À espera das eleições de 2014

Urna_eletronicaAinda é muito cedo para fazer um prognóstico das eleições vindouras, pois até lá muitas águas vão rolar debaixo da ponte.

E a política, como diz um velho dito, é como uma nuvem: muda constantemente de forma e posição.

No entanto, não pretendemos aqui fazer nenhum diagnóstico, mas sim uma breve análise conjuntural sujeita a posteriores reparos.

Ou seja: examinaremos as feições esboçadas até agora, em fevereiro de 2014, quando já existem alguns candidatos em campanha, tanto para Presidente como para Governador.

Começaremos por uma avaliação dos candidatos dos estados da Federação em que nos ateremos ao chamado Triângulo das Bermudas: Rio, S. Paulo e Minas, onde se concentra a maior parte do eleitorado.

No Rio, Sérgio Cabral Filho chega melancolicamente ao fim de seu governo. Com graves suspeitas de corrupção em relação à Delta de Cavendish, com protestos da população acampada em frente do edifício em que ele mora.

E last but no least: com as prolongadas badernas feitas pelos Black Blocs.

Tudo isto fez com que a popularidade do Governador despencasse e ele se sentisse acuado, tendo ido mesmo para a TV e pedido encarecidamente aos manifestantes que levantassem o acampamento da porta de sua casa em nome de seu direito à privacidade.

Como sabemos, Cabral já tem seu provável candidato à sucessão: um ilustre desconhecido que atende pela bizarra alcunha de Pezão.

Para nós, “Pezão” é o mesmo que “Pé Grande” (Big Foot) e este é justamente o nome do Abominável Homem das Florestas Americanas, conhecido também pelo nome indígena de Sasquash.

Dizemos que se trata de um provável candidato porque não sabemos se Cabral apoiará Dilmandona ou se seu partido, o PMDB, lançará um candidato próprio.

De qualquer forma, o PT já tem seu candidato: Lindbergh Farias, ex-presidente da UNE, ex-senador, ex-prefeito de Nova Iguaçu (RJ), conhecido pelas moçoilas do município pela alcunha de Lindinho.

Lindinho tem alguns processos contra ele por improbidade administrativa na Justiça estadual, mas como eles ainda estão em julgamento, goza da presunção de inocência. Todo indivíduo é inocente até prova em contrário.

Também já está em campanha o ex-governador do Rio de Janeiro, Anthony Matheus, o Garotinho. Ex-locutor esportivo de uma rádio de Campos dos Goytacases, ex-prefeito da mesma cidade.

Em sua governança do Estado do Rio de Janeiro, notabilizou-se por duas grandes obras: o Piscinão da Praia de Ramos e o Restaurante Betinho na Central do Brasil, onde se podia comer – mas não sei se ainda se pode – pela modesta quantia de R$1,00 (um real).

Afinal de contas, como dizia Milton Friedman, “There’s no such a thing as free lunch”, ou seja: os comensais pagam somente 1 real e os contribuintes pagam o resto do preço do almoço.

Sabemos que Garotinho foi condenado por corrupção na primeira instância, mas sabemos também que foi absolvido pelo voto de Minerva do então Presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. In dubio pro reo.

Para completar esse quadro com Pezão, Lindinho e Garotinho – que parece até um trio de atacantes de um desses times de várzea – eis que desponta Crivella.

Sobrinho do bispo Macedo da IURD, atual Ministro da Pesca de Dilmandona, Crivella não fez o milagre da multiplicação dos peixes, mas fez o da multiplicação dos pescadores…

Diante desses candidatos, nas eleições para Governador do Rio de Janeiro, os melhores números que podemos digitar na urna eletrônica é candidato: 007, partido: 171.

Passemos para S. Paulo. Tudo indica que o atual Governador Geraldo Alckmin (PSDB) – também conhecido como Picolé de Chuchu – é o candidato de seu partido.

Tudo indica também que Padilha, o atual Ministro da Saúde de Dilmandona, é o candidato do PT.

Aliás, o execrável plano Mais Médicos, uma aberração dos pontos de vista trabalhista e médico, foi planejado com ao menos duas finalidades:

(1) dar dinheiro para El Coma Andante Fidel, (2) Alavancar o companheiro Ministro, como os PAC 1, 2, 3 foram Planos para Alavancar a Companheira Dilmandona, nossa atual Governanta.

Como é público e notório, o governo de S. Paulo – o Estado mais rico da Federação e o último bastião da democracia no Brasil – há muito tem sido o sonho dourado do PT.

Não que morramos de amor pelo Picolé de Chuchu – um político insosso como oposicionista que tenta ser – mas é, sem dúvida, o menos ruim dos candidatos reais e possíveis.

Além disso, felizes são os paulistas que ainda gozam de uma alternativa real para o PT (Perda Total), coisa que nós, cariocas e fluminenses, já não temos há muito tempo.

E se não é possível ter o melhor, que venha o menos ruim.

