comprovar que o que lesa individualmente o cidadão, lesa coletivamente a sociedade também. Para o FGTS, a única solução é sua extinção, com a devolução do dinheiro do trabalhador, que foi sequestrado pelo governo, de volta a seu legítimo dono.

Se o próprio governo admite que Previdência e FGTS destroem a economia do país, precisamos lançar com urgência uma campanha política para sua reforma e/ou extinção. Caso o governo não concorde com isso, estará dando uma prova concreta de que quer ver todo o país mais pobre.

*DIRETOR DO INSTITUTO LIBERAL

 

Instituto Liberal

Instituto Liberal

O Instituto Liberal é uma instituição sem fins lucrativos voltada para a pesquisa, produção e divulgação de idéias, teorias e conceitos que revelam as vantagens de uma sociedade organizada com base em uma ordem liberal.