Confie no eleitor americano
TREVOR BURRUS / LIGIA FILGUEIRAS*
Que influência os anúncios de campanha política têm sobre o eleitorado americano? Muito dinheiro foi gasto na atual corrida presidencial, especialmente pelo candidato republicano Mitt Romney.
[primeiro anúncio de Mitt Romney]
- Ele concorre com o presidente Obama, que tem exposição diária na mídia. A crítica bateu forte no excesso de gastos das campanhas.
- [Veja Mad Money: TV ads in the 2012 presidential campaign ].
- Houve apelo por maior controle do governo sobre os anúncios de campanha, mais restrições para que o eleitor não fique seduzido por aquele candidato que mais e melhor se fizer anunciar.
Trevor Burrus, do Cato Institute, escreveu para o Daily News perguntando: “Os eleitores americanos são consumidores políticos esclarecidos e competentes, ou são como crianças diante de anúncios com uma colher cheia de cereal açucarado num sábado de manhã?” “Afinal de contas”, completa, “os comerciais destinados a crianças são regulamentados, teoricamente, porque as crianças não são competentes o suficiente para resistir aos anúncios.”
E aí vem a pergunta-tema do artigo: “É assim que devemos tratar os americanos adultos com relação à publicidade política?”
Trevor acredita que o debate sobre os gastos de campanhas mudaria radicalmente se os americanos acreditassem na competência de seus concidadãos. Pessoas competentes, explica, assistem a anúncios de campanhas com uma considerável dose de ceticismo e curiosidade. Pessoas incompetentes, no entanto, acomodam-se e deixam que suas opiniões sejam manipuladas por tolices de bela aparência.
Chegou-se a falar em “lavagem cerebral” feita com dinheiro suspeito de forças secretas que estaria sendo feita sobre 50% do eleitorado americano. Claro que a crítica depende de em que 50% você está. Trevor acredita em persuasão, mas não em lavagem cerebral. Acredita que, por mais provocativo que seja o anúncio, ele tem efeito positivo, levando o cidadão informado a buscar mais informação sobre o que é divulgado. E ao oponente, uma boa oportunidade de contestar. E isso vale tanto para Democratas quanto para Republicanos, segundo o articulista.
A observação que faz é a de que o eleitorado decidido tem a tendência de só querer ver o que diz respeito a seu partido, raramente quer ver o outro lado. Quanto aos anúncios de campanha política, os estudos indicam que eles aumentam o envolvimento e o conhecimento do eleitor.
Para ele, vale o que diz a Primeira Emenda à Constituição americana que celebra a liberdade de expressão: “um princípio orientador da Primeira Emenda é o de que a resposta adequada a uma declaração “ruim” é mais declaração.
E conclui: “Permitir que o governo regule o discurso enganador, impreciso ou negativo não só coloca demasiada confiança nos membros do governo que têm interesse em restringir toda opinião contrária a eles, como revela muito pouca confiança no povo americano.
Veja o artigo na íntegra : Have Faith in the American Voter
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* Associado jurídico do Centro para Estudos Constitucionais do Cato Institute /
/ Editora do IL – resumo / adaptação do artigo original