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Comparações do PIB do Brasil com países emergentes: 2009 e projeções para 2020

Neste artigo, vou fazer comparações de 2020, com base nas projeções do FMI, com 2009, o ano mais impactado pela crise financeira internacional de 2008/09, comparando as taxas reais de crescimento do PIB do Brasil com alguns agregados (mundo, economias emergentes e América Latina e Caribe), bem como com alguns países emergentes selecionados.

O Gráfico 1 mostra as diferenças das taxas de crescimento do PIB do Brasil contra os três agregados. Em 2009, na crise financeira internacional, o Brasil ficou estagnado, em linha com o PIB mundial (-0,1%). Já para 2020, de acordo com as projeções do FMI, o PIB brasileiro deve ser 2,3 p.p. menor do que o PIB mundial (-5,3%[1] e -3,0%, respectivamente). Na comparação com as economias emergentes, o PIB do Brasil deve ser 4,3 p.p.[2] menor do que da média dos países emergentes neste ano. A diferença em 2009 foi de 2,9 p.p., pois as economias emergentes cresceram 2,8% e o Brasil ficou estagnado. Ao se comparar com o grupo da América Latina e Caribe, em 2009, o PIB da região recuou 2,0%. Já as projeções para este ano indicam uma queda sincronizada entre o PIB brasileiro e latino-americano (-5,2%). Lembrando que o Brasil corresponde a 34% do PIB (em US$, PPP) da região, então uma queda mais forte da economia brasileira leva a um recuo maior da região.

Além de se olhar para os agregados, também é interessante fazer essas comparações do Brasil com alguns países selecionados. Na AL, Chile, Colômbia, México e Peru são as economias que se costumam comparar com a brasileira. O Gráfico 2 mostra as diferenças entre o PIB do Brasil e dos países da AL. Em 2009, Colômbia e Peru cresceram mais do que o Brasil, diferentemente do Chile e México, cujas quedas do PIB foram maiores. O fato de o Brasil ser um dos países mais fechados do mundo fez com que a crise de 2008/09 tivesse menores prejuízos no Brasil em comparação com economias mais abertas. O México, com a forte relação com a economia dos EUA, centro da última grande crise internacional, foi muito mais afetado que as demais economias. Já para 2020, segundo as projeções do FMI, Chile, Colômbia e Peru[3] devem apresentar menores quedas do PIB em comparação com o Brasil.

O fato de esta crise ser de saúde, com impactos na economia, e não uma crise especificamente econômica, faz com que países mais fechados com o resto do mundo (caso do Brasil) também sofram bastante, principalmente pela questão do distanciamento social, que afeta sobretudo o setor de serviços, que corresponde a mais de 60% do PIB brasileiro. Essa política de distanciamento social está sendo implementada na maior parte dos países e é uma das principais incertezas nas projeções de PIB, pois enquanto não ficar claro quanto tempo esta medida vai durar, os cenários poderão variar muito. Mesmo quando isto começar a ser flexibilizado, também será de forma gradual, diferente entre as regiões e países, e uma das grandes questões a saber será sobre a retomada dos consumidores nas lojas, restaurantes, eventos e turismo (bem mais para frente)… Isso tudo leva a muitas incertezas nas projeções atualmente.

Agora a comparação é com os países do BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). O Gráfico 3 mostra as diferenças entre o PIB do Brasil e os países membros do grupo. China e Índia, que mesmo em 2009 apresentaram crescimentos do PIB de quase 10%[4], devem crescer neste ano 1,2% e 1,9%, respectivamente, fruto também das medidas de distanciamento social e da gravidade da crise no mundo inteiro, afetando bastante o comércio internacional.[5] A Rússia, que foi muito mais afetada do que o Brasil em 2009, com uma queda de 7,8% do PIB, deve apresentar neste ano uma queda de PIB na mesma magnitude do Brasil, assim como a África do Sul.[6]

Por fim, um outro ponto relevante é o seguinte: em 2009, o peso das economias emergentes e avançadas na economia mundial era quase meio a meio (53% para os emergentes e 47% para os avançados). O peso das economias emergentes cresceu de lá até aqui, sendo 60% o seu peso na economia mundial atualmente, contra 40% das economias avançadas. Logo, com um peso dos emergentes maior, uma queda também deste grupo[7] reflete na queda do PIB mundial.

Dentre os emergentes, grande destaque para China e Índia. Em 2009, o peso desses dois países somados nas economias emergentes era de 36%.[8] Já agora, o peso aumentou para 46%.[9] Em 2009, esses dois países ainda apresentaram altas taxas de crescimento, de quase dois dígitos. Já para 2020, as projeções indicam um modesto crescimento.

Por isso, apesar da grave crise nos países avançados (EUA, Reino Unido, Itália, Espanha e França são os países em pior situação de saúde, com maior número de mortes), nos países emergentes a situação também é bastante preocupante. Dois países (China e Índia), que correspondem a quase metade do peso das economias emergentes e 27% do peso da economia mundial, estão com um crescimento muito baixo. Situação completamente diferente da última crise, quando, apesar de o peso dos dois países emergentes ser menor na economia mundial (19%), ainda apresentaram taxas de crescimento próximas de 10%. E o Brasil, que ficou com a economia estagnada na última crise mundial, deve apresentar um recuo muito forte da atividade econômica neste ano.

[1] Segundo as expectativas de mercado (boletim Focus), o recuo será de 5,9%.

[2] -5,3% e -1,1%, respectivamente.

[3] -4,5%, -2,4% e -4,5%, respectivamente.

[4] 9,4% e 8,5%, respectivamente.

[5] -11,0%, também de acordo com as projeções do FM para 2020I.

[6] Projeções FMI para 2020: Rússia = -5,5% e África do Sul = -5,8%.

[7] Em 2020, projeção de -1,1%, contra um crescimento positivo de 2,8% em 2009.

[8] 25% da China e 11% da Índia.

[9] 33% da China e 13% da Índia.

Marcel Balassiano

Marcel Balassiano

É mestre em Economia Empresarial e Finanças (EPGE/FGV), mestre em Administração (EBAPE/FGV) e bacharel em Economia (EPGE/FGV).