Em Minas, não sabemos qual o candidato do PT ou de um de seus aliados, mas é quase certo que o merecido prestígio de Aécio Neves, que deixou o governo com 80% de popularidade, fará seu sucessor.

Meno male! Desse modo, nos governos estaduais do Triângulo das Bermudas, ainda há um fio de esperança.

Se, no Rio, a vitória do PT e/ou de um de seus aliados é quase certa, em S. Paulo, Alckmin tem grande chance de ser reeleito e em Minas, a vitória do candidato apoiado por Aécio é também quase certa.

Para Presidente, todo mundo sabe que Lula deixará Dilmandona ser a candidata do PT. Se não deixasse, não seria ela, mas sim ele.

Apesar de ter feito um péssimo governo produzindo o PDC (Plano de Desaceleração do Crescimento), trazendo de volta o fantasma do crescimento da inflação, com a indústria cada vez mais carente de competitividade no mercado interno e externo, com a infraestrutura do País em frangalhos, com manifestações de descontentamento da população, entre outras mazelas, Dilmandona é uma candidata de peso.

Há quem diga que ela perdeu o apoio que os grandes bancos nacionais e os financistas internacionais davam a Palocci que, apesar de corrupto, soube manter a economia nos eixos – coisa que Mantega estragou completamente.

Mas mesmo supondo que essa afirmação seja correta, isso não é suficiente para que ela seja descartada como o mais forte dos candidatos reais e possíveis.

Temos de levar em séria consideração o domínio da máquina do governo e sua propaganda de fazer inveja a Goebbels, o artífice da propaganda nazista.

Além disso, tudo depende muito da retórica da oposição saber explorar os pontos mais fracos da ideologia petista e dilmista, não apresentar um discurso muito semelhante ao do PT, como seus candidatos têm feito até agora.

A oposição já apresentou vários candidatos. Excluindo os nanicos de partidecos de aluguel, temos Aécio do PSDB e Eduardo Campos do PSB.

Atual Governador de Pernambuco e ex-membro do PT, Eduardo se encontra numa situação assaz bizarra. Marina Silva – que gosto de chamar de Morena da Selva – foi Ministra do PT e membro do PV.

Com seu radicalismo ecológico, desentendeu-se com Lula e depois com o próprio PV. Ficou sem partido e tentou criar um: a Rede.

No entanto, apesar de ser candidata, não conseguiu um número suficiente de afiliados para registrar seu partido na Justiça Eleitoral.

Boicotada por seus inimigos ou não, o fato é que, sem a Rede, a Morena não podia pescar.

Diante disso, procurou o PSB de Eduardo que, generosamente, emprestou seu samburá, ou seja: enquanto cacique do PSB, aceitou Morena da Selva como membro da tribo. So far so good

O problema é que, muito antes do ingresso da Morena, Eduardo já era candidato por seu partido e Morena, quando muito, podia ser sua vice.

Mas é aí justamente que a porca torce o rabo: um vice de um a candidato a Presidente cujo índice de popularidade é, no mínimo, três vezes maior do que o do próprio candidato?!

Não nos esqueçamos de que, na corrida para a presidência em 2010, Morena da Selva ficou em terceiro lugar, logo atrás de Serra.

Diante de seu cacife eleitoral, aceitará Morena ser vice do cacique do PSB? Ou considerará tal coisa uma capitis diminutio, uma indesejável queda de status?!

Lembremos que, se o PSDB insistiu na segunda candidatura de Serra, mesmo tendo a opção de Aécio, é porque Serra tinha um índice de popularidade nacional muito superior ao de Aécio, apesar de Serra sempre sair na frente e acabar descendo a serra.

Levando em consideração a conjuntura atual, Aécio cresceu em popularidade e tem um índice bem maior do que o de Campos. Além disso, pesquisas já mostraram que Morena da Selva, apesar de seu grande cacife eleitoral, não transfere seu cacife para o cacique de olhos verdes.

Diante desse quadro, tudo leva a crer que teremos uma disputa entre Dilmandona e Aécio. É bastante provável que Dilmandona saia na frente, mas não é improvável que Aécio consiga ir para o segundo turno junto com ela.

Quem vencerá? Não sabemos, mas estamos torcendo para que seja Aécio. Tirar o PT do Palácio do Planalto é o primeiro passo para defenestrar o PT do poder.

Mas, mesmo assim, com o Estado todo aparelhado por ele, a oposição vencedora enfrentará muita sabotagem dos burocratas remanescentes no poder.

IMAGEM: WIKIPÉDIA

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Mario Guerreiro

Mario Guerreiro

Doutor em Filosofia pela UFRJ. Professor do Depto. de Filosofia da UFRJ. Membro Fundador da Sociedade Brasileira de Análise Filosófica. Membro Fundador da Sociedade de Economia Personalista. Membro do Instituto Liberal do Rio de Janeiro e da Sociedade de Estudos Filosóficos e Interdisciplinares da UniverCidade.