Escola aos sábados

Artigo de Chester E. Finn Jr. revela, em números, quanto os jovens americanos ficam aquém de jovens de outros países – especialmente asiáticos – em quantidade de horas em sala de aula – com evidente reflexo em seu desempenho universitário e em testes internacionais de aprendizagem.

 CHESTER E. FINN JR.*

Sala de aula

Em vista dos déficits de orçamento, distritos escolares de várias partes dos Estados Unidos estão mudando para o regime de quatro dias de aula por semana, apesar das evidências de que semanas e anos escolares mais longos podem melhorar o desempenho acadêmico. É o que afirma, em artigo para o Wall Street Journal, Chester E. Finn Jr., membro sênior da Hoover Institution e presidente da Koret Task Force on K-12 Education.

O tempo adicional gasto com aprendizagem é uma das principais razões pelas quais jovens de diversos países asiáticos quase sempre superam os americanos em pontuação nos testes internacionais de ciências e matemática, como explica Finn:

  • Os estudantes na China freqüentam a escola 41 dias a mais por ano do que a maior parte dos jovens americanos – e recebem 30 por cento mais horas de ensino.
  • As escolas de Cingapura funcionam 40 semanas por ano.
  • Aula aos sábados é a norma na Coréia e em outros países da Ásia.
  • Ao mesmo tempo, as autoridades japonesas estão reavaliando a decisão tomada em 1998 de acabar com o ensino nas manhãs de sábado.
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O “desaprendizado das férias de verão” não é nenhuma piada, diz Finn:

  • Quando as crianças voltam às aulas no final de agosto, início de setembro, muitas delas, especialmente os menos favorecidos, já perderam uma parcela considerável do que tinham aprendido até maio – o equivalente a um mês de aula, segundo a maior parte das estimativas, totalizando 1,3 ano ao final do ensino de segundo grau.
  • O jovem americano típico, aos 18 anos terá passado apenas 9 por cento de suas horas neste planeta sob o teto escolar (e isso incluindo jardim-de-infância em tempo integral e pleno comparecimento), contra 91 por cento de horas passadas em qualquer outro lugar.
  • Quanto a esse tempo restante, relatórios recentes mostraram que os jovens americanos agora dedicam, por incrível que pareça, 7,5 horas por dia “ao uso de mídia de entretenimento” (incluindo-se TV, Internet, fones e video-games); isso se traduz em 53 horas por semana – contra 30 horas na escola.
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Já não é novidade que os jovens americanos dedicam menos horas à aprendizagem formal do que seus equivalentes estrangeiros. Uma comissão federal sobre tempo e aprendizagem relatou há 16 anos que “estudantes em outros países pós-industrialização recebem duas vezes mais ensino em matérias acadêmicas básicas durante a escola de segundo grau.” Os cursos obrigatórios nestes quatro anos consumiam 3.280 horas nas escolas francesas contra 1.460 nas dos Estados Unidos. Os jovens alemães dedicavam, habitualmente, duas horas por noite para o dever de casa. No Japão, metade dos estudantes do nono ano saía toda tarde da escola para uma escola particular para complementar o ensino em matérias básicas.

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Fonte: Chester E. Finn Jr., “The Case for Saturday School”, Hoover Digest, July 2, 2010.

Texto na íntegra [em inglês]: http://www.hoover.org/publications/hoover-digest/article/35681

 *O texto é uma síntese do artigo de Chester E. Finn Jr. publicado originalmente no Wall Street Journal e republicado no site da Hoover Institution. A síntese é do NCPA.

Tradução: LIGIA FILGUEIRAS

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