Serra no JN

RODRIGO CONSTANTINO* Antes de começar este comentário, preciso confessar que nunca fui muito com a cara – e com as idéias – de José Serra. Sua trajetória na militância esquerdista, seja na UNE, seja como economista da Cepal, sempre me incomodou, e ainda o faz. Dito isso, preciso admitir que o candidato tucano foi muito […]

RODRIGO CONSTANTINO*

Antes de começar este comentário, preciso confessar que nunca fui muito com a cara – e com as idéias – de José Serra. Sua trajetória na militância esquerdista, seja na UNE, seja como economista da Cepal, sempre me incomodou, e ainda o faz. Dito isso, preciso admitir que o candidato tucano foi muito bem na entrevista do Jornal Nacional. Passou calma e confiança, e conseguiu se colocar como alguém pós-Lula, ou seja, preocupado com o futuro, e não com o passado. Foi convincente na imagem de quem está acima da rixa FHC-Lula, interessado em aproveitar os acertos de ambos e rejeitar os erros de ambos.

Outro gol de Serra foi focar na questão da experiência, do currículo, lembrando que não se governa um país na “garupa”, como um fantoche de terceiros. Serra insistiu que Lula não é candidato a cargo algum e que, concluído seu governo, ele sai de cena. Isso visa a confrontar a mensagem do próprio Lula que, desesperado com a incapacidade de sua pupila andar com as próprias pernas, declarou que Dilma será apenas outro nome para “Lula” nas urnas. Falso. Quem está concorrendo ao cargo mais poderoso do País é Dilma Rousseff, não Lula.

Serra justificou a aliança com o PTB, partido envolvido no “mensalão”, alegando que a responsabilidade pelos erros é individual, e que o PTB apóia o PSDB com base programática, mas que ele, enquanto presidente, não aceita compactuar com o crime. Essa mensagem é útil, quando se lembra que o PT passa a mão na cabeça de seus próprios “aloprados” e que os réus de formação de quadrilha continuam apitando dentro do partido – alguns inclusive bem próximos do núcleo da campanha de Dilma.

Outro ponto forte da entrevista foi quando Serra deixou claro que, entre pagar pedágios ou morrer nas estradas federais, a primeira opção é muito melhor. E ainda aproveitou para denunciar que o governo Lula investiu apenas um terço dos R$ 65 bilhões arrecadados com a Cide desde 2003, imposto cuja única finalidade é melhorar a qualidade das estradas no País.

Por fim, Serra defendeu a escolha de Índio da Costa como vice da chapa, frisando seu papel na aprovação do projeto “Ficha Limpa”, mais uma bola dentro. Tenho que reconhecer que o tucano foi bem na entrevista de maior audiência da televisão brasileira, e lamento apenas que o casal de entrevistadores não tenha levantado a questão do “mensalão” durante a entrevista com Dilma. Ficou faltando isso, e as FARC, claro.

Enquanto os liberais continuam órfãos de representantes na política, não resta muita dúvida: por eliminação, e principalmente para frear o projeto autoritário petista em curso, é tomar um Engov e ir de Serra mesmo!

*DIRETOR DO INSTITUTO LIBERAL

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  • Luiz Carlos B. Simão

    Como sempre o Rodrigo escreve textos limpos e muito bem focados. Concordo com o que ele disse, da primeira a última linha.

    Mas ficar só comentando e criticando, nada resolve, e desta forma dificilmente se muda alguma coisa. O PT passou anos apanhando nas urnas até chegar ao poder. Graças a Deus um pouco menos agressivo, mas temo que tenham uma recaida. Penso que nós, liberais, devemos evoluir para um partido político que também divulgue nossas idéias e tentar chegar perto , ou ao poder, para poder implantá-las, se não no todo, o que parece difícil, mas pelo menos em parte.

    L. C. B. Simão