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Corrupção e Intervencionismo: tudo a ver

JOÃO LUIZ MAUAD *

O mais novo escândalo de corrupção da praça é o do Metrô de São Paulo.  Desta vez, envolve sucessivos governos do PSDB, para alegria e devaneio dos petistas.  Em editorial, O Globo de hoje clama por mais ética na política e empenho na apuração dos fatos e punição dos eventuais culpados.  São ações necessárias e desejáveis, sem dúvida.  Porém, o referido editorial não toca no aspecto crucial da questão, que é o inchaço dos estados e o grau de intervencionismo dos governos.

Para os menos avisados e mais crédulos, notícias sobre esquemas de corrupção causam perplexidade e revolta.  Já para aqueles que não acreditam em Papai Noel e procuram avaliar a realidade em função do raciocínio lógico e isento de paixões, o “mar de lama” em que nos encontramos não é nenhuma novidade. Longe disso.

Não porque os partidos atualmente no poder sejam muito diferentes de todos os outros, ou que os homens que militam na administração pública tenham-se tornado piores de uma hora para outra. A explicação é muito mais simples e singela. Não deve ser buscada em fatores sociológicos, políticos ou psicológicos, mas estatísticos: quanto maior for o grau de intervencionismo do Estado e quanto mais inchada for a máquina pública – principalmente em países ainda carentes de instituições sólidas –, mais propício será o ambiente para a proliferação da bandalheira e maiores as chances de que ela venha a ocorrer.

Chega a ser impressionante a extrema sintonia verificada entre o índice de liberdade econômica, publicado anualmente pela Heritage Foundation e o da percepção da corrupção publicado pela Transparency Int’l. Contrariamente ao que pensam os idólatras do estado, salta aos olhos a relação existente entre intervencionismo e corrupção.

(Antes que os apressadinhos venham aqui com o exemplo dos países nórdicos, na tentativa de refutar o argumento em tela, é bom lembrar que intervencionismo é algo que vai muito além da carga tributária. A esses, sugiro que estudem como se produzem os índices de liberdade econômica e vejam como países com altas cargas tributárias podem figurar entre os menos intervencionistas).

Os defensores do intervencionismo costumam nutrir verdadeira ojeriza pela iniciativa privada, sem se dar conta de que esse modelo que aí está favorece enormemente algumas elites empresariais, cujas estratégias para maximização dos lucros deixam de estar voltadas para a satisfação do consumidor e passam a priorizar certas “relações sociais” espúrias com políticos e servidores públicos. Trata-se daquela perniciosa “parceria público-privada”, tão comum por essas bandas, cuja atuação funesta não cessa de impor prejuízos ao país.

Eis, portanto, o lado pitoresco, tragicômico mesmo, da revolta contra a corrupção e o mau uso do dinheiro público. Todos reclamam, mas, ao mesmo tempo, clamam por mais governo e mais intervenção.  É patético!

* ADMINISTRADOR DE EMPRESAS

Instituto Liberal

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